<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714</id><updated>2012-01-21T12:40:26.476-02:00</updated><title type='text'>Rabisco literário</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>39</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-8806391125113151404</id><published>2010-09-10T08:49:00.002-03:00</published><updated>2010-09-10T08:51:38.707-03:00</updated><title type='text'>pensamentos avulsos</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;a vida pode até peder o sabor, mas ainda tenho fome...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-8806391125113151404?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/8806391125113151404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=8806391125113151404' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/8806391125113151404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/8806391125113151404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2010/09/pensamentos-avulsos.html' title='pensamentos avulsos'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-7381095480859234002</id><published>2010-04-30T21:28:00.000-03:00</published><updated>2010-04-30T21:30:59.326-03:00</updated><title type='text'>Natureza biográfica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“Eu bato o portão sem fazer alarde,&lt;br /&gt; só levo a certeira de identidade&lt;br /&gt; uma saideira, muita saudade&lt;br /&gt; e a leve impressão de que já vou tarde”&lt;br /&gt;(Trocando em miúdos - C. Buarque)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quem inventou você fui eu,&lt;br /&gt;porém, eu tenho que desinventar...”&lt;br /&gt;(Reinvento - Gram)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, de certa maneira, a gente nunca se lembra quando e como exatamente, começou a acontecer, o big-bang, o criacionismo, o sol e a lua, o homem quase máquina e sem emoção, a roda a rodar e a rodar a roda, as certezas e dúvidas, as grandes obras inscritas nas pequenas questões, as pequenas questões travestidas de grandes obras, o dedo médio em riste, a arma de fogo, a dor e a morte, o odor e a sorte, o sangue coagulado como esquinas, o bilhete de ônibus, também a menina, o amor desmedido e estúpido, sem deixar de lado os bueiros, medonhos bueiros, além dos pombos, imprevisíveis vôos e fezes de pombos; começou a acontecer também a literatura, essa cova funda que se cava em vida, cada um a sua, cada um na sua, tudo um dia qualquer começa, de um modo incerto e duvidoso, fácil de esquecer; de todos os lados reverberam o início, a gênese, o nascimento, ininterruptos e constantes, mas na mesma constância da despedida, do crepúsculo, do fim, que tudo é a um só tempo nada, de matéria ninguém vive somente, pois que é precária à existência, manca se andar sozinha, talvez nem ande, talvez se dobre diante da incapacidade, da incompletude, da carência que se evidencia nela, a matéria tão importante ao todo, mas impotente sozinha; há que se preencher um vazio, um espaço, há um interior imenso e não sabemos bem como decorá-lo, papéis de parede com as nossas lembranças, colecionamos amores, arrotos e arestas,  peidos, bares e restaurantes visitados, programas de teatro, cinzeiros de motel, molduras com as nossas efêmeras glórias, quilômetros de linhas escritas trilhando reinos distantes, no interior de cada um, sempre há a linha do horizonte e a promessa de uma vastidão que só cabe ao mundo dos sonhos, que aos olhos não é dado ver, é para além que vivemos no nosso interior, paradoxalmente, quanto mais se afunda, mais se salva; mas se não é capaz de se compreender, como vai conseguir compreender o outro?, se não tem amor próprio, como vai ser capaz de amar o outro?, como vai encontrar amor no outro, que é um pouco de si mesmo, a quem ainda não consegue amar?, esse tipo de questionamento não é sensato fazer, não mesmo, porque há quem queira se preservar assim, lidando com alguma coisa que não sabe bem o quê, uma espécie de peso, algo como uma carga sobre os ombros, inexplicavelmente um nada, ela me disse... ela me disse que o peso que carrega sobre as costas é um nada, e eu fico então me perguntando e tentando em vão, talvez apenas pra me machucar, imaginar uma pessoa arcada com o peso de um nada sobre as costas... a gente já ouviu falar em tiro acidental, alguém que puxa o gatilho sem querer, e a bala viaja, sem que se tenha tido a intenção, do revólver até um ponto vital de outra pessoa, ou de si mesma, que suga toda a sua vitalidade; cada passagem do  tempo é um tiro no escuro, mas não deixa de ser um tiro, a gente sente que nada começou conosco e que nada terminará conosco também, a gente se sente meio que só de passagem, a gente se sente uma interferência no sinal, um intruso na corrente, na roda-gigante da vida, os astros e planetas dando voltas uns por cima dos outros, translação e rotação, a gente na roda-gigante, uma putaria danada, desavisados, ao mesmo tempo fascinados e amedrontados com a vista lá de cima, aliás, de todos os ângulos que a roda nos permite, até que acaba o nosso tempo, mas apenas o nosso, que o tempo maior continua, e a gente sente que a roda-gigante não precisa da gente pra rodar; às vezes ela dá voltas pelo passado, contornando e contemplando, seriamente, as ruínas dos monumentos que ousou erguer, como se estivesse procurando um pedaço da história que ela não pegou, tem nisso a sua grandeza e a sua perdição, não quer esquecer um mínimo detalhe e por isso procura sempre e a todo instante sem saber o quê... porque não o faz com minúcia, ela tem o péssimo hábito de se afobar, de se atrapalhar com detalhes inúteis, e quando encontra algum episódio que a interesse, perde-se inteiramente nele, cria as conexões mais impensadas, se enche de questões inimaginavelmente articuladas, sofre, sucumbe, assiste como espectadora passiva ao episódio, sem saber como proceder, sem jamais se dar por satisfeita e por isso, condenada, pela sua breve eternidade, a viver ali, mais do que talvez devesse; fascinante, a atriz desfilava seu corpo no tablado, parecia flutuar, tão leve eram os seus passos, tão encantada ficava a platéia com sua baba bovina... trazia na voz, a atriz ou já a personagem, um sotaque manhoso, e nas suas palavras trazia a mente de um ser inquieto, como um cavalo selvagem, que vivesse sempre na fronteira das coisas, na órbita do tempo, sem jamais se envolver tanto e por isso se envolvendo demais, sempre meneando a cabeça diante do obstáculo, exalando desconfiança pelos poros, fazendo uma careta pra tudo, como se dissesse eu já sei o que você quer aprontar comigo, não adianta nem tentar... mas não se trata da atriz, esse corpo que se empresta a uma outra persona, o teatro como um terreiro, macumba à meia-entrada, a arte santa, das entidades incorporadas, de demônios e querubins, pois não se trata da matéria, que, já disse, ela é manca; além disso, também sou fraco, também sinto peso de nada e de coisa alguma sobre minha costas, e pelo jeito vou ficar aqui com isso, porque você me devolveu, me deu um tapinha nas costas e disse: vai viver sua vida!, já nem mesmo comecei a viagem e sou obrigado a interrompê-la, quando começava a me acostumar com os novos fatos, com os novos pontos, com as novas formas, você me informa o fim, e me anuncia sem solenidade alguma, como a um funcionário temporário, cujo contrato expirou e sua demissão não demanda nenhuma solenidade mesmo, e você só diz que tentava há tempos, que lutava, e que apesar de tudo me amava, mas que se deu por vencida e que como saída para a situação era necessária portanto a minha saída, a sua, sei lá, que viver assim sufocada, vai saber por quem ou por que, não dá... que ainda me quer, mas que não consegue mais se dar; e se de repente numa noite uma chuva forte começasse a cair, simples seria fechar as janelas, por panos secos nos vãos das portas, proteger a casa e proteger a gente, talvez a gente pudesse ligar a vitrola e tocar alguma música para alegrar, junto com o vinho seco que cairia bem à ocasião, instantes de rodar agarradinhos canções inscritas em faixas de vinil que também rodassem sob a pick-up, dançar uma, duas, três, tanto faz, talvez até menos, só duas, ou metade de uma faixa e tão logo a gente estaria num leito armado de improviso, alguns colchonetes e cobertores como cama, nossos corpos corpos nossos, e línguas e coxas e barrigas e palavras e gemidos todos nossos, língua principalmente, língua e ânus, doce, língua e boceta, acre, língua sob toda a superfície branca da sua pele, branca, língua na sua língua, nossos corpos, nossas diferenças, minha protuberância, sua intumescência, que encontro não seria?, movimentos executados sem ensaio, e por isso perfeitos, como se em outro lugar a gente estivesse, não sei de que forma, a gente lá, sem pensar na tempestade que desabaria sobre nossas cabeças se não fosse a proteção de um lar, e num determinado instante, não contendo mais a vida querendo jorrar de si, você gritaria mais que os trovões da tempestade, num orgasmo nunca visto e sentido, dando ao seu rosto uma expressão de êxtase, rosnando feito uma fera, me fazendo sentir calafrios, a sensação de um líquido correr toda a extensão da espinha, como se o infinito coubesse em alguns segundos... mas pára, não é bem isso; sobre o amor, há muito que ser dito, mas também há muito que permanecer calado, que quando se trata deste assunto, como dizem muitos entendidos por aí, fere-se com a flor, há lugar no objeto amado para a felicidade e a infelicidade, para companheirismo e o egoísmo, para o cuidado e o desinteresse, e assim vai, e então se vê diante de quão embaraçoso tema pode se encontrar alguém, eis que de fato, aquilo que de início lhe aparece como uma luz em meio à escuridão, um belo dia, sem mais nem menos, se apaga, e então a pessoa, que antes sabia muito bem, acostumados que estavam os olhos, andar nas trevas, agora, sem a luz que se projetava e a projetava igualmente, não sabe mais nada da escuridão para a qual se viu obrigada a voltar... já agora, essa pessoa vê fantasmas, vultos que cortam deselegantemente outros enredos, outras narrativas, pedaços de imagem, a saia de um domingo, colada com um sorriso de terça, mais o cabelo de uma sexta, o cheiro de sempre, uma fantasmagórica aparição, flashes inevitáveis inundando os mais ínfimos instantes, no trabalho,  num banho, numa idiotice na TV, num romance russo, em tudo, fantasmas e mais fantasmas, não espíritos, fantasmas... fantasmas, o fim e nada mais... como exercício de linguagem até que valeu a pena, vai dizer um dia o escritor numa entrevista coletiva concedida por ocasião de seu novo livro em que será interrogado sobre a natureza biográfica de sua obra, depois de sorrir ele vai pedir licença e, debaixo da chuva de protestos por parte dos jornalistas críticos e enviados especiais, se retirar por um corredor extenso, meio sem ter mais noção de si, aparentando uma crise de identidade, uma dificuldade de se situar no mundo e em si mesmo, por esse imenso corredor, já tendo a porta atrás dele se fechado e os rumores cessado, vai ganhar a rua pelos fundos da livraria, suado e ofegante, o som da cidade grande vai encher os seus ouvidos, a odor típico do lugar vai entrar violentamente pelas sua narinas e ele vai olhar perplexo o mundo lá fora, parecendo esquecido de si, apenas em condições de notar, pelo peso que lhe veio como estímulo nervoso inesperado e repentino, em sua mão direita , um revólver carregado, ele sem ter idéia de como aquela arma foi parar ali, o seu dedo indicador já dobrado e pronto, no gatilho, ele vai olhar as pessoas passando e notar que não é notado, mesmo com aquela arma na mão, ninguém o nota, é um anônimo que não interessa a ninguém, ele percebe também que ninguém vai se importar se ele levantar a arma, até a boca, engolir o cano o máximo que puder, acionar o gatilho e morrer, a vida dele, ele vai perceber, não diz respeito a dos outros, e isso vai ser até mesmo um bom motivo para ele seguir o script: levantar a arma, até a boca, engolir o cano o máximo que puder, acionar o gatilho e morrer... mas não, ele vai decidir que não é a hora ainda, está recobrando algo de sua consciência, e que mesmo que ela não me escreva, que não me mande uma carta contando como é viver essa nova vida, e mesmo que ela não diga notícias suas pelo telefone ao meu ouvido, mesmo que não me dê o direito de compartilhar da sua vida, mesmo diante de muito mais coisa, que prefiro não ter que comentar, eu, quer dizer, o escritor, vejam!, o escritor vai seguir o fluxo e viver sozinho... e talvez um dia eu responda àquela pergunta indevida do jornalista: se a obra era ou não de natureza biográfica.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-7381095480859234002?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/7381095480859234002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=7381095480859234002' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/7381095480859234002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/7381095480859234002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2010/04/natureza-biografica.html' title='Natureza biográfica'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-1838809295653287285</id><published>2009-03-08T12:32:00.001-03:00</published><updated>2009-03-08T12:36:23.305-03:00</updated><title type='text'>Anagramático</title><content type='html'>Faz frio nessa época estival&lt;br /&gt;como intervalo de televisão&lt;br /&gt;fundir-se é a ordem do dia&lt;br /&gt;nas coisas e as coisas em si&lt;br /&gt;assim tudo tende a se perder&lt;br /&gt;eu, tu, nós e eles mesmos&lt;br /&gt;então quem sabe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí um egocêntrico&lt;br /&gt;mas na órbita de tudo&lt;br /&gt;eis o dilema a ser&lt;br /&gt;finda a esperança&lt;br /&gt;aqui só carnes e sonhos&lt;br /&gt;de carne&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nele tem sempre um corpo&lt;br /&gt;de mulher&lt;br /&gt;que ela que nada&lt;br /&gt;é ele&lt;br /&gt;que ainda não sabe&lt;br /&gt;e quando for&lt;br /&gt;já vai tarde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subir? para onde?&lt;br /&gt;se não há degraus no mundo&lt;br /&gt;só a vontade&lt;br /&gt;e o desejo só&lt;br /&gt;ranger de dentes esmaltados&lt;br /&gt;rubor de lábios&lt;br /&gt;que hora essa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soa como se houvesse&lt;br /&gt;aquela vida enorme&lt;br /&gt;beijá-la sofregamente&lt;br /&gt;sabor de lágrima&lt;br /&gt;abrir os olhos e ver&lt;br /&gt;melhor&lt;br /&gt;não ver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se entre cantos&lt;br /&gt;esquinas de memórias&lt;br /&gt;vãos de piso e suas pegadas&lt;br /&gt;e se lá desse fosso&lt;br /&gt;emergisse o botão&lt;br /&gt;prever a rosa rubra&lt;br /&gt;bruta rosa&lt;br /&gt;casa ou fonte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ainda&lt;br /&gt;nem sombra nem vida&lt;br /&gt;é fome que consome&lt;br /&gt;conforme não come&lt;br /&gt;algo de assimétrico ao longo&lt;br /&gt;e anterior&lt;br /&gt;clave urdia um nome&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2009)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-1838809295653287285?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/1838809295653287285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=1838809295653287285' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/1838809295653287285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/1838809295653287285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2009/03/anagramatico.html' title='Anagramático'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-5517266030462106973</id><published>2008-11-05T09:17:00.000-02:00</published><updated>2008-11-05T09:28:24.716-02:00</updated><title type='text'>Egoísmo em primeira pessoa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“naquele dia eu escrevi teus olhos&lt;br /&gt; e a partir de então,&lt;br /&gt; você passou a usá-los...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EU me lembro exatamente o dia e como recebemos a notícia. Domingo. Manhã de 7 de fevereiro de 1999. A cidade já respirava confetes e serpentinas. Eu atendi quando Pereira ligou. Agradeci sem muitas palavras. Ao dar a notícia ao meu irmão, vi seu corpo desabar completamente sem forças no chão. Todos o foram amparar, menos eu. Confesso que petrifiquei ao presenciar aquela cena. Ana não sabia onde meter o choro, se entre as mãos ou nos braços. Lucas, o mais velho, tentava em vão despertar meu irmão do desmaio. Fabiana, a do meio, soltava um murmúrio de meu deus, minha nossa senhora, todos os santos. Ela não acreditava. Nem eu. Ninguém jamais aceitou a idéia de encontrar um corpo. Jorginho seria sempre uma criança, mesmo que apenas na lembrança distorcida de todos nós. A cena familiar logo virou espetáculo. A mídia televisiva e impressa enchia seus cofres de cifras com a tragédia alheia. Flashes e câmeras e textos não deixavam ninguém esquecer. Nem mesmo Che, o cão da família, sempre desamparado pelos cantos do quintal. Curiosamente, desde o desaparecimento de Jorginho, Che jamais me respeitara. Latia ao me avistar ainda de longe, impetuosamente. Mas logo recolhia o rabo entre as pernas quando eu me aproximava e seu instinto reconhecia minha superioridade. Mas verdade é que quem se fechou completamente para o mundo foi meu irmão, pirou, pode-se dizer. Eu até senti pena dele. O estranho é que a maneira de se enclausurar foi se expor ainda mais. À época dos sensacionalismos, ele era figura presente em todos os programas aos quais fosse convidado. Chorava copiosamente à frente das lentes. Sempre uma careta diferente estampada nos jornais. Suas palavras iam se tornando um gênero comum a muitas outras pessoas. Uma conta em solidariedade foi aberta num ano em que os banqueiros mais uma vez batiam todos os recordes de lucro. Ana não pôde suportar uma vida sem o caçula e fora morar na serra. Se por um lado, confesso mais uma vez, a meu irmão dei o desprezo desde o início, por outro me dediquei inteiramente à Ana. Afinal, ela era o amor da minha vida. Meu irmão não a merecia. Ele não podia tocá-la todas as noites, não com aquelas mãos que ele esfregava nas putas da orla. Em algumas oportunidades até em travecos. Eu mesmo o fotografei e enviei secretamente o conteúdo do flagrante pelo correio à Ana, atormentada, que mesmo assim, diante dessa vergonha, sustentava o relacionamento, porque não queria criar os filhos sem a figura paterna. Meu irmão não tinha esse direito. Vai ver recebeu o castigo que merecia ao perder o filho. Mas Ana não merecia esse desgosto de não ter mais o filho querido, em quem pudesse beijar feito uma boba, sem se preocupar com rugas ou pés de galinha. Porque para Jorginho, Ana era a mulher mais bonita do mundo. E realmente ela era. Eu mesmo a presenciei inúmeras vezes aos beijos com os filhos, jeito lindo de boba. Ela sempre pareceu não se importar com as minha espiadas, até sorria para mim às vezes. Ela teria sido muito mais feliz se tivesse me escolhido. Talvez não fosse necessária a morte de ninguém. Depois que Jorginho partiu, no entanto, ela não teve escolha. Criou-se um abismo entre ela e meu irmão. A incomunicabilidade dissolvera por completo o relacionamento. Enquanto um tentava perpetuar sua tristeza nos meios de comunicação, o outro só pensava em refletir o silêncio causado pela morte de Jorginho. Ela não teve escolha. Somente eu me dispusera a dedicar tamanha atenção. De um ponto de vista bastante egoísta, a morte de Jorginho me trouxera um benefício sem tamanho. Eu estava agora todo a disposição do meu amor, na exata condição em que aqueles que amam gostar de estar. Eu estava à mercê, feliz e à mercê. A tristeza constante de Ana, na verdade, em nada me incomodava, para ser mais sincero, eu me deleitava com aquela tristeza e a profunda dependência de um ombro, o meu em todas as ocasiões, pronto para afagos e socos, carícias ou mordidas, Ana tinha inúmeras formas de desabafar, e eu estava sempre à mercê. Do meu irmão, por muito tempo, só tive notícia pelas manchetes. Vez ou outra ele se abraçava a alguma causa em defesa dos pais que perderam seus filhos muito cedo e de maneira trágica. A última vez que nos vimos foi no enterro do menino. Uma verdadeira comoção nacional. Na ocasião, o dia até decidiu contribuir e, debaixo de um imenso temporal, uma procissão de guarda-chuvas seguiu em cortejo até o jazigo de Jorginho, as pessoas rezando pais-nossos e ave-marias, até hino nacional cantaram. O arcebispo fez uma extrema-unção tardia e simbólica do menino, provavelmente sem pecados àquela idade. Para quase todos, ele era um anjinho. Os holofotes das emissoras jorravam luz sobre o pequeno caixão sendo abaixado até o fundo da cova. Até mesmo uma associação de carpideiras ofereceu seus serviços, gratuitamente, tamanha a barbaridade do crime que levara a vida daquela criança. Ana, é claro, não foi àquele funeral folclórico. Eu tive que ir, não podia me demonstrar alheio ao fato, confesso de novo que até concedi uma entrevista, com rápidas e ensaiadas palavras. Meu irmão, ao ver o rosto de Pereira, não conteve seu ímpeto e disparou em sua direção, na frente das câmeras, enxergando cegamente num detetive o que ele acreditava ser a inoperância do estado. Durante os anos seguintes, defendeu com unhas e dentes a culpabilidade do estado na morte de seu filho. Mais uma vítima, segundo ele, do estado de calamidade pública que põe as pessoas umas contra as outras, feito animais selvagens, incapazes de discernimento. Porque seu filho – ele sempre chorava nessas horas – era apenas uma criança, incapaz até mesmo de defesa própria – ele ainda soluçava -, uma verdadeira covardia. Mas o fato é que Pereira jamais desgrudou do caso Jorginho. Esteve sempre decidido a fazer daquele o caso de sua vida. Meu irmão, embora o odiasse com todo o coração, não deixava de enxergar nele o fundamento de seu discurso. Realmente Pereira poderia ter salvado a vida de Jorginho. Mas não o fez. Cometeu um pequeno, mas essencial, deslize nas suas investigações, elegeu a estratégia errada, passou longe de identificar o assassino, que teve tempo suficiente para apagar todas as evidências do crime. Até mesmo isso virou notícia de jornal. Meu próprio irmão fez questão de revelar. Contou à imprensa que Pereira e toda nossa família mantinham contato intenso. Tudo debaixo dos panos, uma negociata, fora dos olhos das altas patentes. Pereira não teve sorte, porque além de perder o caso, em vista da pressão social que se abateu sobre ele, também perdeu o distintivo. Lucas e Fabiana foram para o exterior, como fazem os filhos de boa família nos momentos de crise. O projeto de Ana falhara, sua família se dissolvera, todos, de alguma maneira, morreram juntos com a criança, só que permaneceram vivas para sentir a dor. Talvez a única pessoa feliz fosse eu. Meu projeto sim se realizara. Sei que pode parecer egoísta, mas para um egocêntrico isso nada interessa. Sempre achei Jorginho uma criança besta e mimada. Aproveito para fazer mais uma confissão: tive ciúmes do moleque. Na verdade eu tinha ciúmes de tudo que se aproximava de Ana. Até mesmo da brisa do fim de tarde tocando leve o corpo docemente esquálido dela. Ana sempre foi fraca, e essa fraqueza me tirava o chão, me tirava a razão, que para mim, nunca valeu de nada mesmo, Ana sempre teve a capacidade – nenhuma outra palavra seria mais adequada – de me fazer perder a cabeça. Mas eu jamais deixei que isso transparecesse, aos olhos dos outros, sempre fui um cunhado respeitador, discreto, alguns diziam que eu era viado, outros diziam que era romântico apenas. Aos meus sobrinhos, inclusive Jorginho, fui útil até quando precisaram de mim, com meu irmão mantinha uma relação cortês, com Ana era mais fácil, porque uma dama merece todas as cortesias, até mesmo de quem não a desposou. Todo meu descontento, todos os meus passos na escuridão, tudo que devia, meus ódios e meus amores, eu mantinha em segredo. Jamais levantei uma suspeita sequer e tudo corria bem. Meu único erro foi sussurrar, num momento de êxtase, no ouvido de Ana, mais uma confissão: fui eu quem matou Jorginho. Quando ela arregalou os olhos, não tive dúvidas, o amor fraqueja, eu teria que matá-la também, para manter vivo meu segredo...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-5517266030462106973?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/5517266030462106973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=5517266030462106973' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/5517266030462106973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/5517266030462106973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2008/11/egosmo-em-primeira-pessoa.html' title='Egoísmo em primeira pessoa'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-373173653784844752</id><published>2008-05-20T19:36:00.001-03:00</published><updated>2008-05-21T14:29:15.317-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Bem, há muito tempo não atualizo este blog, por essa razão, vou disponibilizar a quem tiver interesse na leitura dois textos: o primeiro é do segundo livro (O autor sua dor); já o segundo é o quinto conto do novo livro que está em processo ainda. Embora apresentem estratégias narrativas distintas, guardam certa relação na força dramática de seus enredos. Espero que gostem!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nem lágrimas escorrerão de seus olhos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu a Pacheco Junior e virou à esquerda na Lenor, rua que achava grande e muito sinuosa embora tivesse apenas uma curva. Mas nisso Ele só acreditava durante a volta. Na ida seus pés meio que flutuavam sobre o chão de pedras quadradas. Tinha um estado de espírito que muitos, porém não todos, chamariam de bom. Ganhou a Francisco Portela, aquela avenida de luas amarelas pregadas nos postes, margeada por muros rabiscados de nomes muitas vezes incompreensíveis. Seu rumo era desconhecido, não inesperado. Algo difícil de explicar. No ônibus via flashes multicoloridos tão velozes quanto efêmeros. Avistou de longe, já descido da condução, o bar e uns pontinhos dançantes que julgou serem pessoas. Sacou do bolso da camisa um cigarro. Acendeu. Deu uma longa tragada, como se quisesse tomar um fôlego. Bufou um pouco e partiu deixando um leve rastro. Uma luz vermelha que se projetava de cima duma estrutura de ferro era a senha, podia atravessar a avenida, que àquela altura já mudara de nome. Os pontinhos, antes longínquos, iam tomando forma ao tempo dos seus passos. Levantou a mão algumas vezes, acenou com a cabeça noutras, mas foram seus olhos os que fizeram o contato mais interessante. Disso cuidaria depois. Uma vontade devia ser saciada antes de qualquer outra coisa. Pediu uma cerveja e deixou-se beber pelo líquido alcoólico envolvente. Um barulho polifônico preenchia o ambiente, vozes, muitas vozes se cruzando, dando crias. Sentiu uma ardência nas costas, pela forma grosseira que as pessoas daquele lugar tinham em se cumprimentar. J. estava parado atrás Dele, com um sorriso bonachão nada condizente com a bofetada. J. começou a dizer, você demorou muito, Ele fez silêncio. O que J. disse depois não se sabe, porque os decibéis dos alto-falantes eram imperiosos, imperativos, imperiais, plagiados de Joyce. Isso, também, pouco importava naquele instante. A terceira cerveja Dele se fora, junto de mais cinco cigarros e alguns minutos de sua breve vida. Mas sobre isso, claro, sua consciência não o permitiu refletir. Não naquela hora. Seus olhos eram a única – a única, não a mais segura – forma de captação. E justo eles, que já o traíram em tantas ocasiões. A célula fotográfica da retina apontara para muitas poses, mas revelara poucas, das quais aquela mulher fora a mais preciosa. Gostosa, o termo mais preciso e precioso mais uma vez, todas as vezes, sempre. Quem sabe? Olhos, forma de captação e de comunicação, enigma averbal. Fonte de dúvidas e falsas certezas. Ele já não podia lutar contra isso e se deixava penetrar pela imagem daquela mulher. O inverso da lógica biológica. Penetrado e ocupado por dentro, a mulher, enorme, mas que mesmo assim penetrou pelo pequeno orifício ocular. Onde estaria J.? Em algum lugar, como todo mundo. O que importava é que Ele estava ali, ela idem, os dois juntos, eclipse, um na frente do outro, a luz e a sombra, e ela ainda dentro dele. Só restaram os dois, mais ninguém. Pra quê mais alguém? Que se danassem. Eram os dois, o necessário, o suficiente, tudo. Ele ouvia a voz dela, mais alto que qualquer outro som, eu quero foder com você, sim, Ele podia ouvir. A resposta? Uma ação, a aproximação, o contato, a rejeição. Então Ele se recolheu à enésima cerveja e ao enésimo cigarro, mais morto que antes. Ilusão? O barulho polifônico retorna, as pessoas, J., tudo incomoda. Ele se recorda de ir embora, sentar num banco, numa escada, pensar, paga, sai, olha a mulher uma penúltima vez. Se distancia do bar e as pessoas vão retomando a sua forma de pontinhos. Ele senta, no meio-fio, ainda olha a vista longínqua. Os pontinhos pululam, crescem, brotam. A mente insana ocupa o tempo, os braços, as pernas, os instintos. Ele fuma mais cigarro. Por que desceu a Pacheco Junior?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não desceu a Pacheco Junior. Seu endereço era já outro. Subiu a íngrime Adino Xavier. Seguiu à esquerda na Rua da Caminhada. Alguns passos depois, portanto nem uma caminhada inteira, e mais uma vez à esquerda, estava na Maria Rita. Em alguma rua daquele logradouro seria a festa. Mas não lhe saia da cabeça a sua excomunhão da igreja católica. Não de acordo com doutrinas, imposições hipócritas, decidiu semear a discórdia no seio da religião. E tão nervoso foi seu intuito que se viu diante da forca, porém feliz, uma vez que ia ser des-batizado, livre outra vez, criatura, ou criador da própria consciência. Nas celebrações se exaltava, pensava nisso enquanto ia a caminho da festa na Maria Rita. Vociferava suas palavras contra o peito frágil dos fiéis. Estava possuído, muitos diziam, dominado, ou então, como você mesmo preferia acreditar, totalmente solto, liberto, a luz a sua frente, e você todo sorrisos. Você não sofreu, isso não, riu, riu loucamente da sua expulsão, do vazio que ficou depois disso, dessa paz que sempre você almejou. Ia para a festa assim, desimpedido, acima de tudo, vivo, encimado por uma luz natural, talvez assim você não o quisesse, mas ia. Traiu a igreja para ser fiel a si mesmo, e a mais ninguém. Você negou a si mesmo a volúpia da religião, o orgasmo santo e sagrado, simbolicamente sangrado. Negou a carne forma de trigo, que muitas vezes, contrariando orientações, você mastigou, cravou os dentes, não a deixou se dissolver entre o dorso da língua e o céu da boca, não, não mesmo, você sempre mastigava o corpo, canibalizava a eucaristia. Talvez eles até tivessem razão, talvez você estivesse de fato possuído, endemoniado, uma fera indomável tentando transpor as rijas barras de ferro da cela que lhe impunham, acorrentado no pênis, na boca, nas zonas todas do seu corpo, acorrentado no desejo, no tesão, a cabeça, a mente, tudo acorrentado. E dos meus olhos brotava a chama do rancor, chama molhada, água fervente, salgada, acre, um latido feroz saído dos olhos meus, perscrutando as almas vazias e quase transparentes de seus agressores, olhos viscerais, olhos de lâmina cortante. Passei a mão na chave em direção ao andar de cima. Já iam dentro das calças o cigarro e o isqueiro. Subi os degraus da escada de dois em dois e me perdi no anonimato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O homem é como os rinocerontes, isso, os rinocerontes, ele ataca primeiro e pensa depois. Ele primeiro sacia essa necessidade instintiva e depois pensa, o que já não adianta de nada. É o fato que constrói teoria, disso não se tem dúvidas, a teoria que é um pensamento, também vem depois. Agora é fácil pensar, explicar, procurar razões e justificativas, mas na hora, se ataca, e tão somente.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Maquia direitinho, ela tem que ficar linda, deslumbrante, uma princesa. Olha aqui, aqui em baixo dos olhos, põe mais pó-de-ruge aqui, vai. Assim, assim mesmo que tá linda, lindíssima. Não esquece o batom dela, viu? Sem batom ela é a mesma coisa que comida sem tempero. Ai, ai, ai. Tá ficando linda, eles vão te adorar, querida.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Na hora, a vontade te controla como se fosse ela a única e imperiosa senhora. Essa irmã gêmea da loucura, esse passo anterior ao insensato, essa forma dúbia do egoísmo, não mais que isso. Ou simplesmente isso.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E essa sombra aqui, você pirou? Mais escuro, por favor! Quero que os olhos dela tragam a escuridão, quero que os rapazes se percam na neblina do olhar dela, isso, isso, capricha. Parece uma modelo de passarela, não parece?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O desejo maior do homem é o dinheiro, tudo para o homem se resume a dinheiro. Dois pecados, um é o de resumir tudo, dois é o de acabar resumindo a si mesmo. E no entanto poucos se espantam com essa banal verdade. Falar é fácil, viver que é foda.”&lt;br /&gt;“Destrava essa cara, querida! Assim com essa careta não vai adiantar muito a maquiagem mesmo. Dá um sorriso, vai, dá um sorriso que eu quero ver esses dentes. Mas se quiser pode ficar assim com cara de nervosinha, eles vão adorar você de qualquer jeito.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Outro desejo do bicho homem é organizar o conhecimento, uma triste ilusão, porque o espírito é sempre prático e, acima de tudo, imediato. Sede de compreensão é uma doce utopia que dá sentido à vida humana. A única pergunta que se pode fazer é: o que fazer com o incompreensível?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cadê aquele sutiã com enchimento que a gente comprou? Não tô achando. Não tá aqui nessa sacola. Cadê a porra do sutiã? Sem peito grande não tem graça, né? A moçada gosta mesmo é de peito bem grande. A galera gosta de carne ou de imagem. Você tá ficando uma boneca!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“No início era o verbo, e o verbo era tudo, e o verbo era deus, e dele tudo nasceu, e dele tudo há de nascer. O verbo. Mais um desejo. É melhor ler sobre aquilo em que se acredita. Desse jeito é menos vergonhoso.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Uma belezura que tá ficando, uma belezura! Coisa mais fofa, gente! Linda demais! Tá quase chegando a hora, tá? Você vai ver que espetáculo que vai ser. Ficou ótimo esse sutiã nela. Assim que eu queria, bastante peito!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sempre se explica a própria dor pela dor alheia. Eis o critério.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ta pronta! Aiiiiii! Nossa, como ficou linda! Vamos apresentá-la!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas no fim de tudo, se é que é possível haver fim, fica a agradável lembrança do prazer que tive”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não podia me renegar. Qual o porquê daquilo? Eu não estava errado, de maneira alguma. O que mais eu podia representar para ela naquele instante? A julgar pelo olhar... eu ouvi bem ela me dizendo aquilo. Era ela quem dizia, e dizia a mim, com seus olhos, não dizia? Ora, claro que sim. Eu atendi. O que mais podia fazer se não atender aquele chamado? Eram suplicantes os acordes que se desprendiam daquelas pupilas absurdamente dilatadas. Era o Prazer em forma de mulher, convidativa, serpente da sedução, feminifelina. Agarrei-a pelos pulsos com força, numa demonstração da minha condescendência. No que ela titubeou, imprimi mais força aos meus dedos e mais afirmação nas minhas expressões. Um ui silvado ecoou de dentro dela, quase um uivo de gozo. Meus pouquíssimos pelos do corpo se assanharam, eretos, tremulantes, sensíveis. Decidi que ela me queria no controle. Éramos animais e assim devíamos nos portar, feito animais, os animais próprios na loucura e insana tendência do instinto. Panos rasgados, pele arranhada, mordidas, dentadas, músculos tensos, suor e cansaço, dor e entrega, sussurros gemidos gritos, eu no controle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria, sóbrio, tranqüilo, tocar o rosto dela, macio, suave, eu queria enroscar feito cobra naquele corpo, sem apertar, na dose exata, ouvir suspiros, pequenos gemidos, tremor de pernas, eu queria que tivesse sido assim, você nem vai acreditar, mas eu queria que tivesse sido assim, ser beijado com um beijo úmido, tocar a nuca suada com dedo não hesitante, se eu pudesse voltar, te juro, eu voltaria, talvez nem sairia de casa, onde eu morava mesmo?, lembro pouco, foi tudo tão rápido, ela estava lá deitada, meio de lado, um pedaço da língua pra fora, os olhos, ai, aqueles olhos, arregalados, e já não olhavam mais pra mim, não olhavam nada, eram olhos que não eram olhos, eu queria mesmo era ter viajado com ela, isso eu senti logo naquela noite, ela era loira, falsa, é verdade, mas mesmo assim loira, um metro e oitenta talvez, você já se apaixonou por alguém?, ah, isso não é importante, você não entende mesmo, e eu entendi tudo errado, sempre entendo tudo errado, por isso fiz o que fiz, eu nunca quis forçar ninguém a nada, todas as noites eu sonho com isso, ela gritava, mas eu não ouvia, sei que ela gritava mesmo sem poder ouvir, se eu pudesse, meu deus, se eu pudesse... agora eu estou aqui, querendo o impossível, voltar no tempo, mas o engraçado é que eu não consigo chorar, devo ser doente, você não acha?, desde que tudo aconteceu, ninguém veio me ver, minha mãe me mandou uma carta me dizendo que isso é castigo, eu já nem sei mais, o pessoal vai me matar, não vai?, por isso essa roupa ridícula, não é mesmo?, eu não ligo, não ligo mesmo, nem mesmo consigo chorar, acho que confundi as coisas, mas não sou monstro nenhum como você me disse... pelo menos eu não vou mais ter que sonhar com isso toda noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas já é tarde&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“primeiro tentou poema&lt;br /&gt;tirar imagem&lt;br /&gt;dela parada serena”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A manhã é quase uma extensão da noite. No céu, cinza-escuro, uma grossa camada de nuvens esconde o sol. Pode-se até pensar, dependendo de quem e de seu estado de espírito, que o sol nem mesmo existe. O cenário lembra aqueles filmes que tentam revelar tão somente na imagem uma emoção qualquer do personagem. Como se o aspecto do cenário pudesse resumir o aspecto do homem. Dessa vez o dia não começa com nenhuma onomatopéia emitida por uma parafernália made in China que funciona a pilhas. Sérgio desperta é com o som da chuva se precipitando sobre as telhas francesas, mas ainda conserva os olhos fechados. Ele gosta desse chiado, dessa pequena sinfonia que se produz toda vez que chove, muito embora se irrite com as intermináveis goteiras que surgem em tal ocasião. Lá fora está tudo úmido. A posição dos ponteiros no relógio indica que ainda é bem cedo. A casa alugada onde Sérgio mora é velha, uns setenta anos ou mais, é parte de uma antiga vila operária, de uma época em que havia prosperidade, como costuma dizer Dona Bia, a dona da casa. O passado de todos, estranhamente, é sempre glorioso. Pelo postigo, improvisado de papelão, uma pequena fenda permiti que uma fina e tímida luz, por conta da cor daquele céu, atinja em cheio as pálpebras ainda cerradas de Sérgio. Ele prontamente contorce o rosto e logo depois todo o corpo, está se libertando de vez da sua pequena morte. É a primeira vez em muitos dias que Sérgio acorda bem e isso lhe provoca, de início, uma surpresa, talvez hoje seja um dia especial. E ele vai aproveitar essa atmosfera para colocar as coisas em ordem, muito embora aprecie bastante a desordem. Precisa terminar um poema do qual não consegue sair faz tempo. Hoje, se deus quiser, ainda que seja ateu, ele vai conseguir terminar o texto, alguma coisa vai ser encerrada hoje, é essa a sensação que se apossa de Sérgio, a de que existe um fim e de que ele vai acontecer hoje. Mesmo com esse céu, completamente cinza-escuro. Mas não sem uma xícara de café antes. Na verdade um copo. Sérgio acha besteira essa solenidade de ter de usar xícaras para tomar café, bem como se sentar à mesa, dar bom dia, desejar boa sorte e toda polidez social do gênero. Ele deseja apenas saciar sua sede do conteúdo, portanto não lhe interessa o continente. Pelo quarto algumas peças de roupas estão amarrotadamente confortáveis no chão, Sérgio gosta dessa aparente desordem, é como se aquilo pudesse ser uma pequena alegoria de sua discordância com o mundo, com a pontualidade que as instituições tentam impor aos indivíduos. Ele não pode começar a pensar nisso tudo, senão um imenso buraco se abrirá em suas entranhas, então ele voltará a praguejar, como costuma fazer, a sua própria fortuna, como se fosse autoflagelo, ou algo do tipo. Nesta manhã Sérgio se sente bem, ele ainda sabe como conservar estados emotivos, é preciso conhece-los, vivenciá-los apenas uma vez, depois da experiência fica simples camuflar. Será isso? Será camuflagem, simulação pura essa tranqüilidade que se veste suave em Sérgio, como se fosse o sereno, que umedece aos poucos os cravos do jardim? É curioso que da cabeça de Sérgio não tenham saltado as suas angústias, elas estão todas lá, no seu lugar de direito e posse, mas não fazem tanto barulho hoje, certamente um dia especial, Sérgio tem novamente essa sensação. Pensamento e ato podem tomar rumos distintos em diversas ocasiões, a mente é absorvida por suas abstrações enquanto as mãos e pés dançam por um palco conhecido, executam movimentos programados, a ação em certas circunstâncias parece alheia ao pensamento. Por essa razão, essa estranheza humana, o café já está pronto, servido num copo desses que são usados em bar, tudo mecanicamente, ele já desce quente e doce pela garganta de Sérgio, deixa seu rastro como um pequeno incêndio, um calor leve mas suficiente para provocar uma desagradável sensação de ter queimado todas as cordas vocais, Sérgio faz uma careta iludido de que isso lhe traga algum alívio. Na verdade ele foi displicente ao dar uma golada tão grande em uma bebida fumegante como o café recém saído do fogão. Para completar a pequena tragédia do início do dia, o copo, largado com excessiva força sobre a pia da cozinha, em vista da queda, sofre uma fissura suficiente para fazer trincar o vidro inteiro. Alguns cacos se arremessam ao chão, parecem cheios de uma inconsciente intenção de ferir alguém. Enquanto ainda faz caretas inúteis, Sérgio, distraído do resto de seu corpo, absorvido somente pela queimadura de língua e garganta, pisa em um dos cacos inconscientemente mal intencionados. Agora são duas dores físicas: calor excessivo na boca e sangue quente jorrando da planta dos pés. Lá fora, a mesma chuva que acordou Sérgio continua a cair, então ele, um pouco manco, por causa do corte, abre as duas folhas da janela, se debruça, depois gira o corpo em cento e oitenta graus, fecha os olhos para não se importunar com as gotas, o céu, antes cinza-escuro, fica totalmente negro, ele arreganha a boca e deixa a água da chuva preenche-la, na verdade água da calha, cheia de sedimentos, folhagem, lama e lodo, até mesmo lembranças, uma temperatura é substituída por outra, a boca, a garganta (porque a chuva molhou até mesmo o peito que incendiava ainda com o café), essa parte estranha do corpo já não sente incômodo algum, com exceção dos detritos e lembranças que agora quase sufocam Sérgio, ainda estendido sobre o para-peito da janela. Ele se livra dessa posição e também de todo conteúdo novo, agora velho, e retorna para a atmosfera da casa. Numa cortina velha e surrada Sérgio faz sua higiene pessoal, depois de secar rosto e mãos, observa a sujeira de seu corpo transportada para a cortina, ele gosta dessa desordem, da cortina encardida, das roupas amarrotadas que descansam no chão, sente certo prazer na maneira como vai tecendo o enredo de sua própria vida, uma desordem total, o único pecado de Sérgio é ignorar que até mesmo a indisciplina é uma forma de disciplina. Talvez ele não ignore totalmente, talvez apenas simule essa ignorância, do contrário, todo aquele mundo, toda aquela teia em que estava envolvido, tudo se desmoronaria feito uma placa de gelo derretendo ao sol. Penetrar a cabeça de Sérgio e descobrir se tais fundamentos são válidos é apenas um ilusão, embora a hipótese seja sempre válida. Mas para Sérgio, toda essa filosofia de garagem não interessa neste momento, seu pé sangra quente, não tanto quanto o café que lhe queimara a língua, e na verdade o calor ameno do sangue jorrando nem incomoda, a dor é a madrasta, é a chaga, a ferida aberta no corpo, na planta dos pés. Só agora Sérgio nota que por toda casa, vestígios de seu sangue decoram o assoalho, alguma mudas de roupa, alguns papéis, seis ou sete poemas, um conto não terminado, o primeiro romance, fotografias, um filtro de cigarro, uma calcinha órfã, Fernando Pessoa, quase tudo na casa está tingido de vermelho. Diante dessa circunstância, dentro de Sérgio se abre um vão, ele acaba de estabelecer um pacto de sangue com sua casa, com tudo que há nela, com seus textos, com seu passado em imagens policromáticas, com seu autor preferido, com sua segunda pele, a dor não importa mais, é um elemento acessório, há mais que sangrar, fazer do sangue a urina de um cachorro que deseja demarcar seu território, então Sérgio toma em suas mãos o texto que deseja terminar hoje, é um poema, ele acha, começa a ler em voz alta (ela é branca / preta / ela é todas as cores / do céu / do mar / do sonho / ela é doce / é acre / ela é todos os gostos / do tempo / do vento / de agosto / ela sabe francês / mandarim / javanês / ela é todas as línguas / toda língua / língua / ela é a canção que me toca / ela é a manhã nublada de sábado na cama / é quem diz que me ama / ela é um verso escondido na dor de um poeta / a caligrafia enferma / ela é o perfume que exala das flores / ela é afrodite / deusa dos amores / ela é o abraço apertado da despedida / ela é o restinho que me sobra de vida / ela é minha noite em claro lendo pessoa / ela é o verão que começa chuvoso / ela é a nona / é as doze badaladas da meia-noite / ela é a lágrima que escorre do meu olho / a tinta fresca borrada na tela / a voz rouca de um cantor famoso / o segredo que a criança não conta / ela é o acidente de percurso do meu destino rasurado / é a folha em branco / meu casaco manchado / ela é o sabor de setembro / as águas de março / calor de janeiro / o último cigarro do maço / ela é o caminho perdido / meu abril despedaçado / a página virada de um livro / a palavra sem significado / ela é a angústia cortante dos dias / é meu eterno feriado / ela é o movimento delicado da relva / o ato improvisado de um teatro / o palco / o pano abaixado / cenário revelado / é o desvario dos loucos e alucinados / minha droga / minha heroína / ela é corpo e cansaço). O poema está terminado e o dia mal começou, especial mesmo, agora não falta mais uma palavra, a mancha de sangue é o ponto final do poema, Sérgio constata que todo poema deveria ser encerrado com a mácula do poeta, como se sugerisse nas palavras uma hemorragia da alma de seu autor. Ela é Fabiana, pensa Sérgio, que sente ter retirado de suas costas o peso imenso de terminar aquele texto, algum dia será lido numa ocasião destinada a leitura de versos, vão maldizer sua obra, alfinetar com comentários depreciativos, sempre fazem isso, zombam do outro para que aos olhos de todos, pareçam melhores, sejam eles os amados e idolatrados, o assunto das rodinhas. Sérgio não discorda de seus críticos, ela sabe que escreve mal, ele é um leitor voraz, sabe a diferença entre uma palavra ordinária e uma imagem carregada de sentidos, ele não quer ser fulano ou beltrano, nada disso atrai a atenção de Sérgio, sua única diversão é se fazer daquele rapaz, que se encaminha até a casa de sua namoradinha, e, no meio do trajeto, esbarra numa flor simples, nada demais, a retira de seu canteiro, e retoma o caminho, ao chegar ao seu destino, ele é recebido pela mocinha, que aceita, estupefata, cheia de amor e felicidade, aquela simples flor, que nunca se pretendeu uma orquídea ou coisa do tipo, Sérgio quer apenas que seu texto lhe mostre um caminho que leve a esse amor e a essa felicidade, a simples flor é a palavra ordinária de Sérgio, que nunca se pretendeu Shakespeare ou coisa do tipo. Aquele poema é só da Fabiana e somente sua opinião importa, somente o arfar de seu peito quando decifra cada significado íntimo dos versos, cada piada sem graça transformada num registro pessoal da poesia, somente os olhos brilhantes e ofuscados pela verdade daquele texto que só ela será capaz de desvendar, e guardará para si, em segredo absoluto, e vai sonhar nas noites de sono tranqüilo, e vai pensar em claro nas noites mal dormidas, é Fabiana quem importa. Essa tranqüilidade que se apossa e Sérgio inunda a casa de paz, tudo se encaminha perfeitamente bem, é realmente um dia especial, que vai ficar arquivado sob todos os cuidados na lembrança de Sérgio, o texto, a desordem, a chuva lá fora, o sorriso imaginário de Fabiana. Já o café pelando, o copo quebrado, o corte na planta dos pés, para tudo isso Sérgio vai usar uma borracha especial, vai apagar, editar a manhã, para que ela se aproxime de uma perfeição parnasiana até. Ainda há o dia inteiro pela frente e já tanta coisa agradável aconteceu. Sérgio vai aproveitar o clima para resolver tudo com o Che quando ele aparecer, dizer que não pretende mais levar a frente essa história, que ama a Fabiana e que não acha justo fazê-la sofrer tanto assim, ela não merece a sua infidelidade, vai terminar aquela aventura com Che em nome do amor de Fabiana. Na certa Che vai entender, ele é um espírito livre, seu corpo está cima de tudo, é um hedonista nato, vai aceitar não ter mais Sérgio na conta de seus relacionamentos sexuais, ele tem dormido pouco em casa, e afinal de contas, não foi Sérgio o seu melhor amante, Che morre mesmo é por Jorge, se tortura com seu ciúme doentio, é por causa de Jorge que Che enfia pó no corpo pelo nariz, se embriaga, é por Jorge que Che já tentou suicídio. Apesar de tudo isso Sérgio não tem tanta certeza quanto à aceitação de Che, não tem, precisa tentar assim mesmo, está decidido de que deve se dedicar inteiramente à Fabiana, antes que seja tarde demais. Quando Che voltar, Sérgio vai dizer tudo abertamente na cara dele, vão discutir quem fica com a casa, os assuntos burocráticos, enfim. Sérgio deseja ficar, a desordem, seu orgulho, é mais dele do que do Che, que quase não fica em casa, e agora até rastros do sangue de Sérgio mancham o assoalho. Ele vai preparar tudo, um dia vai receber Fabiana em casa, ajudando com as malas pesadas, despejando-as todas num canto qualquer, Sérgio vai encher Fabiana de beijos de saliva fria, de abraços de afeto quente, vai fazer tudo isso, dar abrigo e segurança àquela mulher, basta aguardar com paciência os minutos, as horas, os dias, se necessário; em resumo, basta aguardar. Então Sérgio se põe a pensar na sua história de vida, na tragédia que marcara sua existência, lembra do dia em que Lucas, seu pai, colocou a mulher e os dois filhos no olho da rua, sua mãe dirigia o carro quase afogada em lágrimas, Sérgio era pequeno e chorava apenas por ver Ana chorando, porque não compreendia bem a dor de sua mãe, amada mãe, ele era incapaz de saber exatamente, mas crescia dentro dele uma raiva aguda do pai, desconfiava muito da traição de seu pai e sentia por ele um ódio mortal. Eva, sua irmã, parecia uma estátua de bronze, pois nunca manifestou qualquer sentimento quanto ao episódio, o silêncio se expressava de maneira absurdamente voraz, engolia tudo a sua volta. Tão logo descobriu o poder que sua boceta tinha sobre os homens, sumiu no mundo, Sérgio nunca mais soube dela. Não demorou muito para que Ana fosse consumida pela depressão até ser internada em clínica psiquiátrica. Então Sérgio encontrou Che, ou melhor, Che encontrou Sérgio, um garoto solitário, vadio, necessitado de uma mão amiga, ou mais que amiga, como foi o caso. Mas isso tem de acabar, Sérgio quer Fabiana e Che vai fazer parte do passado, e Sérgio pode até usar aquela borracha especial se quiser. Não parecem ter sido muito bons os últimos pensamentos que perpassaram a mente de Sérgio. Ele decide então tratar sua ferida aberta, o corte na planta dos pés, já não há mais sangramento, ele chega a desconfiar, por um momento, que seu corpo parou de produzir sangue, a carne está tão viva, a fenda ainda está tão grande que é de se espantar que não sangre mais. Alguma coisa incompreensível para Sérgio está represando o sangue, impedindo-o de vazar por aquela ferida. Isso afinal, não pode provocar pânico em Sérgio, pelo contrário, não há mais necessidade de tratamento algum, a ferida se fechará por efeito espontâneo e natural, é só uma questão de esperar, esperar a cura, esperar Che, alguma coisa vai ser encerrada hoje, é essa a sensação que se apossa de Sérgio, romper o pacto, esperar Fabiana, ela é um verso escondido na dor de um poeta, refazer o laço. Sobre uma das almofadas que há pela casa, uma edição intocada do jornal de ontem descansa sossegada, até então, já que Sérgio decidi evadir-se numa leitura fácil, não está muito disposto para literatura tcheca ou qualquer coisa do tipo, já terminou o texto que queria, o dia transcorre razoavelmente bem e além disso não quer se deixar dominar pelo estado de dúvidas que se anunciava. Por isso vai ler o jornal. Ele se distrai, agora esparramado sobre um velho sofá, com as manchetes escritas em duplo sentido clicherizado e as piadas baratas que com freqüência tomam a maior parte da página. O estado enfrenta uma epidemia que põe a população em pânico, depois de exterminarem os mosquitos, vão precisar de mutirões de psicanalistas para atender aos afetados psicologicamente por essa onda de pânico. Isso, claro, não consta na chamada da matéria, é Sérgio, um pouco vaidoso, quem reflete sobre o problema. Num outro quadrante da página, uma mulher seminua, noutro, o destaque é uma reportagem sobre roubos de automóveis, neste país, rouba-se um a cada três minutos; matéria encomendada por seguradora ou por empresa de rastreamento de veículos. A pessoa lê, entra em pânico de novo, igual ao caso do mosquito, e assina uma apólice ou instala um gps no carro. Isso também é produto da reflexão de Sérgio que, mais vaidoso ainda, se sente acima da maioria das pessoas, por sua capacidade de não se deixar enganar, é isso que ele pensa. O fetiche contemporâneo se constrói sobre o medo. A preguiça do dia tem um certo efeito sobre Sérgio, que afundado ali naquele sofá, tenta encontrar nas palavras de um jornal qualquer o fundamento daquilo que ele julga ser seu dom, ele sim vê além da superfície, pelo menos é assim que pensa, os anos ao lado da literatura, as páginas e páginas de metáforas, de imagens, de contigüidades propositais, até mesmo sua própria ficção, seus poemas, pequenas bolhas de desabafo voando pelo ar até perder densidade e estourar. As mãos de Sérgio fazem um movimento desajeitado, abrindo assim o jornal em duas partes, o pensamento passeia rápido sobre a imagem de Fabiana e Sérgio esboça um pequeno e tímido sorriso. Vai ser hoje, com esse céu cinza-escuro, que confunde dia e noite, engraçado um dia assim tão especial acontecendo em baixo desse céu tão carregado. Os olhos de Sérgio deslizam sobre as palavras, sobre as reportagens, aquele que não tem preocupações na vida deve abrir um jornal, ali existem aos montes, do vigésimo segundo andar de um bairro de luxo alguém saltou para virar patê de cor avermelhada. Não mais dono de si, por um instante, Sérgio experimenta a sensação de despencar vinte e dois andares, o vento rápido demais, o coração rápido demais, tudo rápido demais, a morte tem pressa, o coração quase salta à boca de Sérgio e seus pulmões aceleram a respiração, ele sobrevive à sua experiência da sensação. Sérgio sempre vê além da superfície, ele interpreta aquele mal-estar, aquela pequena encenação da morte, como um sinal, um aviso. Só não sabe ainda de onde vem o sinal, nem o que ele quer dizer, mas está absolutamente convencido de que é um aviso. Ele, no entanto, não pretende se ocupar dessa questão e mostra que é dono de si sim senhor ao voltar sua atenção para o jornal do dia anterior. Na seção das notícias internacionais, Sérgio alivia seus nervos, está tudo acontecendo (se é que está acontecendo mesmo) longe demais, fica mais fácil ser alheio a tal distância, a China e seu comunismo, sem partilha, a Europa e seus castelos, sem reis ou rainhas, os Estados Unidos e seu consumismo, no sense, a África e suas crianças, sem infância, o Oriente Médio e seus homens-bomba, sem medo ou perspectiva. Sérgio gasta longos minutos fazendo pontes-aéreas pelas notícias internacionais, tudo corre bem outra vez, a tranqüilidade é enfim restaurada, o sossego da leitura frente a uma foto de monges sendo espancados soa, aos ouvidos de Sérgio, como uma antítese; essa veia literária que não o abandona, esse dom que ele acredita ter, capaz de enxergar além da superfície, a luta pela independência do Tibet, sob a lente dos jornais, é pura literatura, quase uma epopéia, Dalai Lama, o libertador do espírito e da carne; para Sérgio, o que ocorre do outro lado do mundo (na verdade até na casa do vizinho) não passa de ficção, ele entende como a vida é transformada em páginas que podem ou não ser lidas, cada pessoa codificada em letras e significados. Sérgio chega a pensar que poderia escrever crônicas em jornais, assim conseguiria sustentar Fabiana, comprar-lhe rosas quando voltasse da redação, uma boa garrafa de vinho, uma jóia cara, tudo enfim, mas nessa projeção utópica, Sérgio, que se considera acima dos demais ou aquele que enxerga além da superfície, não percebe que rosas, vinho e jóia são três representações simbólicas de um amor concebido nos estúdios do cinema hollywoodiano. Todos cometem falhas, todos titubeiam, inclusive Sérgio. Além disso, como Sérgio poderia se sentar, numa possível reunião de pauta, ao lado do repórter que ele tanto despreza? O autor, segundo o próprio Sérgio, da ficção cotidiana que aprisiona as pessoas. Até mesmo Sérgio está sujeito às contradições. Fora toda essa reflexão inútil, as páginas do jornal farfalham sob a ação das mãos de Sérgio. Tudo retoma seu caminho, os olhos de Sérgio passeiam vertiginosamente por uma página exclusiva sobre acidentes de trânsito, morre cada vez mais gente no trânsito. Muito estranhamente, Sérgio é invadido por imagens, como se sua mente fosse uma pequena, mas poderosa película, é uma cena que se desenrola meio que saída de algum projetor, ele ainda segura o jornal, seus olhos ainda se afundam nos textos, mas seu semblante revela um ar tenso, são as imagens que se projetam não se sabe de onde, às quais Sérgio assiste não sabe por que, nelas aparece um rapaz viril, jovem - um orgulho para sua raça, diria Woody Allen - no máximo vinte anos de vida, ele está num festa, cercado de muitas pessoas, todos sorriem muito, parecem felizes, absurdamente felizes, seus dentes ficam tanto tempo à mostra ao ponto de se ter a impressão de que já nasceram todos sorrindo, que aquela é a expressão permanente de seus rostos, não se pode compreender uma vírgula de seus assuntos, talvez o motivo de toda aquela felicidade; alguns dos convivas, dentre os quais o rapaz viril, parecem tão extasiados que nem mesmo se sustentam de pé, caem no chão como se tudo aquilo fosse uma brincadeira combinada antes por eles, nessa cena são todos muito belos, rapazes e moças, se pode sentir o frescor de suas intimidades, os poros exalando hormônios, a disposição e o instinto falando mais alto que o bom senso, tudo continua até muito tarde, a cena, as imagens, então a festa acaba, o rapaz viril parte em seu carro turbinado, no trajeto, corta as avenidas como se estivesse pilotando uma nave no espaço, realmente ele está feliz, seu carro faz um zigue-zague desinteressado que exprime essa felicidade, ele parece um trovão no exato momento em que avança um sinal vermelho e sem nem mesmo perceber atinge uma coisa sólida, que muda de estado físico, agora um pouco sólida, um pouco líquido, são pedaços de carne, são poças de sangue, lá na frente, o rapaz viril segue, feliz como antes. Sérgio enfim se desprende dessas imagens, mas continua com os olhos fixos no jornal com a sensação de que há uma proximidade enorme entre aquelas imagens e ele, uma intimidade perversa. Sérgio se levanta com um pouco de dificuldade do sofá, ele não acredita em jornais, é tudo ficção, mas ele está visivelmente abalado, estica os braços o mais alto que pode para se espreguiçar e percebe, ao olhar para o alto, que as telhas francesas estão completamente úmidas, parecem querer chorar. É o que de fato acontece, as goteiras se intensificam, porque lá fora, a chuva já se transformou em tempestade, que desaba impiedosamente. Uma estranha e vertiginosa sensação corre pelo corpo inteiro de Sérgio, que se deixa jogar mais uma vez sobre o sofá velho e adormecer profundamente. O sono lhe vem como uma imensa rocha sobre a cabeça. Dorme por muito tempo, até despertar. Com seus olhos estranhamente arregalados constata que não experimenta mais a mesma tranqüilidade da manhã. O corte ainda arde fininho na planta do pé, o jornal continua aberto, nem tudo nele é alheio à vida de Sérgio, não mesmo, não aquele rapaz viril, não aquela moça, Fabiana, atravessada ao meio, morta. Sérgio fica sem saber o que fazer, demora um pouco até se decidir, na verdade não há mais nada a ser decidido, consulta o relógio e percebe que já não é mais tão cedo assim, algum evento fez os ponteiros se lançarem numa corrida alucinada, está tarde. A maçaneta da porta finalmente tira Sérgio daquele estado de incerteza, ele observa ansioso pela pessoa que está por entrar, alguma ponta de esperança faz Sérgio pensar em Fabiana cruzando aquela porta, mesmo num caixão há sempre quem espere ver o corpo se levantando milagrosamente. Mas não, é o Che, encharcado pela chuva, sorrindo tímido. Sérgio continua parado, olhando Che se aproximar e estender os braços a ele, envolvê-lo cheio de pêsames, dizer que sente muito e que o funeral é hoje. Sérgio se desprende do corpo de Che, caminha para cama e se cobre com um lençol qualquer, ele não quer acreditar, vai dormir e ver se quando acordar será tudo diferente. Não funcionou antes, quem sabe funcione agora. Ele é poeta, talvez componha um verso que amenize a sua dor, mas já é tarde, lá fora e aqui dentro, já é tarde demais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-373173653784844752?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/373173653784844752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=373173653784844752' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/373173653784844752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/373173653784844752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2008/05/bem-h-muito-tempo-no-atualizo-este-blog.html' title=''/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-9192798339286036757</id><published>2008-04-06T13:39:00.002-03:00</published><updated>2008-04-06T13:44:48.069-03:00</updated><title type='text'>Mais um dos contos do novo livro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A flor de lótus&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cheiro das violetas faz acordar o dia em Sérgio. Isso depois de ter atravessado um certo estado de torpor, típico das manhãs, enquanto o sol, no lado de fora, rastejava lento parede acima, até encontrar o vão por onde penetraria a casa. E se não fossem violetas estas flores? Sérgio constata um tanto decepcionado que é um ignorante em floricultura. Nada pior do que reconhecer a própria insignificância logo na primeira hora do dia. Violetas, margaridas, Gardênias, azaléias, os nomes todos para o inferno, que eram todas flores, e o cheiro, das flores, e simplificado dessa forma Sérgio se sente um pouco melhor. Mas a angústia não o abandona tão facilmente, ele não sabe o que fazer de seu dia, porque não tem o que fazer mesmo, não trabalha, não estuda, não rouba, não mata, nada. O que existe talvez seja apenas uma espera daquilo que nem se pode prever. Sérgio encara um ponto remoto no teto do quarto, não há nesse ponto significado algum, ele é apenas um algo remoto mesmo, poderia ser qualquer ponto do teto, nem Sérgio, na verdade, sabe distinguir o ponto para o qual olha, dessa forma parece que o olhar de Sérgio vê no teto todo pintado de azul uma superfície transparente, e através desta um outro mundo, e com este outras verdades, e com estas outras mentiras. O teto todo pintado de azul, por sua vez, se tivesse olhos, veria, de uma posição privilegiada, todo o corpo de Sérgio estendido sobre a cama, a cara, os lençóis, o travesseiro, tudo isso amarrotado, enrugado, com aparência de algo já muito gasto, na mesinha um livro do qual se tem a impressão que nunca foi aberto, os cabelos de Sérgio parecem com os de uma boneca velha e maltratada, as pontas dos fios se enroscam em grossas espirais, algumas são verdadeiros tufos, naquele quarto só o teto é pintado, azul, Sérgio detesta essa cor, lembra muito a Ana, o resto do cômodo é mal conservado, e é incrível como Sérgio, nada preocupado com higiene pessoal, se funde perfeitamente com a atmosfera daquele quarto, deitado ali, pelos olhos do teto azul, - se os tivesse - Sérgio mais parece um objeto de decoração envelhecendo e se desgastando junto com o quarto e a mobília, só o teto, azul, que Sérgio detesta, resiste, seria uma lembrança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... mas como não poderia deixar de ser, o despertador toca e parece que tudo vai começar, o corpo de Sérgio já se  movimenta, desinteressado, pelo quarto, e estranhamente ele toma o fone do gancho, recebe um sinal, como costumam dizer, então Sérgio toca, com vários de seus dedos, indiscriminadamente, oito teclas, uma gravação surge no fone dizendo que não é possível completar a chamada com o número discado e, tão estranho quanto antes, Sérgio repete o processo, outra vez a gravação diz que o número discado não existe, ele olha a mão para se certificar de que ali não estava resquício de número algum, não, não há tinta de caneta borrada que lembre um número qualquer, então Sérgio segue até o banheiro, tentando enxergar no reflexo do espelho algo que não fosse propriamente um reflexo, mas um destaque, em vermelho, escrito a batom, um número para o qual pudesse ligar, seguido de um eu te amo sempre, mas não, nem ali nem nos bolsos, onde agora Sérgio enfia as mãos com ar desesperado na busca de um pequeno pedaço de papel, mas a senha não existe, então Sérgio disca mais uma vez de maneira aleatória, alguém está sendo chamado no outro lado da linha, esta pessoa se vê intimada a atender, ou melhor, condicionada, como um rato de laboratório em sua jaula levando choques para se alimentar, esta pessoa, como um rato, impulsionada por estímulo e resposta, atende ao chamado, Sérgio se irrita levemente com a rouquidão da voz, talvez esperasse um veludo sonoro, a voz que diz alô do outro lado da linha é rouca e masculina, então Sérgio logo pergunta se a pessoa não se espanta, a voz, aparentemente confusa, pergunta quem fala, pergunta do que se trata, Sérgio apenas repete a questão, a voz não se contenta, não se entrega, há aí um duelo estabelecido, Sérgio insiste, a voz não desiste, daqui a pouco talvez trovejarão palavrões, insultos desbaratados em linguagem binária, viajando em velocidade absurda pelos cabos de fibra ótica que ficam nos esgotos da cidade, Sérgio, antes de dizer ao outro o seu nome, pergunta se esta pessoa, esta voz, não se espanta, a voz se cala, o silêncio assim, ao telefone, tem uma angústia peculiar, então Sérgio tenta desferir um golpe de espada com sua verdade, que atravessaria os ouvidos do outro, Sérgio se indigna, pergunta se o outro não se espanta, o outro está inundado de dúvidas, e se for um trote sobre seqüestros?, e se Bia está agora nas mãos de um maluco qualquer?, o outro, que é Jorge, pergunta qual o motivo daquela ligação, se exalta até, depois de superado o susto, Sérgio não compreende o novo rumo da conversa, ele nem revelou ao outro, a Jorge, sua verdade, a espada desembainhada volta à bainha, Sérgio põe o fone no gancho, Jorge não é um nome estranho, não mesmo, ele já ouviu esse nome em alguma ocasião da qual agora não pode nem consegue se lembrar, isso ficaria para depois, e como tudo aquilo que é deixado para depois, talvez nem chegasse a ser algo, pelo menos é assim que Sérgio pensa, gosta de deixar tudo na iminência do não ser, ele faz absolutamente nada, imerge sempre na lentidão do dia, às vezes, com um relógio nas mãos, conta, doentiamente, os segundos avançados pelo ponteiro, que quando cumpre uma volta completa em torno do eixo faz avançar o minuto num ponteiro distinto, mais lento, claro, então depois, bem depois deste último ponteiro girar em torno do mesmo eixo de antes, badala a hora, numa lentidão as horas passam para Sérgio, ele acredita que o eixo sobre o qual giram os ponteiros é a essência do tempo, por isso fica sempre à espreita do relógio, tentando surpreender o tempo, quem sabe segurar com toda força o ponteiro algoz, quem sabe fazê-lo andar em disparada rumo ao futuro, então Sérgio fica ali, observando ponteiros, assistindo a um conjunto de pequenas engrenagens que ditam o ritmo de sua vida, já lhe disseram que era louco por esse aspecto peculiar de sua personalidade, ele respondeu que o ser humano era louco sobre inúmeros aspectos, soltando uma longa gargalhada depois, bem!, assim ele queria lembrar da situação, não foi bem desse jeito, mas enfim, isso não vem ao caso, Sérgio já quer fazer outra ligação, mais cedo quando acordou, teve vontade de escrever, mas lembrou que não sabia nem o início nem o fim, que só sabia o meio da história que ele queria escrever, julgou que assim de nada adiantaria escrever, então agora, seus dedos, que deveriam estar segurando uma caneta apoiada sobre uma folha e deslizando as formas das palavras, seus dedos agora digitam o dia de seu nascimento, talvez numa busca inconsciente do início, e Sérgio recebe enfim um alô feminino, a maneira como o A, aberto e soante, precede a consoante, o jeito como o L escorre pela língua, o modo como o Ô fechado encerra a palavra, Sérgio acha que pela primeira vez na vida está apaixonado, seu coração assumi uma freqüência alucinada de batidas, suas pernas fraquejam, os olhos pestanejam intermitentes, seu corpo todo amolece diante dessa nova situação, ela repete ao telefone a palavra com a qual fisgou Sérgio, que, como um peixe preso pelo anzol, responde em espasmos silenciosos, Sérgio está tomado de uma emoção imensa, não sabe lidar com tanto sentimento, o amor é um espanto constante, mas que precisa de cuidado para perdurar, ela, do outro lado da linha, cumprindo um protocolo universal das ligações telefônicas, ao perceber que ninguém responde, desliga, Sérgio demora um tempo até perceber que ela não está mais na linha, que na verdade nunca esteve, não existe mais alô, a emoção imensa contida em Sérgio precisa de uma válvula de escape, como se fosse uma panela-de-pressão, ele tenta discar mais uma vez, não se lembra do número, o aparelho não possui rediscagem automática e mesmo se tivesse, Sérgio nem saberia como usar, Sérgio nem mesmo sabe o dia em que nasceu, mais uma vez o início foge de Sérgio, de repente ele pensa em como seria sua vida se tudo não passasse de um conto, em como seria sua morte, até que página a trama duraria, Sérgio é um homem que brinca de inventar, a mulher por quem acabara de se apaixonar seria Ana, esse seria o nome que ele daria a ela, uma menina que só toca piano bem em casa, cabelos estendidos sobre as costas em cachos, filha querida de Lucas, com quem Sérgio teria uma relação difícil, Lucas de quê?, não importa, Lucas, o apóstolo talvez, mas não importa, ela teria brigado com a família inteira para ficar com Sérgio, assim ele contaria aos seus amigos num futuro qualquer, da mulher perfeita que já teve um dia, num alô, e que a flor de lótus o fazia lembrar de Ana, isso se Sérgio tivesse algum amigo, porque eles não existiam, e tal verdade desce rasgando como uma epifania pela goela de Sérgio, logo ele que ousou ferir alguém com sua verdade, qual mesmo?, agora está muito difícil, é tudo muito difícil, tanto que aqueles que se superaram estão como heróis na história, de herói Sérgio não tem nada, e  eis que inesperadamente o telefone toca, sem que Sérgio perceba, vem então o segundo toque, igualmente imperceptível, então o terceiro o quarto o quinto o sexto a secretária, Sérgio reconhece a própria voz e se liberta de um estado de torpor que já durava algum tempo, é ele mesmo quem saúda, alguém de lá diz eu sei que você taí e eu sei que você não vai atender mas eu acho sacanagem me dar um bolo desses eu já tô indo embora e não quero que você me procure mais, mas essa voz Sérgio não reconhece, essa voz feminina, será Ana?, meu deus, quem será?, Sérgio não sabe nada, quer repetir a mensagem mas não sabe como mexer na secretária eletrônica, e já neste mesmo momento a campainha anuncia uma visita, Sérgio pega o telefone e disca o número da polícia, atendem, há apenas o ronronar dos carros num engarrafamento qualquer, um burburinho de vozes e passos, a orquestra ditada pelas buzinas dos automóveis, a campainha toca mais uma vez, na verdade duas, seqüencialmente, aparentando irritação, no telefone trêmulo nas mãos de Sérgio, aquele som de ambiente desconhecido permanece o mesmo, só que já se pode distinguir uma música, aliás, somente existe uma música, desconhecida, como o todo de que ela é parte, a campainha toca de novo e socos impacientes acertam a porta, Sérgio se assusta com tudo isso e o telefone lhe cai das mãos, ele se sente indefeso, totalmente desarmado, sua respiração ganha um novo ritmo, difícil, acelerado, ele acredita que está ficando sufocado, o ar lhe falta, enquanto aos socos e pontapés alguém insiste em ser recebido, Sérgio, à beira do delírio, pensa em Ana, vestida de preto, véu sobre o rosto escondendo a tristeza, prostrada à direita de seu caixão, aquele amigos todos para os quais Sérgio inventaria a história de Ana, é um momento tenso para Sérgio, e não se pode exigir tanto senso assim dele, a delicadeza da situação impõe uma lógica que a olho nu é ilógica, mas não, Sérgio não é nada ilógico, é apenas produto da delicadeza da situação a que está submetido, já agora, por sinal, ninguém mais deseja ser recebido à porta, às vezes pode parecer ilógico, mas basta atenção para perceber que não, Sérgio está encolhido num dos cantos da casa, dizem que ele é de câncer, ele fala sonoramente que é de leão, mas ninguém sabe a verdadeira cara do próprio bicho que é, e de repente dos olhos dele brota uma lágrima pequena, bem diferente do sorriso que gostaria de ter estampado no rosto quando amanheceu, ela é tímida mas conserva em si toda a dor que Sérgio pode sentir, a lágrima desce lenta rosto abaixo, deixando no seu rastro uma ferida aberta, trazendo a lembrança triste de que um dia uma borboleta quase entrou na casa, mas preferiu viver ao ar livre, solta no mundo, a lágrima desce lenta tentando se desprender do corpo de seu dono, ela parece desejar o suicídio ao se espatifar no chão e evaporar com o calor ameno da manhã, espantosamente consciente de que seu fim dará também fim à dor, Janaína não vai gostar nada de saber dessa história de falta do que fazer e choro comedido, não vai gostar mesmo, é provável que ridicularize, como ela costuma fazer, esse sentimentalismo todo, dizendo que um homem deve ser forte, que a única coisa com que concorda com seu pai é sobre o ditado que diz homem não chora, então Sérgio não é homem, ou então homem chora sim senhor, Janaína não tem direito nenhum de pensar assim dele, ela, aliás, nem existe, é apenas uma ameaça psicológica que Sérgio criou para si mesmo, as pessoas não são elas mesmas, mas aquilo que o outro pensa delas, talvez se Sérgio procurasse ver Janaína como uma prostituta, subserviente enquanto durar o dinheiro, ou como uma freira, subserviente enquanto durar a fé, ou a hipocrisia, o que dá na mesma, e Sérgio, afinal, quem é?, ele é só mais um homem que não devia mas chora, que ainda está acocorado num canto da casa temeroso das batidas na porta de há pouco e do telefone que já nem toca mias, Sérgio pensa que se olhar a paisagem talvez revigore as forças, ele já leu isso em algum lugar, tem uma mente frágil e é capaz de acreditar piamente em qualquer mentira bem contada, a vida de Sérgio não é nenhuma obra-prima, não, ele nunca foi o rei do baile, não comeu a mais gostosa da turma, nunca foi ele quem apresentou a maconha nas rodinhas de viciados, também não era ele quem fazia as melhores indicações de filmes, nunca lhe foi dado a honra estúpida de ser ouvido por uma platéia, nunca foi o primeiro homem de nenhuma mulher, aliás, nunca teve em sua cama uma mulher que o amasse, talvez por isso vá inventar uma história qualquer sobre Ana, a mulher de sua vida, a flor de lótus, os amigos, por sinal, igualmente invenções, foram todos embora antes que a festa acabasse, deixando para trás toda a sujeira que se desprendeu de seus corpos, e continua tudo ali, na casa de Sérgio, tudo do jeito que eles deixaram, a mente humana é um poço vazio preenchido esporadicamente de falsas esperanças, Sérgio, sabendo disso tudo, sente ainda mais dor, então ele tenta se lembrar da coisa mais linda que já viveu e se confortar com isso, o passado é uma massa como aquelas com as quais as crianças brincam, recebendo a forma desejada, moldando-se e deformando a verdade em nome de um ego ferido ou excitado demais,  e afinal, o tempo é relativo, Sérgio pensa que seria engraçado se Einstein  tivesse acrescentado na sua teoria; até mesmo a teoria da relatividade é relativa; então, finalmente, no riso ele encontra o esquecimento que queria, ele sente o conforto correr, como se fosse uma substância química, em suas veias, agora o que se pode ver na cara de Sérgio é um largo sorriso, como ele queria pela manhã, mais cedo, ele queria, na verdade, já acordar sorrindo, uma coisa muito insana de se pensar, tão insana que não se sustenta por muito tempo, sempre relativo,  já que Sérgio sente escorrer fugaz  essa nesga de felicidade, ele é triste, nem sempre o sorriso expressa alegria, pode significar desespero, encobrir a dor, a vergonha, o medo de que tudo permaneça assim, tudo passando frente aos olhos de Sérgio como se a vida não fosse mais que um filme, e a ele não restasse outro papel que não a de expectador, passivamente inserido na própria história, o curioso é que o medo em Sérgio não decorre de nada palpável, pertencente ao mundo concreto, ele não teme ser assaltado em toda esquina que vira, ou de ser esmagado contra um muro por um carro desgovernado qualquer, ele pouco se importa se a bolsa de Nova Iorque  quebrar outra vez e levar junto para o abismo as cifras irrisórias de sua conta bancária, Sérgio tem medo é desses fantasmas, dessas presenças que o sentido humano é incapaz de perceber, são rumores que surgem de um lugar desconhecido, trazendo toda uma carga negativa que facilmente se abate sobre Sérgio, são socos e pontapés, chamadas telefônicas, sempre algo, desconhecido, tentando invadir, tentando se enfiar nas entranhas, e talvez ficar assim, como Sérgio está, todo encolhido em posição fetal, choramingando, a respiração emitindo um silvo vergonhoso, talvez assim ele não encontre saída e continue ali, preso, com medo desses fantasmas, mas no entanto esta luta está longe de acabar, ela acontece dentro, lá no fundo de algum fundo de Sérgio, bem no fundo, de onde ele agora precisa sair, escalar as paredes do abismo no qual se vê mergulhado, nem que isso lhe custe as unhas, os dedos em carne-viva na tentativa de emergir a algum sol, nem que isso lhe custe mais um trauma, mas ele precisa sair daquele buraco fundo, e pensar em algo é sempre um subterfúgio, rascunhar a manhã seguinte nos sonhos, imaginar-se sentado a uma mesa farta, frutas tropicais, semi-tropicais, sub-tropicais, sorvete no café da manhã, carne, muita carne, delícias mil, e, claro, pão e vinho, Sérgio acompanhado de nada mais nada menos que Ana, que acabou de se levantar da cama e caminha com um frescor matinal de comercial de margarina até a mesa, seus cabelos resistiram intactos à noite de sono, não se pode nem mesmo imaginar o hálito desagradável que exalam todas as bocas recém acordadas, Ana é quase um anjo dentro daquele seu hobby branco, muitíssimo elegante, puro cetim, quase um vestido longo para as manhãs especiais, os passos não emitem qualquer som, ela parece flutuar pelo caminho, desse modo Sérgio tenta mais uma vez agarrar o conforto de que tanto precisava, é melancólico ver um homem se afundar assim nas suas próprias ilusões, está cego para tudo que há a sua volta, para ele, o tudo que há está lá dentro, onde os fantasmas não entram, onde tudo é uma tênue projeção, uma delicada utopia, que se desfaz bruscamente com as batidas na porta, o telefone toca mais uma vez e Sérgio desperta de seu sonho num grito agudo, agora os socos viraram murros, os pontapés, chutes nervosos, o telefone toca  insistente e Sérgio parece experimentar uma espécie de ataque nervoso, seu corpo inteiro se retesa, brilha de um suor frio, mas algo parece que está acontecendo, algo que vai tirá-lo de seu estado, como se um parto estivesse prestes a acontecer, o corpo de Sérgio vai aos poucos perdendo aquela postura de feto, os membros pedem sua rigidez inicial, a ocasião também pode ser comparada a uma borboleta que se liberta do casulo que ela mesma construiu para si, Sérgio é mais uma vez homo erectus, está totalmente de pé, se encaminha até a porta, as batidas continuam, só o telefone parece ter cansado e se calou, as mãos de Sérgio giram as chaves o número de voltas necessárias para que aquela fortaleza se abra ao mundo, parada, diante dele, mais um fantasma, Eva, que entra sem pronunciar uma palavra, se encaminha até o quarto, abre o armário, retira uma grande mala e começa a despejar peças de roupa, primeiro as íntimas, dentro, Sérgio está recostado no umbral, observando aquela mulher apagar daquele recinto todas as suas marcas, uma a uma, Eva, atormentada com a situação, não consegue conter suas lágrimas, nem suas palavras, chama Sérgio de filha da puta, roga duas ou três pragas, interrompe o trabalho para secar o rosto e retoma sua labuta, Sérgio é preenchido de um sentimento egoísta estranho, ele se sente bem ao ver Eva chorando, soluçando, ela também lamenta sua vida, ela também lamenta ter conhecido Sérgio, ela disse, todos tentam se esconder ou se livrar de seus fantasmas, não é apenas Sérgio que precisa escalar, nem que isso custe as unhas dos dedos, um abismo, e agora Eva já não está mais no quarto, ela está na sala, diante da estante de lembranças afetivas, esse é um outro momento delicado, olhar aquele passado entalhado em sorrisos, aquelas fotos enfileiradas em ordem cronológica, que estúpida essa esperança de tentar parar o tempo, aqueles sorrisos que agora só trazem dor, jamais eles acontecerão de novo, foram aprisionados em papel especial, como que condenados a uma maldição, a falsa promessa de eternizar o momento, de estabilizar a felicidade como se fosse uma fórmula manipulada em laboratório, os sorrisos alvos escurecem, há uma cárie especial para os sorrisos das fotografias, quanto mais Eva olha para aquelas poses, mais sente arrependimento por tudo, nem mesmo consegue se lembrar do porque sorrira tanto assim um dia, o que mais dói é ver que no fundo, o sorriso de Fabiana e de Che, seus filhos, suas crias, a razão de seios grandes e flácidos, dói ver que as crianças aparentemente alegres escondem toda tristeza do mundo, Eva se desespera com essa infelicidade toda que está sentindo, é por isso que eles estão ali, um diante do outro, o riso e o pranto, ao mesmo tempo, na mesma Eva, Sérgio parece captar toda essa emoção, seu espírito egoísta se acentua, tem um prazer diabólico em ver Eva naquelas condições, ele sabe que ela nunca o amou, ela sabe que ele sabe disso, Sérgio se sente como a serpente que seduziu e destruiu a mulher e o paraíso, Eva está sendo expulsa pela segunda vez na sua vida do jardim do éden, a casa e tudo mais pertencerá somente a Sérgio, ele vai prepará-la para a chegada de Ana, uma bonita flor de lótus sobre a mesa de centro da sala, a esta altura Eva já está na rua dando partida em seu carro, ligando o limpador de pára-brisas achando que a lágrima é chuva, Sérgio nem mesmo percebe que está sozinho mais uma vez, está afundado numa alucinação, pensa na hora em que Ana vai cruzar aquela porta e, sem desviar um só átimo de segundo o olhar, repetir com sua voz lânguida o alô de mais cedo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-9192798339286036757?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/9192798339286036757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=9192798339286036757' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/9192798339286036757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/9192798339286036757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2008/04/mais-um-dos-contos-do-novo-livro.html' title='Mais um dos contos do novo livro'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-8423988790572042487</id><published>2008-04-01T18:30:00.002-03:00</published><updated>2008-04-01T18:58:45.646-03:00</updated><title type='text'>Sobre o último comentário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estou aqui, numa dessas lan houses, saído da leitura do último comentário. Responder ao que foi exposto, nesse exato instante, pode representar um risco, uma vez que a carga passional pode se acentuar demais nas palavras. No entanto, pouco me importam os riscos, afinal de contas, a minha arrogância (adorei, porque nunca me chamaram de arrogante, já me xingaram de filha da puta até, mas arrogante, nunca... achei bastante solene e formal) não deve permitir a mim um recuo sequer. Não sei dar respostas precisas sobre o que Sérgio vai parecer a cada leitor. Nem tampouco tenho em mim tal curiosidade, nao sofro de egocentrismo a ponto de querer canalizar todas as impressões de cada um dos leitores. Considero legítimo dizer que o personagem é assim ou assado, ou cozido, sei lá. A antítese bobo alegre é intrigante, já que desse estado de espírito (vamos combinar) todos nós fazemos uso numa ou noutra ocasião. Sérgio não perdeu disciplina alguma, ninguém pode se dar a esse duxo, meus caros e inocentes leitores, até mesmo a indisciplina é uma maneira de estar disciplinado. Não há mais espaços, no mundo de hoje, para romantismos, aquele que elege o outro um vagabundo, o faz do alto de sua hipocrisia, porque no seu íntimo, quando recosta a cabeça sobre o travesseiro, ele sabe lá no seu íntimo que nada, ou muito pouco, para ser menos radical, o diferencia do mesmo vagabundo que qualificou. Quanto a escrever mal ou bem, eu prefiro ficar no intermédio, não sou um bom ou um mal escritor, aliás, nem sou escritor, sou penas um cara que escreve (e assina embaixo). Não quero que pensem de mim que sou um bom escritor, essa glória estúpida não me diz nada. Há quem diga que Paulo Coelho e os tratados sociológicos de FHC são ótimos, mas eu prefio Kundera, Pessoa, Dostoievski (será que Raskolnikov era também um vagabundo?), tem quem prefira ciência política, ou a pesquisa da célula tronco, eu, Rubem Fonseca, Caio, Fante e por aí vai. Eu já me libertei da minha própria escravidão, já cortei de vez o cordão umbilical, mas mesmo assim continuo preso, não tenho problema em aceitar isso, talvez eu seja mesmo um péssimo escritor, como quer o crítico anônimo, talvez me aconteça de ser iluminado pela sagrada inspiração, talvez me coloquem em livros, jornais e revistas e tudo que eu disser será usado depois contra mim no tribunal, de tudo que foi dito, só posso aceitar quando dizem que me contradigo, que ora digo uma coisa ora digo outra coisa, nisso tenho de concordar, porque o homem, metonimicamente falando, é a expressão máxima da contradição e que contamina tudo que lhe diz respeito, inclusive os seus textos (faço-me claro?). Além disso, me felicita comunicar que achar mais um sérgio foi realmente um ganho inesperado, já posso até imaginar, o capítulo que sérgio não vai dormir, vai, às três da manhã, sob a máscara do anônimo, tentar aterrorizar, em vão, a vida de um jovem que apenas deseja dividir com os outros a sua ficção...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;até breve&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-8423988790572042487?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/8423988790572042487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=8423988790572042487' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/8423988790572042487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/8423988790572042487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2008/04/sobre-o-ltimo-comentrio.html' title='Sobre o último comentário'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-5542300845565552203</id><published>2008-03-21T14:19:00.004-03:00</published><updated>2008-03-21T14:40:13.143-03:00</updated><title type='text'>As peças fora do lugar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;((estou organizando meu terceiro livro (na verade tenho outros em andamento) e aproveito para deixar um dos quatro contos já finalizados; a princípio, terá como nome As múltipla faces da folha, que fala de esquizofrenia e loucura, o que só é perceptível na leitura integral dos textos, mas isoladamente é possível enxergar algum traço de loucura; aos poucos vou publicando os textos aqui; a quem ler, um bom texto))&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;São dez da manhã&lt;/strong&gt; e o despertador toca. Vai começar tudo de novo. Sérgio leva mais alguns minutos antes de começar. Se contarmos esse tempo como perdidos, poderíamos dizer que nada começou. Cada um acha uma coisa. Para Sérgio não importa muito. Poucos são aqueles que pensam nisso no momento do ato. Os movimentos são quase mecânicos. Sérgio segue sua rotina. Nunca toma café da manhã. Talvez porque acorde tarde. Cumprimenta Bia, já de avental na cozinha, e ao mesmo tempo se despede dela com gestos. Não raro as rotinas de algumas pessoas se coincidem. Horários, hábitos, vícios, corpos. No elevador ele encontra Eva. Disfarça com certa perspicácia. Ela ausente a ele. Não estão sozinhos, mas para ele é como se fosse. E assim acaba sendo. Ou não. Deixemos isso por conta. Acontece todos os dias quando, exceto fim de semana, claro, ele quase se engasga com a própria saliva quando encontra Eva. Sempre ali, no elevador, na ida e na volta. Térreo. Segue a trama e Sérgio também. Sabe dirigir mas não gosta de assumir volante. Prefere transporte coletivo, olhar os contornos do trajeto, sentir cheiro único das ruas por onde passa, saber chegar, quando for a ocasião, ao ponto de referência de um encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sérgio é um cara simples, de poucos, mas bons amigos. Clichês à parte. Estudante de biblioteconomia, estagia na nacional daquele país – qual mesmo? – e ainda é cinéfilo. Assiste muito pouco às aulas. Vive junto dos livros e dos filmes. Já leu e viu muita coisa. Nem cabe citar. No Cine Plaza Clássicos se educou em cinema. Tentou até se transferir para o curso mas desistiu. Sérgio desce do ônibus e caminha até a universidade. Na entrada panfletos e adesivos. São as eleições para a reitoria. Não há debates. Apenas bocas e sorrisos com meia dúzia de palavras decoradas às pressas. Hoje, a arte política não consiste em gerir a pólis (essa se gera por si mesma, segundo a lógica de seu mecanismo obscuro e incontrolável), mas em inventar pequenas frases pelas quais o homem político será visto e compreendido, votado nas sondagens, eleito e não eleito. Essas palavras vieram de um livro. Sérgio não se lembra de qual. Ademais a aula já começou. Para Sérgio, claro, ainda não. Ele entra, pedindo licença, fingindo educação, debochado, ao mesmo tempo sorri, senta num canto, liberta o pensamento, transcorrem minutos, responde presente, então ele parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fabiana já o espera. Vão juntos ao bosque do campus. Não são muito comunicativos. Introspectivos, talvez. Fumam mudos. Também mexem muito pouco seus membros, quase um quadro, se visto de um determinado ângulo. Na verdade são um plano longo. São talvez quase palavras. Mas são apenas eles. Sérgio e Fabiana. Fumam mudos, mas juntos. Terminam. Ele saca da bolsa um livro sobre teoria da documentação. Folheia algumas páginas. Percebe então a besteira que ia fazer e abandona o texto. Toma outro nas mãos. Sempre carrega muitos. Agora é Teatro, Bernardo Carvalho. Lê tranqüilo, nenhuma expressão no rosto. Parece dentro da leitura. Seu corpo, inerte, é apenas um indício de que seu espírito está dentro de outra realidade, talvez cruzando uma fronteira com os pais, talvez sendo um polícia qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fabiana enfim fala. Enfim alguém fala. Mas ela fala o necessário. Eles vão até a biblioteca. Sérgio lê as notícias no jornal como costuma fazer enquanto Fabiana passeia livre pelas prateleiras de escritores latinos. Jornal: governo em crise, time do coração derrotado, bolsa em baixa, estréia no municipal, best seller internacional, conflitos étnicos et cetera e tal. Prateleiras: histórias de amor, maldição eterna a quem ler estas páginas, ninguém nada nunca, ninguém escreve ao coronel, morangos mofados, eles eram muitos cavalos, tanta coisa, até crime e castigo no lugar errado. A impressão é que Fabiana quase desliza pelo assoalho da biblioteca. Sérgio segue alheio a isso penetrado nos fatos que aparentemente marcam o dia. Só aparentemente mesmo. Cada um tem o seu dia marcado de um jeito bastante particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fabiana fala outra vez, mas pouco, como antes. Eles saem da biblioteca para certamente entrarem em algum outro lugar. A vida é um entra-e-sai constante. É hora do almoço que, como dito, uma hora entra e depois sai; eles comem calados, de bocas fechadas, fingindo educação. Na cabeça de Sérgio uma cena repete: No elevador ele encontra Eva. Disfarça com certa perspicácia. Ela está ausente a ele. A cena pára nesse ponto. Sérgio não se lembra da parte em que ocorre seu pseudo-otimismo, quando se vê só, mas junto dela, Eva. Fabiana encerra a refeição. Então Sérgio desperta do seu devaneio. Vão mais uma vez para o bosque, depois de terem tomado um café ralo de cortesia, e acendem mais um para fumarem. É o digestivo nosso de cada almoço. A despedida acontece. Fabiana fica frustrada mais um dia. Como tem sido em todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sérgio continua sua rotina um pouco atormentado pelas imagens de Eva. Sempre ali, no elevador, na ida e na volta. Mas agora, na biblioteca, no seu estágio, não. Cada elevador é uma lembrança talvez dolorosa, ele geme por dentro, chega o andar da nacional. Janaína é a primeira silhueta branca no meio a escuridão anterior. Olá! Olá! Enfim mais alguém fala. Mas pouco. A folha de ponto ganha um rabisco que nem de perto lembra o nome Sérgio. Seu cotidiano até parece dividido em parágrafos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No escritório de Janaína alguns assuntos eruditos demais para serem descritos, outros não, se desenrolam. Os dois repartem as rosquinhas e tomam café, agora não ralos, porque possíveis com o dinheiro público. Para Sérgio não importa muito. Poucos são aqueles que pensam nisso no momento do ato. E por enquanto a espera é inevitável. Todos os dias faz como se fosse um aparelho programado. Tempo do papo, tempo do balcão, dar um jeitinho nos livros, ler algo que ainda não está terminado – e que nunca estará realmente –, jogar conversa fora com Che, como é conhecido o zelador em vista de uma tal semelhança física tão somente, admirar a vista privilegiada do prédio, despedir-se de todos, que são pouquíssimos, e partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hora do rush. As ruas são uma massa que se modifica a cada instante. As pessoas parecem cardumes descrevendo, no meio da pressa, formas estranhas, que se vistas de cima, como os peixes, são até bonitas. É difícil identificar Sérgio no meio dessa multidão. Nessas ocasiões, ninguém é apenas um só, é parte de um todo, em conflito, verdade, mas um todo, sem dúvida. Aquele que não tem rumo deve seguir a multidão, há sempre um lugar aonde ir. Para Sérgio o séqüito tem suas companhias. Não raro as rotinas de algumas pessoas se coincidem. Horários, hábitos, vícios, corpos. No ônibus, faz anotações avulsas num bloquinho de papel, descreve Ana, esse nome ele deu para ela, a menina, quinze anos talvez, com quem encontra todos os dias, seios grandes, um dentinho um pouco trepado, charmoso, roupas estilo udigrude, três brincos em cada orelha, fones de ouvido tocando alguma música. Mas Sérgio apenas anota impressões e desce, sem terminar a descrição da menina, três pontos antes, para se sentar em uma mesa ao lado de Jorge, que já terminou a primeira cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do aperto de mãos e de um abraço meio convencional, os dois dividem a segunda cerveja e ali vão ficar, quase mudos, de tão introspectivos que são, até a quinta ou sexta garrafa, olhando os corpos conhecidos que por ali passam todos os dias, exceto fim de semana, claro. Sérgio nem tem tanta intimidade assim com Sérgio, tem apenas o time de coração em comum. Ele somente aguarda um instante capital de sua ida e volta diária, mas Jorge não precisa saber disso, que é apenas um passatempo, que entre um caça-palavras e ele não existe diferença para Sérgio. A cada momento uma diva, uma musa, uma mulher gostosa, como prefere a maioria, passa em frente ao bar com calça e blusa apertadas e curtas, valorizando curvas e fendas. Não só Sérgio e Jorge, mas sim todos os machos da espécie interrompem suas falas, suas caras e dão lugar a suas taras mais secretas, que por serem assim, não há como revelá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali já está acabado, pela primeira vez no dia, Sérgio rouba as horas com os olhos no relógio de outra pessoa, é quase o instante da partida, nem vai ter uma saideira que Sérgio está de saída antes da chegada da última cerveja. Alguns diriam ser isso uma falha de etiqueta, mas para Sérgio não e ele nem se importa muito se é ou não. Dali até o elevador, mais alguns minutos passados da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na entrada do prédio, Sérgio é questionado sobre a razão de sua visita. Porteiro novo? Então Sérgio explica que é morador. O novo empregado se desculpa e Sérgio nem responde, acelera o passo, pode ter perdido a hora, mas não, o contador de horas do hall indica que ele está adiantado. Bunda e cadeira se encontram. Para Sérgio não é problema esperar, é só o que tem feito a vida toda, esperar alguma coisa, alguma pessoa, esperar o ônibus, a estréia do novo filme de um cineasta badalado, o novo título literário de um escritor marginal, esperar que a espera acabe. O curioso é que Sérgio não tem fantasias, apenas um bloquinho de papel onde talvez anote, sem que ninguém perceba, seus sonhos e suas utopias, mas sobre isso não se pode ter certeza, aliás sobre nada. A hora de agora já não é a mesma de antes, nunca é, talvez só os algarismos se repitam, mas o tempo não é um, dois ou três números, o tempo é gozo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não vem mais e Sérgio constata, abismado, que sua rotina foi quebrada, as peças fora do lugar, estão perdidas sem que se possa encontrá-las, não há um desfecho que Sérgio esperava, Eva não aparece, não sobe o elevador junto dele, na verdade ninguém sobe, só ele, que chega a pensar em morte, porque está só num lugar onde todos os dias se vê acompanhado, de Eva, dos outros, o andar chega e mais alguns passos à frente, a porta, os olhos de Sérgio brilham além do normal, ele não encontra as chaves, escorre pela parede feito tinta fresca, se senta no chão tentando encontrar o erro daquele dia, não consegue, mas as chaves tilintam em seu bolso, ele nunca as carrega lá, mas hoje sim, ele as levou nele, três voltas na primeira tranca, quatro na segunda, aquele apartamento é uma fortaleza, ele entra, há um silêncio não habitual, Sérgio estranha, percorre os cômodos, não encontra ninguém, apenas Lucas, já deitado e roncando alto, Sérgio vai até a cozinha e constata que não apenas Eva, não apenas as chaves, outra coisa fugiu de seu controle, Bia não deixou seu jantar nas panelas, elas estão limpas e escorrendo o pouco que lhes sobra de água, Sérgio sente uma tontura, deve ser isso, essa sensação de mal-estar, deve ser isso, a ele não resta mais nada, então ele vai até seu quarto, nem tira a roupa, se esparrama na cama e adormece, sem perceber que dos cinco religiosos banhos que costuma tomar por dia, hoje, nem mesmo um. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-5542300845565552203?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/5542300845565552203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=5542300845565552203' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/5542300845565552203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/5542300845565552203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2008/03/as-peas-fora-do-lugar.html' title='As peças fora do lugar'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-626216331426360254</id><published>2007-12-30T15:57:00.000-02:00</published><updated>2007-12-30T16:25:34.363-02:00</updated><title type='text'>Quase um filme, quase um conto, quase nada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;este conto é parte de uma seleta de 18 contos, reunidos sob o título de &lt;strong&gt;O Autor e sua dor e outros contos; &lt;/strong&gt;alguns outros contos já aqui publicados são parte do livro (?) e os restantes inéditos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;___&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, vamos fazer um filme?&lt;br /&gt;Vamos, claro.&lt;br /&gt;Ta bom! A gente precisa definir algumas coisas.&lt;br /&gt;É? Que coisas?&lt;br /&gt;Ah! Sei lá, um monte delas.&lt;br /&gt;Tipo o quê?&lt;br /&gt;Ah! Estilo, esse é um ponto, o estilo.&lt;br /&gt;Como assim definir um estilo?&lt;br /&gt;Ora! Que linha a gente vai seguir.&lt;br /&gt;Estilo?&lt;br /&gt;É!&lt;br /&gt;A gente vai fazer um filme ou a gente vai fazer um estilo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;A gente precisa terminar.&lt;br /&gt;O que você disse?&lt;br /&gt;Eu vim aqui com a idéia fixa de terminar.&lt;br /&gt;Pois é! Já desconfiava. Você não tem me dado atenção, não tem dedicado seu afeto...&lt;br /&gt;Não é isso...&lt;br /&gt;Você não tem sido você!&lt;br /&gt;Não é isso!&lt;br /&gt;O que é então?&lt;br /&gt;A gente só tem que terminar.&lt;br /&gt;Olha, a gente tá junto há dez meses, eu sei que você não acredita nisso, mas eu sei, eu sei, eu quero ficar pra sempre contigo, e isso é possível.&lt;br /&gt;Eu não sei, não é isso.&lt;br /&gt;(Ela: silêncio doído)&lt;br /&gt;Vem aqui!&lt;br /&gt;Você pode ir!&lt;br /&gt;Não, eu não vou mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;A gente vai fazer um filme, mas a gente precisa de um estilo.&lt;br /&gt;Quem disse isso?&lt;br /&gt;Eu disse.&lt;br /&gt;Você?&lt;br /&gt;É!&lt;br /&gt;Você sozinho?&lt;br /&gt;Porra!? E mais quem seria?&lt;br /&gt;Sei lá, você quer um estilo.&lt;br /&gt;E que isso tem a ver.&lt;br /&gt;Nada, nada, esquece. Vai, fala do estilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Inúmeras pessoas. Se isso aqui fosse um filme, você poderia ver aquele monte de gente, com seus copos nas mãos, seus cigarros ardendo e desenhando rastros avermelhados na penumbra da noite. Mas dessas tantas, se isso aqui fosse um filme, a câmera daria um close Nele, afoito, mas excitado, um corte, outro close, agora Noutra, soturna Noutra, senhora. Esse casal de anônimos dançando uma valsa perigosa. Porém isso aqui não é um filme, e a música ambiente é outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Eu não sei, a gente podia discutir planos, que é uma questão de estilo.&lt;br /&gt;Planos ou estilo?&lt;br /&gt;Plano, quer dizer, estilo, porra, os dois.&lt;br /&gt;A gente nem discutiu o primeiro ponto e já pulou logo pro segundo, gostei disso.&lt;br /&gt;Disso o quê?&lt;br /&gt;Do seu estilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Você não sente falta?&lt;br /&gt;De quê?&lt;br /&gt;Não tem necessidade?&lt;br /&gt;De quê?&lt;br /&gt;Desejo.&lt;br /&gt;O que você acha?&lt;br /&gt;Eu quero saber se você sente tanto quanto eu.&lt;br /&gt;Isso é impossível.&lt;br /&gt;Por quê?&lt;br /&gt;Porque somos pessoas diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;A gente pega o casal de cima.&lt;br /&gt;De cima?&lt;br /&gt;É! De cima, enquadra a cama e o casal, ele de barriga pra cima, os braços sustentando a cabeça, servindo de travesseiro.&lt;br /&gt;Legal!&lt;br /&gt;Você concordou?&lt;br /&gt;Não!&lt;br /&gt;Então o quê?&lt;br /&gt;Eu só achei legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Um pedaço de gente se foi pelo ralo. A privada foi seu túmulo. Um enterro de merda. Aquele excremento orgânico seria agora adubo. Ou talvez alimento de ratos no esgoto. Os ratos se fartando de um derrame humano. Quem sabe ele tentasse a ressurreição numa noite de dilúvio. Porém o mais provável é que estivesse vivo na consciência de Alguns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Ela pode ficar logo à frente dele, perninhas de índio, tensa, não vamos mostrar o rosto dela.&lt;br /&gt;Por quê?&lt;br /&gt;Não sei, a gente pode criar um suspense.&lt;br /&gt;Suspense de quê?&lt;br /&gt;Suspense, porra, suspense.&lt;br /&gt;Tá bom então.&lt;br /&gt;Ta bom o quê?&lt;br /&gt;Nada, deixa pra lá.&lt;br /&gt;Fala!&lt;br /&gt;Deixa pra lá.&lt;br /&gt;Fala logo, porra!&lt;br /&gt;Ta bom, eu falo, não é nada demais, é só que você não tinha me dito no começo que ia ser um filme de suspense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Quando foi?&lt;br /&gt;Ontem à noite.&lt;br /&gt;Você gostou?&lt;br /&gt;Devo ter gostado.&lt;br /&gt;Devo ter gostado!? Que isso de devo ter gostado?&lt;br /&gt;Isso é uma dúvida, satisfeita?&lt;br /&gt;Sei, uma dúvida. Sei bem disso.&lt;br /&gt;Sabe mesmo?&lt;br /&gt;Sei sim.&lt;br /&gt;O que você sabe?&lt;br /&gt;Sei que você não me quer mais, que ontem você tava trocando carinhos com outra, me emprestando pra outros corpos sem minha autorização, sei de muito mais.&lt;br /&gt;Você não sabe de nada!&lt;br /&gt;Quem é você pra me dizer daquilo que sei ou não?&lt;br /&gt;Sou o outro, uma posição muito mais cômoda e privilegiada.&lt;br /&gt;O que você quer dizer com isso?&lt;br /&gt;Você não sabe, não sabe mesmo, você duvida disso tudo, porque se não duvidasse, se realmente soubesse, não retardaria tanto a minha partida, e não estenderia tanto assim a sua dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;O que você acha dos planos, de verdade?&lt;br /&gt;Acho interessantes.&lt;br /&gt;Gostou dos meus?&lt;br /&gt;Legais.&lt;br /&gt;Mas gostou?&lt;br /&gt;São legais.&lt;br /&gt;Porra! Isso me irrita.&lt;br /&gt;Você não gosta?&lt;br /&gt;Detesto.&lt;br /&gt;Não devia, sei lá, não devia, são suas próprias idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Um baile da terceira idade se encarrega de lembrar o destino de cada um. Mas é mentira. Alguns não conseguem atingir a idade senil. Será que Noutra pensa nisso? Não, é senhora, soturna, está embriagada demais e ocupada com os mundos do inconsciente. Jamais pensaria nisso. Que em algum lugar, um membro dela amputado por ela mesma, estaria vagando já na noite eterna. Dentro da noite veloz do esgoto. Goela adentro mais um gole de vodka e vamos pra frente que pra trás ficou gente. Ou quase isso. Ou talvez muito longe disso. Mas Noutra não pensa nisso. Será que seria esse o nome dele? Nisso? Talvez Nissa, se fosse menina. Noutra não pensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Tem um filme que tem uns planos interessantes.&lt;br /&gt;Nossa, até que enfim!&lt;br /&gt;Até que enfim o quê?&lt;br /&gt;Uma proposta sua.&lt;br /&gt;Ah! Não é bem isso.&lt;br /&gt;O que é então?&lt;br /&gt;É o filme, ora!&lt;br /&gt;Que filme, o nosso?&lt;br /&gt;Não, o que eu falei, dos planos interessantes.&lt;br /&gt;Qual é esse?&lt;br /&gt;Boca.&lt;br /&gt;Boca? Com dois cês?&lt;br /&gt;Não, cara, um só, de onde você tirou isso?&lt;br /&gt;De lugar nenhum. Me fala do filme, de quem é?&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos.&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos...? Sei, sei, aquele de A volta dos que não foram.&lt;br /&gt;Esse mesmo.&lt;br /&gt;Que tem os planos?&lt;br /&gt;São interessantes, já disse.&lt;br /&gt;Sim, mas me fala deles.&lt;br /&gt;Falar?&lt;br /&gt;É, porra me fala deles?&lt;br /&gt;Não seria melhor você assistir em vez de eu te falar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Acho que já sei qual foi meu erro.&lt;br /&gt;Acha mesmo?&lt;br /&gt;Acho, acho sim, e me arrependo profundamente disso.&lt;br /&gt;Deve ser doloroso.&lt;br /&gt;O quê? Errar?&lt;br /&gt;Não, se arrepender.&lt;br /&gt;O arrependimento é uma ferida cicatrizada.&lt;br /&gt;Pode ser, e a cicatriz tá sempre à vista.&lt;br /&gt;Acho que sei o motivo da minha.&lt;br /&gt;Você já falou.&lt;br /&gt;Foi toda essa luz que eu te dei.&lt;br /&gt;Que luz?&lt;br /&gt;Não se faz de desentendido.&lt;br /&gt;Então será que você se incomoda se eu desligar o interruptor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;A gente tem que pensar na música também. É fundamental.&lt;br /&gt;A música é o fundamento do filme?&lt;br /&gt;Não, porra!&lt;br /&gt;Mas você acabou de dizer isso.&lt;br /&gt;Eu disse outra coisa.&lt;br /&gt;O que foi então?&lt;br /&gt;Que a música é fundamental e não que é o fundamento do filme.&lt;br /&gt;Ah sim! Foi mal!&lt;br /&gt;Beleza.&lt;br /&gt;Foi mal mesmo, é que por um momento eu pensei que você já tivesse mudado de idéia outra vez sobre o filme.&lt;br /&gt;Eu não. O que você pensou?&lt;br /&gt;Você queria um romance, depois passou pro suspense e agora eu achei que você tinha decidido por um musical, tipo Broadway, sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;A morte é uma matéria da literatura, não da vida. Num cartaz qualquer estampa-se o apodrecido. Precedido de uma negativa. A-Nisso. Retinas vivas dilatam-se ante a cruel constatação. Arde no peito um punhal incandescente atravessado no músculo cardíaco. Nele sorri, como sempre faz. Noutra admira, ou está admirada, ou então mira. Qualquer paisagem é um reflexo de outra coisa qualquer. Faces vivas encarando a morte. A-Nisso. Poderia ser: há Nisso no mundo. Mas não. Só um cartaz estampado com o passado de algumas pessoas. Se isso aqui fosse um filme, talvez a câmera servisse de olhos a você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Mudando de assunto, como é que vai aquela situação?&lt;br /&gt;Qual delas?&lt;br /&gt;Aquela, com a menina.&lt;br /&gt;Acabou, eu acho.&lt;br /&gt;Acabou?&lt;br /&gt;É, foi o fim, sei lá, como é que a gente chama isso no cinema?&lt;br /&gt;De muitas formas.&lt;br /&gt;Então escolhe uma.&lt;br /&gt;Vou fazer isso.&lt;br /&gt;Ah, aproveitando a mudança de assunto, a sua história vai mal ainda?&lt;br /&gt;Vai sim, mas às vezes penso que já foi.&lt;br /&gt;Como assim?&lt;br /&gt;Bem, já se foi.&lt;br /&gt;Sei.&lt;br /&gt;Será que volta?&lt;br /&gt;Quem vai saber!?&lt;br /&gt;Difícil mesmo.&lt;br /&gt;A gente não precisa pensar nisso.&lt;br /&gt;Mas tem como não pensar?&lt;br /&gt;Não, você tem razão, por que a gente não vai embora?&lt;br /&gt;Pode ser, paga a conta que eu to duro.&lt;br /&gt;Porra, eu também.&lt;br /&gt;Fodeu!&lt;br /&gt;Que nada, a gente pendura. Silvinho é gente boa.&lt;br /&gt;Sei, mas não to falando disso.&lt;br /&gt;De quê então?&lt;br /&gt;Eu tô pensando em como a gente vai fazer um filme se não tem nem o da conta do bar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-626216331426360254?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/626216331426360254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=626216331426360254' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/626216331426360254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/626216331426360254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2007/12/quase-um-filme-quase-um-conto-quase.html' title='Quase um filme, quase um conto, quase nada'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-3702873223898832474</id><published>2007-09-15T18:52:00.000-03:00</published><updated>2007-09-15T19:10:51.029-03:00</updated><title type='text'>Carta para um amor antigo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ler seu texto foi tão complicado – mas não no sentido de algo entediante ou frustrante – quanto a minha tentativa de ler você. E a dificuldade – vou me apropriar de um jogo de palavras seu – é exatamente tentar ler em você alguma palavra nova de mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não considerei seu texto-você contraditório, mas sim denso e complexo, cheio de caminhos pelos quais o leitor se vê na dúvida de seguir. Só sabe que deve seguir algum. E talvez a escolha seja perigosa demais, e por isso a mais sedutora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a única certeza que o leitor desse texto-você pode ter – onde reside o real prazer da leitura – é que o retorno é impossível; querer o repetido ou o antigo não cabe em nenhum desses caminhos. Não sei se me faço claro, porque esta não é minha melhor virtude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como li no texto que é você, e que fala um pouco do que sou eu, me questionei: minha inconstância (porém não inconsistente – adorei a imagem!) está em quem? Será que sou tão desligado assim das outras pessoas? Não existe fundamento nas minhas características que sejam construídas no outro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São muitas dúvidas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria poder simplificar os questionamentos, mas meus anos de vida ainda não me deram essa habilidade. Se é que eles me darão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez as pessoas pequem ao se deixarem oprimir por projeções. Somos acostumados a sempre pensar no antes e no depois. E quando fazemos isso, pioramos ainda mais nosso pecado, pois somos deterministas em nossos discursos, e esquecemos de toda improbabilidade que nos rege. Por isso a inconstância toma conta em alguns momentos, porque não fazemos deles nossas lembranças mais bonitas, ou mais frustrantes, ou o que quer que seja, para destas tirarmos conclusões menos improváveis e mais construtivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não acreditarmos nas palavras que saem da boca dos outros, em que mais poderemos acreditar? Devemos ser então desacreditados de tudo? O que é o tempo se não a maneira como o experimentamos? Ou matamos o tempo ou o tempo nos mata (isso não é meu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não descordo que os sentimentos sejam efêmeros. Só discordo de afirmações categóricas sobre o futuro. Isso foge ao que a vida representa de maneira sui generis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre relações antigas, as minhas serão sempre antigas, por mais recentes ou particulares que sejam. Mas serão sempre antigas. O algo novo estará na maneira como eu as enxergo daqui, deste tempo. Tenho mais a viver agora do que aquilo que já não vivo mais. E, no novo, sempre deito fora de mim meus recalques, algo que não conseguiria fazer no antigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um dos pontos que mais me instigam nessa nossa relação (me permita chamar assim) é a idéia de fuga. Porque me acomete diretamente a questão. Você fugiu de mim? Precisamos ter alguma certeza sobre isso. Não será essa fuga de mim uma fuga de ti mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se for de ti mesmo, digo que não é nada anormal, pois todos têm suas conjecturas em estágio de desenvolvimento pleno e constante. Mas se a fuga for realmente de mim, digo que ela é vã. E não podemos esquecer daquele pensamento batido em multiprocessador: toda escolha é uma renúncia. Mas isso não significa que a escolha, ou a renúncia, seja obrigatória, ou imposta em determinado instante. No entanto, mais cedo mais tarde, fica patente a solução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Redu&lt;br /&gt;Redun&lt;br /&gt;Redu&lt;br /&gt;Redun&lt;br /&gt;Ânsia&lt;br /&gt;Redu&lt;br /&gt;Redun&lt;br /&gt;Dança&lt;br /&gt;Redu&lt;br /&gt;Redun&lt;br /&gt;Cansa&lt;br /&gt;Redu&lt;br /&gt;Redun&lt;br /&gt;Redu&lt;br /&gt;Redun&lt;br /&gt;Samba&lt;br /&gt;Enfatização&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-3702873223898832474?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/3702873223898832474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=3702873223898832474' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/3702873223898832474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/3702873223898832474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2007/09/carta-para-um-amor-antigo.html' title='Carta para um amor antigo'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-116609599193991972</id><published>2006-12-14T09:27:00.000-02:00</published><updated>2006-12-14T09:33:11.953-02:00</updated><title type='text'>É assim a vida de um escritor que não tem vez...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Cheguei bem cedo na faculdade. Aquela hora era ideal para esse tipo de coisa. No hall, reconheci algumas caras, mas preferi ignorá-las. Segui direto para o segundo andar, espreitando pelas pequenas janelas das portas, procurando a sala perfeita, a sala vazia. Incomodava-me a fisiologia humana e suas necessidades mais urgentes, como sentir sede...  ou como cagar, o meu caso. No entanto, não retrocedi no meu plano. Faria primeiro o que tinha vindo fazer e só depois falaria com o ‘senhor bocão’, uma expressão idiota que aprendi por aí, e não quando pequeno, com a minha mãe. Mas no meio desses pensamentos todos, enquanto cruzava um longo corredor, meus olhos de águia – sempre falei isso aos outros sem razão aparente – captaram a câmara secreta dos meus sonhos. Minhas pernas apenas seguiram o trajeto traçado pelos meus olhos. Minha face se esticou e se enrugou toda num sorriso. A sala era realmente perfeita, arejada, com incontáveis – pelo menos naquele momento – cadeiras vazias e apenas os fantasmas silenciosos de quem já havia passado por ali. Tratei de sentar, despi-me na parte de cima. Verifiquei na bolsa os instrumentos de minha alegria, estavam todos lá, a carga da caneta, o papel branco, o isqueiro e o meu combustível, que às vezes penso ser infinito. Iniciei o processo com todo o cuidado, mas estranhamente tomado por uma pressa de quem tem fome. Estava atento aos mínimos detalhes, para que pudesse atingir o máximo no resultado. Por vezes, a distensão do meu reto me lembrava da minha vontade de cagar, mas isso ficaria para depois. De repente ouvi estalar a maçaneta da porta. Alguém estava preste a interromper o êxtase daquele instante. Cobri os instrumentos de meu regozijo. Entraram apressadas duas mulheres e se espantaram com a minha presença. Vestiam uniforme. Eram faxineiras. Disseram que iam apenas limpar o quadro. O que de fato fizeram. Depois se retiraram. A sala voltou à nitidez de suas cores. Posicionei-me na janela maior, no maior olho daquela sala. De onde pudesse ver o mundo lá fora. Já estava de posse de meus preciosos instrumentos novamente. O isqueiro vez em quando falhava, meu cu piscava de vontade de cagar, mas eu nem dava bola. Fiquei ali olhando a vida do lado de fora e quase achei bonita aquela confusão toda de sons e imagens e carros e gente e placas e vozes e postes e bancos e lojas e fotos e preços e números e letras e sabe-se lá mais o quê. Desconheço a razão, mas diante daquilo tudo, foi como se eu tivesse entrado em contato com deus, em quem ou ‘nuquinunca’ acreditei, foi como se todos fizéssemos parte de um só elemento. Mas me lembrei que tal elemento era defeituoso, opaco, sinistro e medonho. Disparei meu olhar perverso contra toda aquela desordem do lado de fora da sala. E doía-me saber que dali a pouco, teria de sair daquele ambiente quase uterino. E por falar em órgãos, os meus já se retorciam pela minha teimosia em não cagar. Foi então que decidi recolher os instrumentos e encarar pleonasticamente de frente, ou de lado, de quatro, sei lá, o mundo lá fora. Meus olhos traçaram agora o caminho do banheiro, para que minhas pernas pudessem alcançar nosso destino. Meu cu já estava impaciente, quando cruzei com as duas faxineiras, que me fitaram com olhos punitivos. Não entendi bem, preferi nem pensar. Continuei rumo ao banheiro, sendo cortado por lâminas de sol que atravessavam o corredor. Desci pela mesma escada que usei para subir, mas dessa vez, chegando ao hall, não consegui manter o anonimato. Uma rapaz me acenou e eu fiz que não vi, mudando meu percurso e prolongando ainda mais a ânsia do meu cu. Enfiei-me num outro banheiro, menor que aquele no qual pretendia ir. Apenas uma cabine, que logo tranquei, tendo de, em princípio, digladiar com mosquitos e sua orquestra de zunidos. Fui favorecido pela lei dos mais fortes e consegui espantar, se não matar, a maioria deles. Senti mais uma fisgada e minhas pernas cambalearam. Despi-me da calça e da roupa de baixo. Sentei no bocão do vaso. A primeira tira de merda foi uma mistura de dor e alívio. Meu piru acompanhou seu vizinho liberando um mijo ardido. A distensão do corpo foi instantânea. Cabines de banheiro também me agradavam. Eram pequenas, seguras, bem diferentes do mundo lá fora. E da cabine de um banheiro, a única coisa que mandamos para o mundo lá fora é a nossa merda. É como mandar o próprio pai tomar no cu quando ele comete uma injustiça muito grande. Estava mais calmo agora. Trancado numa cabine passando na cara do mundo lá fora a minha merda. Além disso, eu gostava de vasos sanitários porque me lembro que na infância, a minha mãe plantava rosas num deles, que ficava na varanda. Senti que aquele momento não podia ser acompanhado de outra coisa que não dos meus instrumentos. Tirei-os todos da bolsa novamente. Absolutamente admirável do que uma carga, uma folhinha branca, um isqueiro falhando e o meu combustível são capazes. Os poucos amigos que tenho podem confirmar, pois sempre me acompanham nas minhas aventuras. Estava bom demais. Mas, como na sala, alguém entrou no banheiro, arrastando algum objeto que não consegui identificar. Dava pra ouvir também os passos marcados no ladrilho do banheiro. Enchi-me de medo. Não podia ver nada além de uma sombra que dançava do lado de fora da cabine. Era bastante agonizante. Um chuveiro foi ligado e rapidamente a água se chocou contra o chão, o que me provocou paradoxalmente certo alívio, pois o som da água batendo naquela superfície azulejada me fez lembrar de chuva, do seu chiado constante, hipnótico, que inunda. Mas ao fundo, percebi crescer o som de uma sirene, de maneira intermitente. Senti um desespero. Tinha que sair logo dali. Certamente estavam atrás de mim. Foram as duas faxineiras que me denunciaram. Só então percebi que não tinha papel higiênico. Eu certamente estava encrencado. Pensei rápido. Olhei a privada. Hesitei em fazer, mas tinha que decidir. Guardei isqueiro, carga e combustível. Ainda podia ouvir as sirenes. Estavam mais altas, mais nítidas, mais próximas. Foi aí que tomei a folhinha branca agora preenchida de letras e passei no meu rabo com força, o que só me causou dor e nenhum alívio. Joguei o texto misturado com a minha merda na privada e puxei a descarga. Saí da cabine assustado, suarento, já sem a prova do meu crime, o meu texto que ninguém publica...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...porém, do lado de fora, não havia ninguém. Só o chuveiro ligado. Nenhuma sirene. Havia apenas aquele mundo lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Setembro/2006)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-116609599193991972?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/116609599193991972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=116609599193991972' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/116609599193991972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/116609599193991972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/12/assim-vida-de-um-escritor-que-no-tem.html' title='É assim a vida de um escritor que não tem vez...'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-115927859069419351</id><published>2006-09-26T10:48:00.000-03:00</published><updated>2006-09-26T10:49:50.736-03:00</updated><title type='text'>O caráter totalizante da instituição escolar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fábio Carlos de M. da Fonseca *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se a educação é determinada fora do poder de controle comunitário dos seus praticantes, educandos e educadores diretos, por que participar dela, da educação que existe no sistema escolar criado e controlado por um sistema político dominante?”&lt;br /&gt;Carlos Rodrigues Brandão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I – introdução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Universidade do Estado do Rio de Janeiro dispõe de uma unidade especializada na formação de professores. Teoricamente, a realidade e as condições da educação, nos seus diversos níveis, deveriam ser pontos de pauta obrigatórios nos currículos dos cursos oferecidos pela instituição. Entregar-se a tarefa de educador exige bastante coragem e comprometimento, tendo em vista o quadro lastimável em que se encontra Educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                No curso da graduação, é bastante comum que os alunos do curso de graduação para o magistério se deparem com estudos, análises e teorias oriundas das mais diversas áreas do saber; todos ligados ao campo da educação. O que há de verdadeiro e o que há de falso neste entreposto? Essa é uma pergunta que necessita de uma resposta urgente e desmistificadora. Uma resposta que seja capaz de por em xeque algumas teorias de caráter platônico que alguns insistem em reproduzir, mesmo que a práxis os desminta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                A Educação é ciência relacionada aos homens. Os homens são, na sua essência, políticos. Logo, a educação é uma questão política. A escola é a manifestação concreta da educação. Um fato que não deve ser desconsiderado é a incapacidade da escola em atender a todas as crianças do mundo. Mesmo sendo este o (pseudo) projeto ideológico dela. Tal apontamento só nos leva a crer na sua hipocrisia. Ou será que ela nasceu pra isso mesmo?&lt;br /&gt;_______&lt;br /&gt;* Graduado pela Faculdade de Formação de Professores – UERJ e pós-graduando em Língua Portuguesa (lato-Sensu) pela mesma instituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II – da origem e das motivações do sistema escolar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A educação dos homens nem sempre foi concebida dentro da escola. Nem tampouco possuía o caráter dos dias atuais. Na antiguidade clássica, a aquisição do conhecimento era privilégio para as famílias nobres. O mestre-filósofo era responsável pela educação de mais ou menos cinco discípulos e ministrava aulas sobre aritmética, filosofia, política e artes. O surgimento da Igreja Católica deu início a um novo tratamento dado ao conhecimento. Sua transmissão passou a ser encarada de maneira mais sistemática e pedagógica. A formação intelectual dos clérigos era extremamente regulada e orientada. Não à toa muitos membros da Igreja receberam destaque nas mais diversas áreas do conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Igreja passou a enxergar a educação como uma verdadeira ferramenta a seu serviço, pois poderia lhe permitir a disseminação de seus dogmas mais profundos. A educação religiosa, nesse sentido, foi a gênese de um modelo institucional que vigora até hoje. A apropriação do conhecimento de maneira unilateral permitiu a hegemonia do pensamento católico-cristão durante boa parte da história da humanidade. Isto significa dizer que o aparelho educacional da Igreja era veiculador dos seus interesses e estava em acordo com seu projeto ideológico. Como a Igreja era o 1º Estado, já podemos antecipar que o sistema escolar surgiu para atender ao Estado, e tão somente a ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim da idade média, o enfraquecimento da instituição religiosa, o surgimento da burguesia e do mundo moderno impuseram à educação uma outra dinâmica. Em primeiro momento, a preocupação maior da burguesia era apenas com a educação de si mesma. O mega empreendimento da industrialização demandava braços e não mentes. Desta forma, o projeto escolar ficou abandonado em primeiro instante. Mas a onda de racionalidade européia motivada pelo movimento iluminista trouxe a reboque a discussão sobre o sistema educacional. Nomes como Diderot, D’Alambert, Voltaire, Montesquieu e Rousseau entoaram seus discursos contra a fé, defendendo a crença mediante análise racional e desferiram contra a Educação Jesuítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil colonial, era esta a educação promovida. Uma educação não laica e profundamente vinculada ao projeto catequista da igreja católica. Recorrendo ao intelectual Nelson Werneck Sodré, podemos constatar que aqui, o encontro entre a escola e o Estado se deu a partir de Marques de Pombal, pois “a reforma pombalina, se careceu de méritos e assinalou sua ineficiência no descalabro do ensino, na segunda metade do século XVIII, teve um traço significativo: representou o ingresso do Estado na solução do problema; se a estrutura anterior fora trabalho praticamente monopolizado pela Companhia de Jesus, a nova estrutura será mista, pertencendo um pouco à área privada, com outras Ordens nela concorrendo, e um pouco à área pública” (SODRÉ, 1983: 28).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a aquisição do conhecimento continuou a ser um privilégio das classes dominantes, até porque à força produtiva não era necessária educação. A sua massificação se deu no início do século XX. Segundo Magda Soares, “a escola pública não é, como erroneamente se pretende que seja, uma doação do Estado ao povo; ao contrário, ela é uma progressiva e lenta conquista das camadas populares, em sua luta pela democratização do saber, através da democratização da escola” (SOARES, 1999: 9). De fato, não se tratou de uma doação, mas também não foi fruto de pressão popular. Foi, antes, a necessidade de um país que se aventurava no processo de industrialização tardia, e assim o Estado precisava ‘educar’ – leia-se aí profissionalizar – sua classe trabalhadora. Isto significa perceber que se tratou de uma imposição do Estado e uma necessidade do Capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III – desmistificando a escola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A escola produz os súditos de um mundo no qual a tecnologia é rei”&lt;br /&gt;Everett Reimer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de extrema importância percebermos que tipo de relação o homem estabelece com o sistema educacional. Quase que a totalidade das pessoas consideram a instituição escolar indispensável em suas vidas. O óbvio é sempre estúpido e toda unanimidade burra, mas no que diz respeito à escola, estes ditados parecem impertinentes. Será? De acordo com Everett Reimer, a educação promovida pela escola se constitui num dos pilares mais importantes da vida moderna. Seria impossível imaginarmos a lógica e a dinâmica geral da sociedade se não fosse o poder desta instituição. “O sistema escolar tornou-se, assustadoramente, em menos de um século, o principal mecanismo de distribuição de valores de toda espécie entre os povos do mundo...” (REIMER, 1983: 38).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido a escola foi se transformando em uma instituição totalizante, cujo papel na organização da vida humana se fez fundamental. Mesmo com todas as suas contradições, o sistema capitalista prevê uma divisão sistemática em etapas da vida do homem. Em ordem decrescente, na velhice nos ocupamos da aposentadoria, na fase adulta do trabalho e na infância e adolescência da escola. É justamente na fase de formação de nossa personalidade que somos submetidos aos conceitos de organização, aos ditames culturais e ao modus operandi da escola. Ela tão bem condiciona as mentes dos homens que o discurso do senso comum em sua defesa beira a naturalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda para Nelson W. Sodré, “em todos os tempos e em todos os lugares, com o desenvolvimento das sociedades complexas, como as do capitalismo, demandam complexos aparelhos de ensino (...), tais aparelhos e estruturas são, no todo ou em parte, peças do aparelho de Estado; transmitem, assim, a cultura oficial, aquela que obedece à característica social de que a cultura dominante é a cultura das classes dominantes” (SODRÉ, 1983: 122). E por pertencer ao Estado e estar ao seu serviço, acaba se transformando no principal porta-voz de sua ideologia, atuando como meio de coerção. A educação pregada pela escola, por exemplo, remonta, de uma maneira geral, a sociedade tecnocrata. Ao se tornar escravo da tecnologia, como assim a escola o quer, o homem deposita seu projeto (esperança) de transformação pessoal naquilo que historicamente serviu à dominação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III – a escola reproduz a sociedade ou a sociedade reproduz a escola?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta para tal pergunta seria longa, mas neste pequeno artigo atentamos para alguns dados comparativos que visam comprovar o vínculo estreito entre projeto educacional e projeto de sociedade. Até que ponto, de maneira concreta, estas duas instituições estabelecem uma relação indivisível? A fragmentação social se reflete na escola, e por ser um fato é incontestável. Mas ainda assim, somos tornados escravos do sistema educacional escolar. Eis aqui três comparações cabais e que podem revelar o caráter tácito da escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;·         Realidade das salas de aula X realidade do mercado – enquanto massas de trabalhadores se acotovelam nas portas das agências de trabalho, nas fileiras das salas de aula, a escola tenta impor aos seus alunos a lógica da competição, a necessidade de sobrepor, quantitativamente, o colega ao lado. Nas universidades, a escassez de bolsas gera uma disputa calcada nos coeficientes de rendimento, na maioria das vezes obtido sem que o aluno vivencie seu objeto de estudo, apenas qualificando-se pela nota. Assim como não há vagas suficientes para as massas de desempregados, não há bolsas capazes de suprir as necessidades acadêmicas dos universitários. E tão bem a escola condiciona seus alunos que a lógica do determinismo social se transforma em ago banalizado e aceito. Embora prometa inclusão, a estrutura escolar só faz excluir ainda mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;·         Grau de instrução X condições de oportunidade – as posições na sociedade ocupadas pelos pais dos alunos constituir-se-ão, a priori, enquanto um fator preponderante para a definição dos vencedores e perdedores dentro do sistema escolar. Não há igualdade de oportunidades, se mesmo o tratamento é diferenciado. Desta forma, o afunilamento vai se perpetuando e conservando a mesma classe no poder. Na visão de Reimer, “na idade escolar, ninguém está irremediavelmente perdido; mas assim que termina o jardim de infância, notas e registros de QI são anotados, e a partir de então a porta estará quase completamente fechada àqueles cujas notas e registros foram baixos demais” (REIMER, 1983: 62).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;·         Exclusão educacional X exclusão social – a primeira acaba se tornando dispositivo ou condição para a segunda, pois “a exclusão educacional marca o indivíduo socialmente excluído em outras formas de exclusão social. (...) a moderna teoria econômica aceita que a educação da força de trabalho é um dos determinantes mais importantes da renda e do padrão de vida atingido pela população, bem como as taxas de crescimento econômico” (BRACHO, 2001: 120). Mas até mesmo aqueles que conseguiram superar as etapas da escola não tem seu pretenso sucesso garantido. Qualquer estudo estatístico pode comprovar que um grande número de trabalhadores perfeitamente instruídos para o mercado está fora dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escola se coloca, portanto, como uma instituição hierarquizada que visa estender sua institucionalização à infância e à adolescência. A definição de tais fatores reside na observação simples da realidade cotidiana das salas de aula: estratificação em níveis, classes, todos baseados na divisão etária, desconsiderando totalmente o processo cognitivo. Procedendo assim, a escola universaliza toda uma etapa da vida do homem. Definitivamente, a escola não é um espaço de igualdade, antes, reproduz a latente divisão existente na sociedade, a qual presta seus serviços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV – a realidade educacional desnuda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentando estabelecer o contraponto com a lógica academicista, o artigo decidiu relacionar as idéias aqui expostas e as realidades conhecidas; os dados empíricos que dizem respeito à educação no estado fluminense. Até que ponto as idéias dos teóricos ‘otimistas’ da educação podem ser entendidas como possibilidades concretas? Esta pergunta é sintomática e abre espaço para a desconstrução de uma formação utópica a que são submetidos os alunos das faculdades de formação de professores Brasil afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                No Rio de Janeiro, a realidade educacional põe por terra todas as teorias que pregam a escola como a redentora da sociedade. Melhor seria se analisássemos a educação como algo fragmentado, que tem sua expressão baseada nas suas distintas conjunturas. A questão de classe deve ser excluída do debate? Se for o caso, é puramente pretensioso. Como bem aponta o Reimer, a escola não é uma necessidade da população, mas uma imposição do Estado, tendo em vista a enorme coerção ideológica a que são condicionados seus agentes (pacientes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                Em São Gonçalo, o descaso com relação à educação é explícito. 15 creches públicas já fecharam suas portas pela falta de repasse financeiro. Há anos a administração pública tem desrespeitado a LDB que prevê que as Secretarias Municipais de Educação assumam a responsabilidade sobre as creches comunitárias. No município do Rio, a Escola Municipal Levy Neves agoniza com a superlotação de alunos. Por determinação da prefeitura, o número de turmas foi reduzido pela metade, obrigando os alunos a se espremerem num espaço minúsculo.&lt;br /&gt;               &lt;br /&gt;                Como podem ser discutidas teorias educacionais na universidade se nem mesmo a realidade concreta nos permite realizá-las. Seria medo de assumir os fatos? Talvez, Reimer esteja certo. A escola não é um espaço de igualdade. Antes, reproduz a latente divisão existente na sociedade, a qual presta seus serviços. Analisando a escola brasileira, bem como os projetos para ‘democratização’ do ensino, percebemos diversas incoerências que vão desde os objetivos aos fins. Recentemente, uma proposta de implementação de política de cotas para negros nas universidades caiu como uma bomba sobre o colo da elite, que viu a possibilidade de perder uma fatia gorda de suas vagas socialmente reservadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                A solução seria a melhoria do ensino básico?  Tudo bem. Vamos relembrar as políticas públicas para a redenção da escola. Que tal o Programa Nova Escola? O tempo e implacável e tem revelado o verdadeiro objetivo do programa. O Colégio Estadual Trasilbo Filgueiras, em Jardim Catarina (SG), na última avaliação da SEE recebeu conceito I (de I a V) pela falta de investimento, e verbas para melhoria de condições do espaço físico de escola. É esta realidade que norteia a formação acadêmica dos futuros professores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                Eis o caos que muitos dos formados em licenciatura irão enfrentar, e não o mundo dos livros ou dos belíssimos discursos que estamos acostumados a ouvir. Existe uma lacuna imensa entre a teoria e a prática que aumenta a passos largos. Uma postura crítica e desiludida a respeito da educação se faz necessária ao entendimento do quadro no qual se encontra a escola. A superação deste fato concreto necessita, obrigatoriamente, da superação do injurioso discurso acadêmico, capaz de tornar os fatos em simulacros, algumas vezes intransponíveis, pois se cristalizam no tempo e no espaço a partir de nossas práticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V – bibliografia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRACHO, Teresa. Exclusão Educacional enquanto Dispositivo de Exclusão Social. In: OLIVEIRA, Maria Coleta (org). Demografia da Exclusão Social. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2001.&lt;br /&gt;REIMER, Everett. A escola está morta: alternativas em educação. Trad. Tony Thompsom. Rio de Janeiro, F. Alves, 1983.&lt;br /&gt;SOARES, Magda. Linguagem e Escola: uma perspectiva social. São Paulo: Ática, 1999.&lt;br /&gt;SODRÉ, Nelson Werneck. Síntese da História da Cultura Brasileira. São Paulo: Difel, 1983.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-115927859069419351?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/115927859069419351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=115927859069419351' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115927859069419351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115927859069419351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/09/o-carter-totalizante-da-instituio.html' title='O caráter totalizante da instituição escolar'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-115858322281860491</id><published>2006-09-18T09:35:00.000-03:00</published><updated>2006-09-18T09:40:22.840-03:00</updated><title type='text'>Com a ajuda de chico</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;para quem me faz bem...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Homem estava num lado da rua. A Mulher no outro. Esperavam pelo ônibus a fim de seguirem suas viagens. Olharam-se. Ligaram-se. Os olhos mesmo à distância de duas extremidades tinham cumplicidade.  O homem atravessou a rua e o caminho da mulher repentinamente apaixonado. Todos os seus vícios o Homem confessou a Mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é ter no outro o porto seguro de si? É se atirar do alto de um prédio e não cair, porque agora se tem asas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Mulher consterna. Nada nega. Confessa que já sabia de tudo que ele tinha dito a ela. Diz que o novo da situação está no olhar. Pede ao Homem sua compreensão. Estão agora os dois no ponto da Mulher. Talvez eles sigam agora aquele carinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mergulham então no oceano profundo. Podem respirar em qualquer lugar porque o alimento de suas vidas não está no âmbito da materialidade. Ainda se olham enquanto dão braçadas e pernadas rumo ao que há de mais profundo no oceano. Estão absolutamente encharcados. Desligam o chuveiro. Vestem-se. Ainda se olham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite eles não se veriam. Mulher adoeceu. Homem compreendeu. Ela havia pedido compreensão. Era noite muito quente. Era noite de muita gente na rua. O calor em pleno inverno torna os ambientes fechados o verdadeiro inferno. Então Homem foi beber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se logo porque as pernas estavam bambas de sono. Assistia a um jogo de futebol e lembrou de chico. Você era a mais bonita das cabrochas dessa ‘sala’. Lembrou de Chico porque tinha lembrado da Mulher. O meu samba se marcava na cadência dos seus passos. Passos, aliás, dados pelo Homem ao sair do seu ponto. Mas estava satisfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher pensava fazer o doce predileto do Homem só para ele ficar em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem comemorava no bar e Mulher não sabia lá o quê. Homem comemorava o sentimento que tinha por ela, cada lembrança mais um copo e a vontade de cantar seu afeto. Sentiu saudades do olhar. Não fica sentida, você já mudou minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No bar reinavam bafos de rivalidade, alentos de discórdia, entusiasmos de ciúmes. Tudo por conta de um esporte. Homem alheio a tudo. Projetando na retina dos próprios olhos o olhar raso da Mulher, seguro, sobriamente belo, harmônico ao traço da boca, singelo no contorno do sorriso benevolente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saudade que Homem tinha de Mulher o tornava um ser leve, absolutamente ameno, de comportamento sereno e tranqüilo. Mulher era morena dos olhos d’água, os seus olhos, do mar! Homem gostava do abraço estreito de Mulher. O Olhar de Mulher chamava o Homem de menino vadio, não queria ter seus convites recusados, queria Homem perdido nos braços dela. Homem rodara o mundo entre guerras e batalhas, retornando em busca da prenda dos carinhos de Mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final daquela noite, Homem nem mesmo dormiu, porque quando fechou seus olhos, o sonho não foi interrompido; começou no dia, no ponto, nos olhos e continuou no sono!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-115858322281860491?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/115858322281860491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=115858322281860491' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115858322281860491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115858322281860491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/09/com-ajuda-de-chico.html' title='Com a ajuda de chico'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-115694292197416702</id><published>2006-08-30T09:33:00.000-03:00</published><updated>2006-08-30T10:08:19.580-03:00</updated><title type='text'>Muitos textos sobro muitas coisas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Levi Santos&lt;/strong&gt; é aluno do 3ª ano do ensino médio, de pensamento e postura ideológica bastante peculiares. Figura difícil de estabelecer acordos, mas instigante exatamente por essa mesma característica. Seu texto é um embate com o mundo e consigo mesmo, que nos revela os conflitos mais singulares do homem, dividido entre sua aparente autonomia e a obediência à ordem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Erick Comarck&lt;/strong&gt; também é aluno do 3º ano do ensino médio, músico e marcado por uma nostalgia dos sentimentos. Um otimista, assim se pode dizer, mas um otimismo racionalmente construído, como se pode perceber em seu texto, amarrado por relações gramaticais, fazendo do poema quase uma prosa. Se há verdade em suas palavras, não se pode saber, mas pelo menos sinceridade há.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;***&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Renan França&lt;/strong&gt; é aluno do 1º ano do ensino médio e dono de uma literatura madura e organizada, livre das mazelas e banalidades da vida. Autor de textos que nos fazem enxergar além da carapaça imunda dos homens, que nos fazem penetrar naquela parte obscura que às vezes tentamos negar que existe. Sua escrita causa espanto e repulsa, ao mesmo tempo que nos cospe na cara a constatação da nossa insignificância.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;***&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Fábio Fonseca&lt;/strong&gt; é professor desses três jovens poetas, e sobre ele nada se sabe além do que seus textos permitem falar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Boa leitura!&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;***&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Teleguiado&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Continue a contemplar a face lânguida de suas esperanças vazias&lt;br /&gt;A tua idealização de perfeição&lt;br /&gt;Continue a absorver as regalias de seu mundo fantasioso&lt;br /&gt;Sim, sejam pego na armadilha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo gira&lt;br /&gt;O tempo passa&lt;br /&gt;Impérios se levantam e caem&lt;br /&gt;A esperança morre&lt;br /&gt;E você aí, estático&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emoções sem sentido&lt;br /&gt;É o que vejo no teu rosto&lt;br /&gt;A consciência é desativada&lt;br /&gt;Cai, se perde, desaparece&lt;br /&gt;O que resta é a mentira, a prepotência&lt;br /&gt;Falsa idéia de dominação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que conhecer limitações?&lt;br /&gt;Por que lutar contra elas?&lt;br /&gt;A trave no teu olho não te deixa ver&lt;br /&gt;Nada além das respostas armadas dadas às perguntas que angustiam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquecer o primordial, se abstrair&lt;br /&gt;Continue a contemplar a face lânguida de suas esperanças vazias&lt;br /&gt;Catatônico&lt;br /&gt;Talvez, do grande ponto luminoso a sua frente&lt;br /&gt;Saia a solução para a sua vida adiada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Levi Santos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Vida&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É...&lt;br /&gt;Eu prefiro assim&lt;br /&gt;a vida mais feliz&lt;br /&gt;mais alegre e sorridente&lt;br /&gt;prefiro esquecer: momentos tristes,&lt;br /&gt;lamuriantes,&lt;br /&gt;dos que sofri,&lt;br /&gt;que fiz sofrer&lt;br /&gt;dos que virei marionete&lt;br /&gt;nas mãos de uns&lt;br /&gt;... chega!&lt;br /&gt;Aprendi a viver a vida&lt;br /&gt;numa boa&lt;br /&gt;como um sonho&lt;br /&gt;que nunca se acaba.&lt;br /&gt;Sonhe! Brinque!&lt;br /&gt;E sorria,&lt;br /&gt;pois sem sorrisos&lt;br /&gt;o que seria da vida?&lt;br /&gt;Bem, não sei explicar,&lt;br /&gt;mas dos sorrisos que presenciei&lt;br /&gt;que vi-vivi&lt;br /&gt;e os que pratiquei,&lt;br /&gt;desses sim só retiro coisas boas.&lt;br /&gt;Sentimentos verdadeiros&lt;br /&gt;absolutos, claros e óbvios!&lt;br /&gt;Afinal, a vida é assim&lt;br /&gt;e é assim que tem de ser.&lt;br /&gt;Vivemos só de alegrias?&lt;br /&gt;Não sei,&lt;br /&gt;mas desses momentos aposto&lt;br /&gt;aposto que são prazerosos,&lt;br /&gt;a clareza desses sentimentos:&lt;br /&gt;alegria felicidade, saudade, gozo&lt;br /&gt;entre outros, entre todos&lt;br /&gt;que aspiramos o necessário,&lt;br /&gt;para que possamos enfrentar&lt;br /&gt;de peito aberto, rasgado,&lt;br /&gt;os sentimentos mais tristes,&lt;br /&gt;os que ferem e deixam marcas.&lt;br /&gt;Assim termino&lt;br /&gt;lembrando que:&lt;br /&gt;viva a vida,&lt;br /&gt;seus opostos que se completam!&lt;br /&gt;Assim te inicio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Erick M. Comarck)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Cidade Maravilhosa&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O turista chegou no Rio e viu filas...&lt;br /&gt;‘’E essa fila para que serve?’’&lt;br /&gt;O turista não desconfiou de nada&lt;br /&gt;Era apenas a gincana do dia-dia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘’Cinco mil reais para quem comer uma barata...viva!’’&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o turista soube, ficou perplexo...&lt;br /&gt;E cumprimentou um por um...&lt;br /&gt;‘’Que gente espetacular... Faz fila para comer um bichinho nojento’’&lt;br /&gt;E a fome virou sinônimo de coragem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela fila de cariocas corajosos,&lt;br /&gt;Haviam subnutridos e sub-homens...&lt;br /&gt;Mas você se engana quanto ao resto...&lt;br /&gt;Não haviam somente pobres...também haviam bichos,&lt;br /&gt;Como os pais desempregados e filhos sem ter o que comer...&lt;br /&gt;E pessoas com fome de um dia inteiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na placa se lê: Cortesia do Estado do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Renan França)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A tragédia dos nossos esquecimentos ou Somos todos insensíveis&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nasceu&lt;br /&gt;nem cresceu&lt;br /&gt;sentiu fome&lt;br /&gt;não comeu&lt;br /&gt;teve sede&lt;br /&gt;não bebeu&lt;br /&gt;pediu ajuda&lt;br /&gt;ninguém deu&lt;br /&gt;pegou num fuzil&lt;br /&gt;depois morreu&lt;br /&gt;pra nascer outro em seu lugar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Fábio Fonseca) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-115694292197416702?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/115694292197416702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=115694292197416702' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115694292197416702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115694292197416702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/08/muitos-textos-sobro-muitas-coisas.html' title='Muitos textos sobro muitas coisas'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-115616363706594405</id><published>2006-08-21T09:28:00.000-03:00</published><updated>2006-08-21T09:52:13.100-03:00</updated><title type='text'>Quando a idéia se perde na profusão da vida ou Apenas um texto não escrito</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;para uma pessoa especial&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Ontem tive uma idéia para um conto. Teimei deixá-lo para hoje. Rendi-me à preguiça e decidi esperar o outro dia. Se tivesse iniciado o texto logo, talvez seu primeiro parágrafo trouxesse imagens belas, reconfortantes, como quando sentimos saudades de tudo que nos é agradável. Quem sabe minhas palavras não dançassem pela pista branca e lisa da folha uma canção suave, tranqüila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O personagem amaria a moça sobre todas as coisas. E desafiando até mesmo o mandamento maior do criador, sua amada moça o abraçaria na cintura – porque era mais baixa que ele – e o apertaria contra seu corpo, tentando se unir a ele no retorno à condição plena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No conto que deixei de escrever ontem, os dois personagens estariam sentados numa sacada qualquer dessas que existem por aí. Não para apreciarem a paisagem à frente, e sim para se deixarem cair juntos, sentindo na barriga e no corpo inteiro o frio que é cair assim tão do alto. Continuariam em queda sempre sorrindo, sem que o medo lhes tirasse o prazer do momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eu pensava naquele conto, na minha cabeça os dois iam sempre juntos (há quem chame isso de relação doentia) até que a tinta da minha esferográfica se extinguisse na minha imaginação; e mesmo sem carga alguma, eu rabiscaria o papel tentando fazer aparecer outra vez aquele casal feliz em alto-relevo. Eram lindos os dois bem juntinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguma parte do meu conto, eu falaria apenas dos olhos deles entrecruzando-se. Os corpos, sem ter escolha, se rendendo à profundeza daquelas duas almas se fundindo pelos olhos. E no fascínio do espelho mágico do ser, penetrariam um no outro sem pedir licenças, feito invasores e invadidos, como cúmplices dos mesmos riscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu nem precisasse dizer, mas nesse conto que larguei de lado ontem, em um instante qualquer, e sem razões (que isso é incompatível ao ato), o casal se deitaria sobre um leito de sonhos, debaixo de inúmeros panos, curando-se dos danos (profanos), livrando-se de todos os desenganos, e ficariam assim, deitados sobre o leito (quem sabe? se eu deixei de escrever) por mil anos, ou por dois meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final de uma dessas tantas tardes, ele a levaria no portão e a entregaria, guardada em seu beijo, a sua vontade de outra vez. Ela então compreenderia seus desejos, e com movimentos leves de língua recitaria um poema simples e singelo dizendo que sentia o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse conto que deixei de escrever podia falar de muitas coisas, mas infelizmente o deixei de lado. Não quis escrever ontem, e agora, hoje, é um dia novo e o texto já não seria mais do jeito que eu quis. No meio do meu conto não haveria o meio, haveria ainda o todo que seriam ele e ela. Então eu me confundiria de tanto sentimento, e talvez quisesse voltar ao começo que foi o ontem, quando não escrevi o conto. E assim hoje, ainda confuso, talvez eu suspeitasse que restou apenas o fim.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-115616363706594405?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/115616363706594405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=115616363706594405' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115616363706594405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115616363706594405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/08/quando-idia-se-perde-na-profuso-da.html' title='Quando a idéia se perde na profusão da vida ou Apenas um texto não escrito'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-115533976379254674</id><published>2006-08-11T20:40:00.000-03:00</published><updated>2006-08-11T20:42:43.813-03:00</updated><title type='text'>Infarto</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;para mim mesmo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São duas as minhas formas de inspiração: prender a respiração ou respirar profundamente. É nessa base aparentemente simples que se apóia minha produção literária. Os contornos dos meus contos, que escrevi poucos, dos poemas, que escrevi muitos, dos romances, que já vivi vários mas escrevi apenas alguns, os contornos de toda minha escrita seguem o caminho do ar preso e do ar adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto espero, escrevo e depois rasgo, assim como na música, minhas melhores idéias. A sobra eu dedico aos leitores. São as projeções sobre amor, sobre amar, sobre ser amado ou ser amante, sobre o ser amado ou o ser amante. Os leitores adoram essas sobras minhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o ar paira dentro de mim, e então prendo a respiração, me vejo dentro de um vácuo, flutuante na náusea, leve como uma pluma, como um papel de bala caindo do décimo quinto andar de Quando tudo acontece ao mesmo tempo, viajo desarmado e desamarrado de princípios ou empecilhos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fui até a esquerda&lt;br /&gt;direita olha-me na esquerda&lt;br /&gt;me afasto retorno&lt;br /&gt;não espero&lt;br /&gt;coloco meus sapatos&lt;br /&gt;esquerda ou direita?&lt;br /&gt;dou-me um tiro no centro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;respiro profundo e profuso esse ar de parafuso confuso e não-difuso me uso no uso do abuso ponto respiro o remédio contra o tédio e fico assim de intermédio ponto de novo dedilho meus trocadilhos maltrapilhos em estribilhos de milho ponto tá pronto meu conto tô tonto desmonto e monto no manto santo num recanto de enquanto ponto final&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu coração parece que vai parar de bater na porta. Cansou de chamar e não ser atendido. Os dedos do meu coração estão esfolados de tanto socar a porta. É triste ver o desespero dele quando percebe que o lado de dentro não quer recebê-lo. Não resta mais esperança, ele não agüenta mais esperar, quem espera nunca alcança. Então, coração, descansa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São essas as linhas e trilhas que baseiam meus dois poços de inspiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(agosto de 2006)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-115533976379254674?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/115533976379254674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=115533976379254674' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115533976379254674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115533976379254674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/08/infarto.html' title='Infarto'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-115500653745942474</id><published>2006-08-08T00:04:00.000-03:00</published><updated>2006-08-08T00:08:57.480-03:00</updated><title type='text'>Conto in-contado ou Todo carnaval tem seu fim II</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;para aqueles que sentem medo&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nós nem mesmo tivemos uma conversa. Cada um deixou se desprender de si algumas palavras que nada significavam. Exemplo típico da incomunicabilidade. Eu sem saber o que dizer, ela sem ter idéia do que falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de tudo, na minha cabeça, apenas dor e medo. Disso me recordo porque foi esse meu recorte. Da expectativa de uma noite dividindo meus prazeres com ela, sobrou apenas a expectativa mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já estou em casa tentando em texto minha vida. Algo inútil, sei bem. Mas é essa minha vontade. Como se diante do vazio pudesse preenchê-lo com meus pensamentos e minhas projeções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligo o computador. Quero escrever um conto. Meu vício de escritor me faz em princípio pensar em casos literários de medo e dor. Lembro logo do jovem comerciante, Georg Bendemann, do medo do casamento. Porém não é esse meu caso. Não quero casar. Penso então que meu medo é indefinível. Nem sei se o medo é meu ou dela; se é nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que tal a dor? Aquela sensação cortante que rasga por dentro. Que provoca a hemorragia interna dos sentimentos, que se misturam numa confusão de dúvidas, num emaranhado de fotografias velhas, em canções de nostalgia, em noites pouco, mas não mal, dormidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto não paro de pensar e não começo a escrever. Meu cérebro e o do meu com-puta-dor são incompatíveis. Eu estou sofrendo da síndrome do papel branco, assim como Eugênio, ou Paul Gentleman, ou Jesus Kid, tanto faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo na tela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Medo e dor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Era um imenso desafio para os dois. Uma parede foi erguida entre eles pelos seus passados. Jamais daria certo. Tinham ambos muito medo e muita dor, assim como muito medo de mais dor...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Apago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi numa sexta-feira, num sobrado de uma rua fechada, num dia em que ainda não havia nem medo nem dor. Foi do abraço que veio o carinho, do carinho o afago, do afago o desejo, do desejo o beijo, do beijo o espanto, do espanto mais desejo, de tanto desejo veio o contato, do contato o desespero, do desespero a necessidade, desta o lisonjeio, do lisonjeio mais um abraço, e deste abraço, de corpo inteiro, o encontro e o deleite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde há dor nisso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo outra vez na tela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Medo e dor?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Talvez devessem ter conversado mais um pouco. Quem sabe, se tivessem definido quais seriam as indefinições, tudo fosse diferente. Seria aquela a solução?...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Apago outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até um conto eu já escrevi; bem mais fácil que este aqui. Do aniversário incomum, dos sentimentos incomuns. Essas exceções me arrebatam com tamanha facilidade. Agora a menina branca do meu conto é exatamente como a de Gullar, porque me leva no esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou até a cozinha e quando pouso meu copo sobre a pia lembro dela, sentada ali onde estava o copo, molhada como o copo, cheia de vida como este copo que eu levo agora até minha boca sedenta, minha boca na boca do copo lá em cima da pia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço uma nova tentativa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um medo, várias dores&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ele teve todas por muito pouco tempo, sempre. Com ela não era diferente; não nesse sentido, pelo menos. Mas o pouco se tornara na vontade do muito, e o medo do pouco que é muito lhes trouxe várias dores...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Essa tentativa eu desfaço me xingando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou ao banheiro mijar. Estou apertado. Preciso liberar. Tenho um prazer indescritível. Meu corpo cambaleia. Perco as forças. As pernas estremecem. Caio sentado no chão. Continuo mijando. A parede está gelada. A superfície, quente e úmida. Ali nos conectamos no ontem e no meu mijo de criança daquele agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomo um banho; o sexo mental e bizarro foi completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto ao computador e escrevo novamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O medo de ter dor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eles se falaram no final da tarde ao telefone, alô?; alô, como vai?; bem, e você?; bem também; silêncio; e o nosso passeio?;  pois é, acho que não vai mais ter passeio; silêncio; ah é?; é, não vai mais; silêncio; eu te liguei; eu vi; interferência no sinal (silêncio involuntário); você tá diferente; silêncio; você tem alguma coisa pra me falar?; silêncio; você deve ter suas razões mas não precisa me dar; sei lá, acho que é medo; silêncio; medo do quê?; de alguém se machucar; silêncio; de você me machucar?; pode ser, ou de me machucar; silêncio; silêncio; fuga; silêncio; beijinho; beijo...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Desligo o telefone.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(agosto - 2006)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-115500653745942474?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/115500653745942474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=115500653745942474' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115500653745942474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115500653745942474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/08/conto-in-contado-ou-todo-carnaval-tem.html' title='Conto in-contado ou Todo carnaval tem seu fim II'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-115255321207441602</id><published>2006-07-10T14:37:00.000-03:00</published><updated>2006-07-10T14:46:53.600-03:00</updated><title type='text'>Aniversário</title><content type='html'>para flavinha, drica e nico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era ainda a véspera quando Ele saiu de casa todo cheiroso da fogueirinha que havia acendido antes. Conservou-se nele a onda e também o mar quase inteiro porque não sabia mais como fazer a maré baixar. Seguiu pela rua de paralelepípedos traiçoeiros na busca quase épica de uma condução que lhe desse uma condição qualquer que fosse. Esbarrou na própria sombra que passou no olho à noite anterior quando não dormiu mas mesmo assim sonhou. Sentiu nas ventas o cheiro da fossa entupida e lembrou de que a descarga de sua casa estava em reparos e que toda sua merda boiava ainda fresca no vaso. Lembrou também que da bosta faz-se o adubo e que um dia do seu vaso sanitário poderia brotar a rosa branca da qual ele tanto gostava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu do ônibus em fila sem reclamar nem pensar no tempo que demorou em chegar sua vez. Tinha na cara um ar de foda-se mas no coração uma faixa dizendo eu estou é fodido. Preferiu andar de olhos abertos mas cegos pelas calçadas da infâmia de Niterói. Procurava um calço para os pés de outro sem notar seus próprios passos errantes. Cruzou com guardas que corriam com cara de poucos amigos atrás dos seus inimigos. Fugiu de medo que a dor da cacetada na tarde de fevereiro não lhe saiu da cabeça jamais. Enfiou-se num bar e pediu um traçado para ver se traçava melhor seu caminho. Sentiu vontade e pensou dar um dois ali mesmo mas os outros quatro que estavam no bar lhe dariam mais de mil porradas. Deduziu que a matemática era óbvia demais e preferiu sair à rua outra vez para contar a si mesmo que estava tudo bem e que já era hora de seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que calço porra nenhuma e Ele já estava bambo no bar da faculdade bebendo e esperando sozinho ao lado de tantas pessoas que pareciam pirus e vaginas gozando o prazer da identidade européia que muito idiota revogou ao longo dos tempos. Olhava a bola na tela e coçava as bolas no meio das pernas já meio sem saco de ter de esperar. Tentou lembrar dos próprios versos mas aconteceu o inverso pois foram os versos que lembraram dele assim de repente. Sentiu o choro embaçar a tela e embalou no tempo de espera. Eram 26 anos quem diria e Ele era uma quimera com sua cabeça de leão seu corpo de cabra e sua cauda de dragão. Engoliu a cerveja primeira em goles apressados que avançar é sempre uma fuga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me bateram no ombro e me disseram não desista mas eu caguei bonito e nem fiz questão de me limpar da história manchada de sangue coagulado da espera que me fez petrificar no tempo e reduzir-me a um só espaço e restringir passos e se despedaçar o paço majestoso onde um eu de mim morreu e um outro eu de mim nasceu em seu lugar e então a vida me foi servida em um prato que me transbordava pra fora de tudo aquilo que chamam lar que por sinal nunca tive a não ser um teto que me abrigasse a cabeça das águas de março que escorriam dos olhos em direção ao passado que se faz presente sempre e em futuro se travesti nos pensamentos e expectativas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem debruçado sobre o balcão na parte de dentro fez um comentário qualquer exigindo que Ele sacasse de seu coldre uma de suas mil e tantas máscaras e disparasse um sorriso de canto de boca de quem concorda sem nem mesmo saber com o quê. Pensou ter visto mais caras assim como aquelas que via no bar e sentiu vontade de mandar todo mundo se foder que de rotina já estava cheio. Tentou se lembrar dos nomes dos filmes mas sua memória reduzida e distraída emperrava na fraqueza de se recordar apenas dos últimos cinco minutos de acontecimento porque todo o resto Ele tinha recortado e colado bonitinho feito um álbum íntimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim entraram no bar os amigos pelos quais ele esperava desde sempre e sorriu ao vê-los assim tão de pertinho. Trocaram beijos e abraços e se olharam e brindaram nem sentaram que em pé mesmo adiantava a saída daquele lugar. Em princípio as banalidades foram imperiosas como quando contou que mais cedo comeu pão duro molhado no café frio lendo Lavoura Arcaica e que amanhã seria seu aniversário e todos riram e disseram eba vai ficar velhinho emendando na história da prova aplicada horas atrás pelo coroa bonitão que dá aulas e joga charmes junto do conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;velho sim&lt;br /&gt;não nego&lt;br /&gt;que às vezes&lt;br /&gt;sou cego&lt;br /&gt;me entrego&lt;br /&gt;ao meu ego&lt;br /&gt;ou superego&lt;br /&gt;ou alterego&lt;br /&gt;ou como um bonequinho lego&lt;br /&gt;me envergo&lt;br /&gt;todo&lt;br /&gt;bambu torto&lt;br /&gt;feito prego&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refeito do trauma Ele seguiu os amigos em séqüito na direção de um prédio quieto e disperso de tudo onde se dispersasse a fumaça da fogueirinha que acenderiam para passar o frio de seus ânimos. As personas de Rui animaram o ambiente ou melhor construíram-se num palco livre que é viver e se exibindo foram remontando as peças de um quebra-cabeças gigante. A fogueira era eficiente e toda a cena lhes foi nítida como suas próprias imagens refletidas nas chamas e acessos de calor. Atrás de cada um havia várias sombras lhes servindo de manta e acima Dele que até agora não tem nome e isso pouco importa estava a lembrança da menina branca de neve de Gullar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundos segundo manda o manual estavam no quase avião que sobrevoava no automático de uma ponta a outra a baía. Ele pegou na mão de Soninha para lembrar que era querido e amado assim de verdade enquanto sorria e se divertia à véspera de quando nasceu. Ele então pensou no seu um quarto de vida e que dentro de um quarto de sonos deixou guardado dois terços de seus problemas e foi sair naquela terça-feira de julho atrás de algum sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na pressa do trânsito que sempre emperra seguiram a reta adiante num caminho distante. E longe no fim de tudo se via uma luz que sempre se renovava e teleguiava os pensamentos num só tempo de tantos movimentos. Era uma composição composta de olhares distantes e de bocas cheias de doces açucarados. Soninha e Rui estavam afastados e Ele segurava um livro entre as mãos e o guardaria depois entre as lembranças. Era noite bonita de lua e estrelas como em poemas ou contos ou no cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cenário: O céu, a lua e as estrelas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem: Veja como brilham!&lt;br /&gt;Mulher: Sou cega!&lt;br /&gt;Homem: Ouça como falam!&lt;br /&gt;Mulher: Sou desatenta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cenário: A lua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem: Aqui estou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cenário: As estrelas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher: ... são tantas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cenário: O céu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lua: Veja como são fracos!&lt;br /&gt;Estrelas: Que seja! A inocência está perdida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trem-de-ferro seguia pela linha férrea da vida Dele de volta ao passado e parou na estação daquele dia quando levou um soco bem no meio da cara só porque discordou sobre quem era o melhor de uma partida de futebol. O barulho que faziam as rodas do trem-de-ferro quando passavam sobre os trilhos o fez lembrar do zunir nos seus ouvidos depois da porrada em cheio do seu pai. Rui e Soninha riam abertamente em off da cena e Ele sentiu nojo de ser daquele jeito assim tão triste que feliz ou quase isso talvez fosse bem melhor até porque um dia foi e gostou muito de ser mas foi só um estado que não se manteve por muito tempo mesmo assim Ele queria aquela coisa efêmera e fundamental que chamam felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rui e Soninha à frente Dele falando gesticulando rindo gritando dizendo desamarra essa cara porra fica bem caralho e tentando distraí-lo imitando quem desse na telha ou sendo uma coisa distinta de cada vez que a vida é mesmo pura representação. O banco era desconfortável pois Ele sentia dores na coluna desde o rabinho até o pescoço que estava quase endurecendo de tanto mal jeito que Ele tinha de sempre querer viver olhando para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;chegaram...&lt;br /&gt;falaram...&lt;br /&gt;andaram...&lt;br /&gt;falaram andando...&lt;br /&gt;pararam falando...&lt;br /&gt;subiram bufando...&lt;br /&gt;olharam os lados...&lt;br /&gt;esqueceram algum...&lt;br /&gt;esquecendo lembraram...&lt;br /&gt;lembraram de olhar...&lt;br /&gt;perguntaram...&lt;br /&gt;foram andando...&lt;br /&gt;debaixo dos panos falando e andando e chegando...&lt;br /&gt;erraram nos planos...&lt;br /&gt;chegaram acabando...&lt;br /&gt;mas acabaram chegando pelo menos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele agora sorria mais que o normal se bem que no caso dele rir pode ser algo anormal. Rui e Soninha beijavam e abraçavam pessoas sorridentes e alegres cheias de dentes e carinhos mas isso dispensa comentário. Era um lugar muito bonito e singular mas os filmes já haviam por lá passado e iriam aportar em outro lugar que o discurso nunca falha. Ele foi cumprimentado e até felicitado pelos anos que iria completar algumas horas depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sujeito meio calado mais ouviu os papos e distribuiu sorrisos pros lados e assim Ele pensou que seria anônimo naquele lugar. Sacou da bolsa mais graveto e fogo para que uma nova fogueirinha animasse os ânimos dele e dos amigos mais uma vez pois não se pode perder a prática das coisas. Uns sentados outros de pé todos falavam incessantes um assunto atrás do outro recheados de tosse e algo mais provocado pela fumaça da fogueira que inha não era mais. Eram tantos nomes em tantos rostos que não há quem possa se recordar de todos assim do jeito que aconteceu mas de um jeito particular de ver e enxergar e perceber que tudo é percepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pique:&lt;br /&gt;Um dos tês quato cincu sez sete oitu nove dez-i-onze doze teze catoze .... vin... trin-trintedô... cem! Lá vou eu!&lt;br /&gt;Alguém: Parti em busca do cativeiro e o calo da ponta do meu pé que ficou de fora do esconderijo revelou uma história inteira da minha vida...&lt;br /&gt;Algum: O fio de cabelo conduziu muitos passos atrás no tempo e toda dor e todo sofrimento em que nem mais penso...&lt;br /&gt;Ninguém: Esses tijolos uns sobre os outros estagnados num mesmo lugar inertes e entregues à ação do tempo erosivo que leva ao fim e não à transformação...&lt;br /&gt;Nenhum: A moça branca de neve e seu andar de graça sem me cobrar nada em troca apenas ser do jeito que eu quiser...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo acabado naquele lugar e outro à espera daquela galera que nunca se entrega e Ele gostando de ali estar. Atravessaram a rua com o peito mais estufado e mais amoroso guiados pelos passos de passeio de quem vagueia olhando para areia sem se preocupar com o mar. Nem se deu conta mas naquele instante o ventre já era passado e Ele veio à luz um cara daquele tamanho de muitos anos que útero nenhum pôde suportar até então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim de noite em Nova Iguaçu baixada fluminense ver filmes que não viram mas assim mesmo se viram e foram vistos e ouvidos e o mais que seja que não se deve ficar teorizando muito a vida pois filosofia é dispensável ao viver. Na Kombi Ele sorria e cantarolava por dentro pensando na menina branca de neve que estava do seu lado. Rui e Soninha e Ele e a menina branca de neve do Gullar. Nos fundos de uma residência onde residia o vazio dos cômodos. Ouviram vou-me embora vou-me embora eu aqui volto mais não vou morar no infinito e virar constelação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele deitou&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;, , ,&lt;br /&gt;... ... ...&lt;br /&gt;, ..., ..., ...,&lt;br /&gt;...,...,...&lt;br /&gt;,.,.,.,.,.,.,&lt;br /&gt;..,. ,.. ,., .,.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela também&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do dia que passou voando feito coisa qualquer que voa havia uma mancha acima da estação de trem que mais parecia um manto cobrindo a cama onde o sol que àquela altura já bocejava iria se deitar. E nessa hora Ele se despediu de todos e partiu com todos dentro dele no dia de seu aniversário depois que ganhou beijo da menina branca de neve e saiu sorrindo a caminho... assim foi o filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(julho de 2006)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-115255321207441602?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/115255321207441602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=115255321207441602' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115255321207441602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115255321207441602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/07/aniversrio.html' title='Aniversário'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-115188931464901248</id><published>2006-07-02T22:07:00.000-03:00</published><updated>2006-07-02T22:15:14.666-03:00</updated><title type='text'>Antinomia</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;O cigarro&lt;br /&gt;que se desprendeu&lt;br /&gt;do meu dedo&lt;br /&gt;do alto da varanda&lt;br /&gt;foi se esparramar&lt;br /&gt;sobre a mesa vizinha e&lt;br /&gt;nesse instante&lt;br /&gt;fitei o céu&lt;br /&gt;para que lágrima e chuva&lt;br /&gt;se confundissem&lt;br /&gt;na sensação&lt;br /&gt;estranha&lt;br /&gt;de fraqueza&lt;br /&gt;de impossibilidade&lt;br /&gt;de me desculpar&lt;br /&gt;por algo do qual culpa&lt;br /&gt;tenho absolutamente nenhuma&lt;br /&gt;e que se danem por isso&lt;br /&gt;e pelo asceticismo hipócrita&lt;br /&gt;tão volúvel quanto a fumaça&lt;br /&gt;daquele cigarro que agora queima lento&lt;br /&gt;e mordaz consumindo&lt;br /&gt;todo tempo&lt;br /&gt;enquanto há tempo&lt;br /&gt;que aliás o meu&lt;br /&gt;eu invento&lt;br /&gt;tanto quanto tento&lt;br /&gt;por se desprenderem de mim&lt;br /&gt;tantos eventos&lt;br /&gt;lembranças em movimento&lt;br /&gt;ao embalo do vento&lt;br /&gt;tudo lento&lt;br /&gt;len-to&lt;br /&gt;l-e-n-t-o&lt;br /&gt;feito cigarro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:100%;"&gt;(julho/2006)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:100%;"&gt;Tenho dentro de mim um sentimento bom!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-115188931464901248?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/115188931464901248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=115188931464901248' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115188931464901248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115188931464901248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/07/antinomia.html' title='Antinomia'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-115074501205876639</id><published>2006-06-19T16:17:00.000-03:00</published><updated>2006-06-19T16:23:32.100-03:00</updated><title type='text'>O cerrado que fascina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Lapsos de memória de uma viagem qualquer&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Primeiro dia – 07:15 – acho que essa é a hora; nunca uso relógio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantos os amores&lt;br /&gt;de todos&lt;br /&gt;ainda penso em você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha alma tonta&lt;br /&gt;desmancha&lt;br /&gt;vendo o ardor se perder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje quero tudo&lt;br /&gt;amanhã posso não querer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levo esse canto&lt;br /&gt;sem rumo&lt;br /&gt;já não consigo viver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem dançar meu samba&lt;br /&gt;tão bambo&lt;br /&gt;que eu insisto em bater&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Diário de Viagem ou Diário da minha viagem --&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;07:30 – talvez...!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acabei de compor um samba; bem, pelo menos essas são as palavras para representar o que fiz. Mas de qualquer modo, acabei de compor um samba, mesmo sem saber ao certo o que é uma composição; tão pouco um samba. Não que eu seja ignorante, apenas reservo a mim mesmo o direito à dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo acima do meu potencial é um sonho que se realiza a cada instante do meu sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que não fechar os olhos e pensar no show da Ivete, na vitória magra (melhor ainda, raquítica) da seleção, na vida do meu vizinho, no presente que vou dar, nas leoas, na casa própria com carro zero na garagem, na salvação da minha alma, no rap do boldinho (fé em deus, dj!), no final da novela das oito, nas bolhas de ronaldinho, no cardápio de domingo,...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não!Definitivamente não! Meu caminho vou seguir até o fim! “Mesmo se for só, não vou ceder”. Minha coroa já vesti faz tempo e não saio de casa sem ela (ouvir Los Hermanos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que meus olhos estejam fechados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa! Que vista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;07:30?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É sacanagem isso que fazem com meu coração. Não há um momento da minha existência que escape a minha reflexão. Ou há?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menina morena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever&lt;br /&gt;Te descrever&lt;br /&gt;Redigir&lt;br /&gt;Te traduzir&lt;br /&gt;Palavrear&lt;br /&gt;Te expressar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensar&lt;br /&gt;Te ter no pensar&lt;br /&gt;Olhar&lt;br /&gt;Te beijar de olhar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Letras&lt;br /&gt;Sentidos de não-sentir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te ver&lt;br /&gt;(um prazer)&lt;br /&gt;querer sem poder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorriso que venta ameno&lt;br /&gt;pra fora de ti&lt;br /&gt;pra dentro de mim&lt;br /&gt;qual Brisa...&lt;br /&gt;Mulher Bela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse poema já estava marcado na folha. Seria um sacrilégio da minha parte sacrificá-lo. Até porque ela era realmente Bela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;10: e alguma coisa!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol que ilumina, mas cega, apareceu; então pude notar que o resumo é a epiderme dos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Em alguma hora da BR-040&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes acho que a vida toda é feita de frases de efeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela manhã do primeiro dia a banda tocou enquanto estávamos no alto de um morro constatando que nossos sonhos não são maiores que aquilo que nossas vistas alcançam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Um pouco antes de dormir&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sinto no texto a prova da minha limitação. Fiz das dúvidas de Serzedas as minhas certezas. Em verdade, o espaço existente entre uma palavra e outra guarda um silêncio. E nesse intervalo mudo, me retorço pelas vontades e sentimentos. Em alguns momentos, para mim, é a falta, que tenho daquilo que deixei de ser, a minha ficção. Fora esse sujeito abstrato que paira feito nuvem, o lugar e as pessoas são muito bonitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salva de palmas para a sintaxe do interior!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já é hora de sonhar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã os rios serão a hipnose!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Depois que muitos galos cantaram&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui capturado pelo sonho, mas nem mesmo meu eu-onírico acreditou que tudo pudesse ser como antes. Foi então que densas lágrimas foram derramadas pelo pênis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pensamento perdido no tempo proclama que o sorriso talhado na minha cara é uma máscara perdida em si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como já disseram antes, muitos já estão mortos esperando o tiro de misericórdia que os liberte da agonia de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Frases anti-cronológicas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado não valeu o sacrifício!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É melhor nem ter opiniões, já que todas elas são induzidas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou, mas estou... sempre me renovando!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Último dia&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ontem as palavras sucumbiram frente a magnitude das telas que se iam pintando com os meus olhos. Hoje o sol só veio dar bom dia e se foi. Faz frio, é verdade. No entanto nada supera a temperatura glacial do meu coração. E não há chama que o aqueça ou que o faça virar cinzas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Um pouco da minha ficção&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Foi si imaginação. Ela em trajes de banho. Corpo molhado de rio. Sorriso no rosto, nos gestos e nos planos. E nada mais foi preciso, por mais impreciso fosse o meu desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O que teria sido a noite de volta...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Iniciei-a de Itutinga a São João Del Rei. Quando aqui cheguei, não havia mais passagem. Pronto! Estou num quarto de hotel contando com a sorte que quase não tenho para voltar definitivamente daqui a pouco passando antes em Juiz de Fora e depois chegar em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem um cara no quarto do lado e eu acho que ela vai chamar a polícia para me prender ou então o velho da recepção vai se esquecer de me acordar às cinco porque sozinho eu não consigo e aí eu não volto nunca mais que vontade não me falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome do hotel é Colibri e essa menção eu faço em homenagem a um amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As memórias fotográficas se perderam por nossa falta de tato com a máquina e por isso o ícone está arruinado só restando o símbolo para contar os últimos dias quem sabe a vida toda de um cara que já não sou mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poesia&lt;br /&gt;divindade ou heresia&lt;br /&gt;fervor ou agonia&lt;br /&gt;ou porra nenhuma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã eu volto&lt;br /&gt;ou melhor&lt;br /&gt;mando outro em meu lugar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sei mais se vou dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem do quarto ao lado esteve a me observar. Estou apavorado. Sinto como se a qualquer instante ele pudesse varar a janela. E eu, indefeso, seria presa fácil. Vejo seus vultos aos montes. Acho que vou ficar acordado. Nem sei se o amanhã existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei. Ou me transcendi na sua leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, onde ninguém me conhece, ou aí, onde todos julgam me conhecer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto não decido, fico à margem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fim da viagem!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(Junho de 2006 – Fábio Fonseca)&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-115074501205876639?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/115074501205876639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=115074501205876639' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115074501205876639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115074501205876639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/06/o-cerrado-que-fascina.html' title='O cerrado que fascina'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-115020211326564149</id><published>2006-06-13T09:31:00.000-03:00</published><updated>2006-06-13T09:35:13.303-03:00</updated><title type='text'>Camuflagem</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;Já que &lt;em&gt;toda unanimidade é burra, &lt;/em&gt;segue uma segunda opinião sobre a copa do mundo de futebol; texto de um aluno meu do 3º ano do Ensino Médio!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só de quatro em quatro anos&lt;br /&gt;As bandeiras vagabundas são vendidas como água&lt;br /&gt;Fitinhas de plástico baratas&lt;br /&gt;Tinta verde e amarela pra pintar a cara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O patriotismo toma conta da nação que é penta&lt;br /&gt;Beleza!&lt;br /&gt;O fogo do amor à pátria se ascende avassalador&lt;br /&gt;A devoção ao país faz lágrimas serem vertidas&lt;br /&gt;E é só de quatro em quatro anos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neutralização&lt;br /&gt;A venda é a flâmula verde e amarela&lt;br /&gt;A mordaça é o grito de gol&lt;br /&gt;E o brilho dos nossos heróis multimilionários ofusca a miséria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Celebremos as contas não pagas&lt;br /&gt;Celebremos a saúde e a educação&lt;br /&gt;Celebremos a fome e a babaquice disfarçada de revolução&lt;br /&gt;Em frente à TV e com a cerveja no copo, as mazelas se vão&lt;br /&gt;A luta se torna ainda mais desnecessária e a reação obsoleta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou “patriota”&lt;br /&gt;Atônito e impotente me vejo&lt;br /&gt;Imóvel, apenas um grito abafado deseja sair do meu peito&lt;br /&gt;Vai PUTA de chuteiras!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                          (Levi Santos)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-115020211326564149?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/115020211326564149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=115020211326564149' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115020211326564149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115020211326564149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/06/camuflagem.html' title='Camuflagem'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-115007926576817202</id><published>2006-06-11T23:07:00.000-03:00</published><updated>2006-06-11T23:27:45.806-03:00</updated><title type='text'>Poema sem sentido II</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/1600/F??bio"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/F%3F%3Fbio%20college%202.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu só quero saber até quando vou ter de continuar&lt;br /&gt;falando e cuspindo&lt;br /&gt;sempre a mesma coisa&lt;br /&gt;na cara de vocês&lt;br /&gt;um dia sim&lt;br /&gt;hei de me conquistar&lt;br /&gt;e não mais precisarei&lt;br /&gt;de muletas ou&lt;br /&gt;cadeiras ou&lt;br /&gt;guindastes ou&lt;br /&gt;ajuda dos deuses todos&lt;br /&gt;que não existem&lt;br /&gt;para me sustentar&lt;br /&gt;me levar&lt;br /&gt;suspender&lt;br /&gt;ao céu&lt;br /&gt;nuvens de algodão&lt;br /&gt;encharcadas de álcool&lt;br /&gt;e esticarei meu dedo&lt;br /&gt;com o fósforo cabeça vermelha&lt;br /&gt;incendiando aquilo&lt;br /&gt;que alguns&lt;br /&gt;acreditam ser o andar&lt;br /&gt;de cima dessa existência&lt;br /&gt;orgânica finita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só quero saber até quando meu gozo maior vai continuar&lt;br /&gt;sendo ridicularizar&lt;br /&gt;a ignorância alheia&lt;br /&gt;que modéstia à parte&lt;br /&gt;faço bem&lt;br /&gt;né seus impermeáveis (?)&lt;br /&gt;como dizia a dondoca de saltos&lt;br /&gt;que ensinava educação&lt;br /&gt;mas já tô um tanto enjoado&lt;br /&gt;de ser assim&lt;br /&gt;então muda você&lt;br /&gt;coisa ruim&lt;br /&gt;ou se muda&lt;br /&gt;mas não fica aí&lt;br /&gt;com essa cara&lt;br /&gt;essa lata&lt;br /&gt;essa carcaça&lt;br /&gt;esse merda de vida muda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só quero saber até quando minha paciência vai continuar&lt;br /&gt;agüentando&lt;br /&gt;esse seu pranto&lt;br /&gt;pela perda de um torneio esportivo&lt;br /&gt;ou então&lt;br /&gt;a sua comoção&lt;br /&gt;diante das divindades&lt;br /&gt;ou quem sabe?&lt;br /&gt;sua facilidade&lt;br /&gt;em vomitar equívocos em demasia&lt;br /&gt;porque já não cabe mais&lt;br /&gt;meu saco na minha cueca&lt;br /&gt;de furinhos&lt;br /&gt;e nem mesmo uma ceroula&lt;br /&gt;extra-grande&lt;br /&gt;seria capaz de suportar&lt;br /&gt;tamanho fardo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só quero saber até quando vou ter de continuar&lt;br /&gt;inventando&lt;br /&gt;um jeito novo&lt;br /&gt;o óbvio e ululante&lt;br /&gt;do absurdo inegável&lt;br /&gt;dessa massa de farinha&lt;br /&gt;de trigo&lt;br /&gt;com gema&lt;br /&gt;que não dá liga nem fodendo&lt;br /&gt;como diriam os paulistas&lt;br /&gt;que agora sofrem&lt;br /&gt;ou se divertem&lt;br /&gt;ou se pervertem&lt;br /&gt;no meio das matanças de esquina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só quero saber&lt;br /&gt;por último&lt;br /&gt;se o último&lt;br /&gt;da fila&lt;br /&gt;não quer me escutar&lt;br /&gt;pelo menos uma vez na vida&lt;br /&gt;nem que seja a última&lt;br /&gt;que meu amor&lt;br /&gt;como tudo que é dor&lt;br /&gt;acabou&lt;br /&gt;e agora me sobrou a vida&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-115007926576817202?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/115007926576817202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=115007926576817202' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115007926576817202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/115007926576817202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/06/poema-sem-sentido-ii.html' title='Poema sem sentido II'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-114973219844540460</id><published>2006-06-07T22:54:00.000-03:00</published><updated>2006-06-07T23:03:18.466-03:00</updated><title type='text'>Poema sem sentido</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/1600/Rosto%20bonito%20orkut.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nessas horas&lt;br /&gt;eu sempre me lembro&lt;br /&gt;da moça toda vestida de branco&lt;br /&gt;que vinha pra cima de mim&lt;br /&gt;dizendo&lt;br /&gt;calma meu amor&lt;br /&gt;é igual a picadinha de mosquito&lt;br /&gt;e pronto&lt;br /&gt;a vacina já estava aplicada&lt;br /&gt;e eu já mostrava meu sorriso&lt;br /&gt;desfalcado&lt;br /&gt;provando&lt;br /&gt;que já esqueci&lt;br /&gt;pra sempre&lt;br /&gt;você&lt;br /&gt;e na próxima vez&lt;br /&gt;vou ficar sentado&lt;br /&gt;esperando a vontade frívola passar&lt;br /&gt;sem precisar&lt;br /&gt;expor de novo&lt;br /&gt;meu lindo bum-bun-zinho&lt;br /&gt;que já não agüenta mais&lt;br /&gt;tanta marca de pé&lt;br /&gt;até porque é melhor&lt;br /&gt;ficar&lt;br /&gt;permanecer&lt;br /&gt;no texto esse&lt;br /&gt;sentimento tão perigoso&lt;br /&gt;amor&lt;br /&gt;que chamamos&lt;br /&gt;e um dia&lt;br /&gt;a moça de branco&lt;br /&gt;vai voltar e dizer&lt;br /&gt;abre a boquinha ou o cu&lt;br /&gt;e vai empurrar&lt;br /&gt;como fizeram com lauro&lt;br /&gt;uma gosma nojenta&lt;br /&gt;e já vou saber&lt;br /&gt;que o fim chegou&lt;br /&gt;e assim serei&lt;br /&gt;pra sempre&lt;br /&gt;um final&lt;br /&gt;no meio&lt;br /&gt;de tantos inícios&lt;br /&gt;e outros finais&lt;br /&gt;sem finalidade alguma&lt;br /&gt;certo de que nada&lt;br /&gt;de fato&lt;br /&gt;aconteceu&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-114973219844540460?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/114973219844540460/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=114973219844540460' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114973219844540460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114973219844540460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/06/poema-sem-sentido.html' title='Poema sem sentido'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-114893356935192352</id><published>2006-05-29T17:10:00.000-03:00</published><updated>2006-05-29T17:12:49.366-03:00</updated><title type='text'>Aula de português ou A sintaxe do coração</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Este texto eu dedico a quem eu nunca pude dedicar publicamente, apenas contava com o anonimato e assim permanecerá! Absurda contradição!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Lancei-me para fora de mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada nele negava seu estado de desconforto. Mãos, braços, tronco, cabeças, coração denunciavam as idéias em baralho. Iniciou com o seguinte desejo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu quero a classificação sintática do enunciado Vivo a espera”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já foi meio estranho, pois fugiu muito da sua postura como Professor. Mas enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio aplainou-se como quis. E a irritação do corpo tinha então sua vez. O Professor coçava o coro cabeludo meio atônito. Enfiava e desenfiava as mãos dentro dos bolsos. Lia papéis em lances de olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Alguém pode responder?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nada. Alguns cochichos se iniciaram. E logo estava um barulho insuportável aos ouvidos sensíveis de qualquer um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Silêncio, porra!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que os ouvidos do Professor fossem sensíveis. Mas neste dia, ele mesmo estava terrivelmente sensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As bocas se calaram. O Professor pode então organizar o seu pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pensem comigo, ou por si mesmos...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela pausa renitente em seus discursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Conheço uma mulher. Ela diz que me ama. Eu aceito de bom grado esse amor. Amo também. Nos amamos. Tantos amos desse amor. Muitos amos de um amor só. Amo um amor só. Só amamos um amor sem amos. É o amor!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A turma inteira em parafusos. E a irritação do professor era verborrágica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas o amor se vai. Vai envaidecido de si mesmo. Vai apodrecido pela não. Vai aquecido de saudade. Numa via sem mão vai. Quem te via domingo se vai. Foi. Já se foi e nem presente existe mais. Nunca mais vai. Mas sempre se terá ido!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu quero a classificação sintática de Vivo a espera”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não demorou muito e se ouviu a primeira manifestação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você está maluco, Professor?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Risadas foram arrancadas dos outros alunos. Mas uma porrada com o apagador no quadro-negro pôs fim à festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sim, meu amigo. Sim! Loucura é o nome exato. Aliás, me chamem de louco daqui a diante. Sou o tão insano quanto acharem que sou. Loucura nem é pecado. O paraíso é dos parvos”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irritação. Aquele era um dia difícil na vida dele. E os alunos nem mesmo sabiam análise sintática. Muita coisa tinha de ser explicada. Talvez a sintaxe da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que devo fazer pelo amor que se foi? Vivo a espera? Ou vivo a espera? Esperar enquanto vivo? Ou viver enquanto espero? Qual é a classificação sintática? Espero a resposta enquanto vivo? Ou vivo sem resposta enquanto espero? Eu quero!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irritação? Talvez mais que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Já sei Professor, já sei”&lt;br /&gt;“Então me diga quem vai me dar a classificação sintática de Vivo a espera”&lt;br /&gt;“É uma menina da série inferior que dizem que é muito inteligente”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para dentro de mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivo a espera.&lt;br /&gt;Vivo – núcleo do predicado verbal; a espera – objeto direto de vivo; objetivo.&lt;br /&gt;Sujeitos ocultos.&lt;br /&gt;Vivo a espera.&lt;br /&gt;Vivo – núcleo do predicado verbal; a espera – adjunto adverbial de vivo; maneira.&lt;br /&gt;Estados emotivos da alma: ora gozo, ora choro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão lógica da análise sintática: vivo a espera!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-114893356935192352?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/114893356935192352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=114893356935192352' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114893356935192352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114893356935192352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/05/aula-de-portugus-ou-sintaxe-do-corao.html' title='Aula de português ou A sintaxe do coração'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-114878452735130301</id><published>2006-05-27T23:40:00.000-03:00</published><updated>2006-05-27T23:52:04.610-03:00</updated><title type='text'>o que você procura aqui se encontra ao fim destas muitas outras palavras</title><content type='html'>Retornei na companhia de Pessoa&lt;br /&gt;cruzávamos uma perigosa via&lt;br /&gt;todo meu ser mergulhado na inquietude da imobilidade do corpo&lt;br /&gt;no entorno o vazio absoluto do silêncio&lt;br /&gt;as dores em festa&lt;br /&gt;dançantes&lt;br /&gt;provocantes&lt;br /&gt;pululantes&lt;br /&gt;... irritantes instantes&lt;br /&gt;os olhos se recusam a fechar&lt;br /&gt;meus sapatos, gastos&lt;br /&gt;minha calça, rasgada&lt;br /&gt;minha blusa, manchada&lt;br /&gt;bem no meio do peito&lt;br /&gt;bem no início de mim&lt;br /&gt;minha alma, abstrata!&lt;br /&gt;o fino barbante que me sustentava se partiu&lt;br /&gt;mas as lágrimas estavam contidas&lt;br /&gt;minha doce tentação&lt;br /&gt;o risco iminente da venenosa viagem venosa&lt;br /&gt;algumas palavras&lt;br /&gt;o não sentir&lt;br /&gt;lembro da boca&lt;br /&gt;do hálito&lt;br /&gt;do beijo&lt;br /&gt;não mais que lembrança&lt;br /&gt;é tão distante&lt;br /&gt;nosso prazer&lt;br /&gt;o acre sabor da perda&lt;br /&gt;a nostalgia da glória&lt;br /&gt;emaranhado de pensamentos atemporais&lt;br /&gt;uma abismal sensação de perda&lt;br /&gt;e Pessoa, a minha companhia&lt;br /&gt;o dedo que toca na ferida&lt;br /&gt;que cicatriza pela dor&lt;br /&gt;relatei quanto pude&lt;br /&gt;virei a página&lt;br /&gt;e me dei de cara com o espelho negro da memória cheia de histórias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A Tristeza que me dá ou Apenas um momento)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-114878452735130301?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/114878452735130301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=114878452735130301' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114878452735130301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114878452735130301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/05/o-que-voc-procura-aqui-se-encontra-ao.html' title='o que você procura aqui se encontra ao fim destas muitas outras palavras'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-114830554641584235</id><published>2006-05-22T10:44:00.000-03:00</published><updated>2006-05-22T10:58:26.116-03:00</updated><title type='text'>A vida em devaneio ou o amor é demais para a razão</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Eram tantos os pássaros que rodopiavam no céu&lt;br /&gt;Negros&lt;br /&gt;Que meus olhos acompanhavam&lt;br /&gt;Úmidos&lt;br /&gt;Por entre o verde-musgo das árvores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do alto desprendia-se uma lágrima&lt;br /&gt;Solitária&lt;br /&gt;A distância sempre me corrompe&lt;br /&gt;Fraco&lt;br /&gt;Já devo mais do que podia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou completamente exagerado&lt;br /&gt;Gosto dos meus dedos lambuzados&lt;br /&gt;Aguardando minha língua&lt;br /&gt;Guardiã dos meus sabores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E estava cinza o céu acima de mim&lt;br /&gt;Feio&lt;br /&gt;Espaço ilimitado sem astros&lt;br /&gt;Buraco&lt;br /&gt;Vazio no horizonte do coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rosto em tom avermelhado&lt;br /&gt;Lindo&lt;br /&gt;Rompeu o marasmo das nuvens&lt;br /&gt;Densas&lt;br /&gt;E uma ponta de luz se projetou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo interromper o choro&lt;br /&gt;Falta-me sei lá o quê&lt;br /&gt;Impossível represar os sentimentos&lt;br /&gt;Sinto falta e choro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento revolve os nimbos&lt;br /&gt;Pardacentos&lt;br /&gt;No pedaço de papel a palavra&lt;br /&gt;Única&lt;br /&gt;A forma é o castigo da matéria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingos e domingos e domingos&lt;br /&gt;Santos&lt;br /&gt;A fuga de dois amores&lt;br /&gt;Anjos&lt;br /&gt;Encontro de olhos rutilantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O beijo da partida chega cedo&lt;br /&gt;Acelero entre carros e pessoas&lt;br /&gt;Querendo voltar ao começo&lt;br /&gt;Que ainda não aconteceu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz tempo, nem eu desconfiava,&lt;br /&gt;Tento&lt;br /&gt;Mas não consigo assim tão fácil&lt;br /&gt;Durmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Monto num cavalo-alado&lt;br /&gt;Disparo&lt;br /&gt;As nuvens são a meta desmedida&lt;br /&gt;Universo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que não sei o que vai ser&lt;br /&gt;Que não me canso em te querer&lt;br /&gt;Que faço tudo pra te ver&lt;br /&gt;Que rodo o mundo pra te ter&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no fim tudo é metáfora&lt;br /&gt;Hipérbole&lt;br /&gt;Pessoas não passam de prosopopéia&lt;br /&gt;Ironia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é antítese em Camões&lt;br /&gt;Fogo&lt;br /&gt;E eu sou uma silepse da vida&lt;br /&gt;Aparente discordância&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rasgo em prantos meu viver&lt;br /&gt;Sempre espero por você&lt;br /&gt;Tanta dor a se temer&lt;br /&gt;Mais sentir do que viver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São poucos os pássaros&lt;br /&gt;Que agora rodopiam no céu&lt;br /&gt;Estão no chão em pedaços&lt;br /&gt;Não são mais negros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero minha coroa&lt;br /&gt;De espinhos&lt;br /&gt;De lágrimas&lt;br /&gt;De sangue&lt;br /&gt;De saudade&lt;br /&gt;De travessuras de menina&lt;br /&gt;De detalhes&lt;br /&gt;De poucos olhares&lt;br /&gt;De muitos beijos&lt;br /&gt;Quero já!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoa, perdoa esse coração que pulsa&lt;br /&gt;Esse amor que luta&lt;br /&gt;Essa dor resoluta&lt;br /&gt;Perdoa se te quero sempre mais!&lt;br /&gt;Se for capaz&lt;br /&gt;De me arrastar pra dentro de ti,&lt;br /&gt;Lá ficarei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro da noite veloz, só o amor pode fazer o tempo parar! O céu já se transformou a essa altura das minhas palavras! Quero mais que posso, posso mais que imagino, e imagino que amo! Poema, menina! Poema!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-114830554641584235?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/114830554641584235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=114830554641584235' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114830554641584235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114830554641584235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/05/vida-em-devaneio-ou-o-amor-demais-para.html' title='A vida em devaneio ou o amor é demais para a razão'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-114806640901805707</id><published>2006-05-19T16:18:00.000-03:00</published><updated>2006-05-19T16:20:09.020-03:00</updated><title type='text'>Poema de amor</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Que bom seria se eu nem precisasse abrir minha boca&lt;br /&gt;E tu percebesses nos meus olhos distantes a tua proximidade,&lt;br /&gt;Se pudesses notar minha angústia.&lt;br /&gt;Meu sorriso abobado. Sim!&lt;br /&gt;Abobado, sim!&lt;br /&gt;Expressão da minha serenidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderão os homens todos do mundo zombar de mim,&lt;br /&gt;Mas sentir meus prazeres, nunca.&lt;br /&gt;Poderão ser indiferentes,&lt;br /&gt;Que o mundo inteiro o seja,&lt;br /&gt;Porque não sou.&lt;br /&gt;Que bom seria!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria acordar contigo do lado e pentear teus cabelos com o olhar,&lt;br /&gt;Ver teu rosto mudar de feição a cada cena do teu sonho,&lt;br /&gt;Imergir na intensidade do momento.&lt;br /&gt;Abstrair-me da razão.&lt;br /&gt;Porque se me faltam palavras,&lt;br /&gt;Abundam em mim os sentimentos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sabes disto... e sentes isto.&lt;br /&gt;Que faço agora?&lt;br /&gt;Não são todos estes símbolos palavras?&lt;br /&gt;Não lhe apontam o caminho do que sinto por ti?&lt;br /&gt;Não dizem todas elas juntas que te amo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que bom!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter você como horizonte,&lt;br /&gt;E mesmo diante das curvas da tortuosidade&lt;br /&gt;Sorrir – gratuitamente.&lt;br /&gt;Delicioso quando de dentro do rio escuro da minha mente&lt;br /&gt;Tu saltas para dentro do meu barco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero a sorte de um amor tranqüilo&lt;br /&gt;Com sabor de fruta-menina&lt;br /&gt;Nós escondidos&lt;br /&gt;Nas sombras da esquina&lt;br /&gt;Vivendo essa palavra pequenina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor!&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-114806640901805707?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/114806640901805707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=114806640901805707' title='84 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114806640901805707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114806640901805707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/05/poema-de-amor.html' title='Poema de amor'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>84</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-114789124544438130</id><published>2006-05-17T15:37:00.000-03:00</published><updated>2006-05-19T16:17:49.566-03:00</updated><title type='text'>Relato de um novo amor</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Escritora Inglesa&lt;br /&gt;vou com ela Rumo ao Farol&lt;br /&gt;não é uma merda não&lt;br /&gt;a solidão é um exercício&lt;br /&gt;já vi gente demais na vida&lt;br /&gt;além do mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se diz que palavras representam a realidade&lt;br /&gt;quer dizer que elas não o são&lt;br /&gt;mas uma aparência&lt;br /&gt;não uma essência&lt;br /&gt;a palavra pode criar um mundo que não existe&lt;br /&gt;e fazer dele real&lt;br /&gt;subverter o que há&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando te vi, caminhando, leve sobre os dedos,&lt;br /&gt;um anjo desses que vendem em camelôs&lt;br /&gt;disse:&lt;br /&gt;“Deixa, Fábio, ela ser menina”&lt;br /&gt;eu te vendo passar, agitada, alegre&lt;br /&gt;é bonito ficar te olhando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita vontade de olhar para ti&lt;br /&gt;teu rosto ainda é uma incógnita&lt;br /&gt;só vejo de longe&lt;br /&gt;e na estaticidade e marasmo das fotos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser que a gente nem sinta atração um pelo outro&lt;br /&gt;pode ser que o cheiro não agrade&lt;br /&gt;pode ser que tudo dê errado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no fundo no fundo, independente da ruína de qualquer castelo...&lt;br /&gt;quero viver isso!&lt;br /&gt;ou melhor, estou vivendo!&lt;br /&gt;e não há o menor sinal do sopro&lt;br /&gt;e nenhuma nuvem se encaminha com a gota torrente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fico te olhando&lt;br /&gt;nas poucas vezes que te vejo&lt;br /&gt;com precisão&lt;br /&gt;e vou fazendo um desenho do teu rosto&lt;br /&gt;com o meu olhar&lt;br /&gt;que vai mandando para memória&lt;br /&gt;seu retrato&lt;br /&gt;de frente&lt;br /&gt;de lado&lt;br /&gt;do meu lado&lt;br /&gt;sem forma&lt;br /&gt;e nunca fica do jeito que é&lt;br /&gt;sempre há uma mudança&lt;br /&gt;quando consulto&lt;br /&gt;o álbum da minha lembrança&lt;br /&gt;mas você está sempre lá&lt;br /&gt;isso é engraçado&lt;br /&gt;porque faz bem recordar&lt;br /&gt;você que é linda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei em frente a tua casa ontem à noite&lt;br /&gt;quase joguei uma pedra na vidraça&lt;br /&gt;mas temi errar o quarto&lt;br /&gt;então passei&lt;br /&gt;nem quebrei&lt;br /&gt;nem chamei&lt;br /&gt;só pensei&lt;br /&gt;e foi bom&lt;br /&gt;isso só pode ser amor! &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-114789124544438130?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/114789124544438130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=114789124544438130' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114789124544438130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114789124544438130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/05/relato-de-um-novo-amor.html' title='Relato de um novo amor'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-114701655911750540</id><published>2006-05-07T12:38:00.000-03:00</published><updated>2006-05-07T12:42:39.136-03:00</updated><title type='text'>Anatomia literária do Homem</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Os homens e seus carros&lt;br /&gt;e seus rastros&lt;br /&gt;e seus mastros&lt;br /&gt;tombados, quebrados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e seus instantes&lt;br /&gt;e seus semblantes&lt;br /&gt;tão replicantes&lt;br /&gt;Estanques, distantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e seus sonhos&lt;br /&gt;Estranhos&lt;br /&gt;Em rebanho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e suas bebidas&lt;br /&gt;E suas feridas&lt;br /&gt;Pessoas perdidas&lt;br /&gt;Moribundos, sem vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e seus carnavais&lt;br /&gt;E seus arraiais&lt;br /&gt;Cegos demais&lt;br /&gt;Ninguém é capaz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e seus sonhos&lt;br /&gt;Estranhos&lt;br /&gt;Em rebanho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e suas medidas&lt;br /&gt;Atitudes fingidas&lt;br /&gt;Vontades iludidas&lt;br /&gt;Escolhas ruídas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e suas carícias&lt;br /&gt;Tão caras delícias&lt;br /&gt;Cheias de malícias&lt;br /&gt;Razões fictícias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e seus sonhos&lt;br /&gt;Estranhos&lt;br /&gt;Em rebanho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e o seu dinheiro&lt;br /&gt;Seu bote ligeiro&lt;br /&gt;Nenhum companheiro&lt;br /&gt;Sozinho, solteiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e seus amores&lt;br /&gt;Campo vasto de flores&lt;br /&gt;Que se desmancha em dores&lt;br /&gt;Emoções tão incolores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e seus sonhos&lt;br /&gt;Estranhos&lt;br /&gt;Em rebanho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e suas picuinhas&lt;br /&gt;Feito galos em rinhas&lt;br /&gt;Por alegações tão mesquinhas&lt;br /&gt;Tão inhas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e seus destinos&lt;br /&gt;Seus olhos de meninos&lt;br /&gt;Desejos pequeninos&lt;br /&gt;Assim tão libertinos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e seus sonhos&lt;br /&gt;Estranhos&lt;br /&gt;Em rebanho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e suas crenças&lt;br /&gt;Tão pouco intensas&lt;br /&gt;Só mais pretensas&lt;br /&gt;De ofensas, sentenças&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e suas críticas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Opiniões fatídicas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e seus negócios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E seus imbróglios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e seus bens&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que são reféns&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que merda os homens&lt;br /&gt;Que homens tão homens&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e seus sonhos&lt;br /&gt;Estranhos&lt;br /&gt;Em rebanho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem assim tão manco&lt;br /&gt;Assim tão bambo&lt;br /&gt;Segue o balanço&lt;br /&gt;E pega no tranco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou deixa o motor morrer de pranto&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-114701655911750540?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/114701655911750540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=114701655911750540' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114701655911750540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114701655911750540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/05/anatomia-literria-do-homem.html' title='Anatomia literária do Homem'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-114633728556785126</id><published>2006-04-29T15:58:00.000-03:00</published><updated>2006-04-29T16:01:25.586-03:00</updated><title type='text'>No bar</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Cheguei&lt;br /&gt;Depositei minhas chaves&lt;br /&gt;O maço já estava amassado&lt;br /&gt;Algumas moedas rodopiavam em torno de si mesmas&lt;br /&gt;Como a terra, a própria terra de moedas&lt;br /&gt;Num assento pousei meu rabo&lt;br /&gt;Trouxeram-me bebidas&lt;br /&gt;Acendi o primeiro&lt;br /&gt;Li um pouco&lt;br /&gt;Reli minhas páginas em branco&lt;br /&gt;Tentava, mas não conseguia&lt;br /&gt;Um sujeito acenou com a cabeça&lt;br /&gt;Fingi não ver&lt;br /&gt;O copo já estava quase vazio&lt;br /&gt;As provas descansavam sobre a mesa&lt;br /&gt;Vozes ressonantes de trás pra frente&lt;br /&gt;Nas costas&lt;br /&gt;No entorno mais frágil de mim&lt;br /&gt;Paguei caro&lt;br /&gt;Dois e vinte&lt;br /&gt;Muito caro&lt;br /&gt;Onde estará?&lt;br /&gt;No leito do sono&lt;br /&gt;Ou no regato do sonho!&lt;br /&gt;Lá vem vindo mais alguém&lt;br /&gt;Estranho&lt;br /&gt;Eles vêm e se vão&lt;br /&gt;E se vão... e se vão&lt;br /&gt;Primeiro intervalo&lt;br /&gt;A cascata de urina&lt;br /&gt;Mais uma&lt;br /&gt;Nunca uma basta&lt;br /&gt;Acendi o segundo&lt;br /&gt;Brasa forte queimava meus pensamentos&lt;br /&gt;De lado a outro&lt;br /&gt;Um ser mitológico&lt;br /&gt;Meio homem meio moto&lt;br /&gt;Zanzavaeziguezagueava&lt;br /&gt;Um cheiro de carne&lt;br /&gt;Eu cheio de fome&lt;br /&gt;Onde estará?&lt;br /&gt;A terra de moedas é tão grande&lt;br /&gt;Chacoalhei minhas chaves&lt;br /&gt;Reli&lt;br /&gt;Algumas páginas eu pulei&lt;br /&gt;De propósito&lt;br /&gt;Fiz gabaritos de sorte&lt;br /&gt;Homero&lt;br /&gt;O frango no espeto&lt;br /&gt;A mesa era verde&lt;br /&gt;O assento vermelho&lt;br /&gt;Quase perpétuo&lt;br /&gt;Onde estará?&lt;br /&gt;No leito do sono&lt;br /&gt;Pensei em sair&lt;br /&gt;Mas desisti&lt;br /&gt;Acendi o terceiro&lt;br /&gt;Amargo acre desgosto&lt;br /&gt;Parafraseei meus planos&lt;br /&gt;Parodiei minhas derrotas&lt;br /&gt;Ridículas&lt;br /&gt;Pedi mais uma&lt;br /&gt;Gelada&lt;br /&gt;No céu havia o céu&lt;br /&gt;Mais nada&lt;br /&gt;Segundo intervalo&lt;br /&gt;No embalo&lt;br /&gt;É amarelo o líquido&lt;br /&gt;Tumulto alarde alvoroço&lt;br /&gt;As provas estavam todas ali&lt;br /&gt;Onde estará?&lt;br /&gt;Sabe-se lá&lt;br /&gt;Sente-se aqui&lt;br /&gt;Sinto-me aqui&lt;br /&gt;Sinto-me lá&lt;br /&gt;Sento-me cá&lt;br /&gt;Paguei caro&lt;br /&gt;Dois e vinte&lt;br /&gt;Tudo em trocados&lt;br /&gt;Sorvi meus sonhos&lt;br /&gt;Lá vem ele mais uma vez&lt;br /&gt;Monstro mitológico&lt;br /&gt;Quero escrever, mas não posso&lt;br /&gt;Preciso viver&lt;br /&gt;Uma das vozes me lembra&lt;br /&gt;Ressonância&lt;br /&gt;Um eco na minha lembrança&lt;br /&gt;Um beijo&lt;br /&gt;Um toque&lt;br /&gt;Um trejeito&lt;br /&gt;Onde estará?&lt;br /&gt;Ah!&lt;br /&gt;Não é só deus que se esquece&lt;br /&gt;Um milagre por favor&lt;br /&gt;Não há motivos&lt;br /&gt;Empunho a caneta&lt;br /&gt;Tomo à frente o papel&lt;br /&gt;Perfuro&lt;br /&gt;E o sangue escorre&lt;br /&gt;Pelos dedos&lt;br /&gt;Pelos medos&lt;br /&gt;Que instante&lt;br /&gt;Que já se foi&lt;br /&gt;Que não é mais&lt;br /&gt;Adeus à terra de moedas&lt;br /&gt;Acendo o quarto&lt;br /&gt;E peço mais uma&lt;br /&gt;Mas antes mesmo&lt;br /&gt;Confesso&lt;br /&gt;Em silêncio&lt;br /&gt;Meus afetos&lt;br /&gt;Onde estará?&lt;br /&gt;Onde será?&lt;br /&gt;Quem a terá?&lt;br /&gt;Por que os gabaritos?&lt;br /&gt;Não são todos iguais?&lt;br /&gt;Guardei-me do mal&lt;br /&gt;Lembro de versos&lt;br /&gt;Mas não converso&lt;br /&gt;Sou mudo no mundo&lt;br /&gt;Imundo&lt;br /&gt;Moribundo&lt;br /&gt;Cessaram as vozes&lt;br /&gt;Paguei caro mesmo&lt;br /&gt;Dois e vinte&lt;br /&gt;Cadê a próxima?&lt;br /&gt;Essa abstração&lt;br /&gt;Mero discurso&lt;br /&gt;Só tenho o agora&lt;br /&gt;Parti&lt;br /&gt;Sei lá pra onde&lt;br /&gt;Mas fui&lt;br /&gt;Olhos estático-lunáticos&lt;br /&gt;Variedade homogênea de si&lt;br /&gt;Disperso&lt;br /&gt;Depois desperto&lt;br /&gt;Não sei se está&lt;br /&gt;Deixo a guia me levar&lt;br /&gt;Na profusão da vida.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-114633728556785126?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/114633728556785126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=114633728556785126' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114633728556785126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114633728556785126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/04/no-bar.html' title='No bar'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-114616734874893727</id><published>2006-04-27T16:46:00.000-03:00</published><updated>2006-04-27T16:49:08.766-03:00</updated><title type='text'>Uma pequena história de como pode ser o amor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Para Carlos Henrique dos Santos e sua indomável...&lt;br /&gt;Colaborou Ana Macarena Suarez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I. crise das vontades e desejos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dois dias, Julia tinha retornado de sua viagem à Espanha. Aquele pedaço de terra entre o Mediterrâneo e o Atlântico representou alguma descoberta importante para ela. Até então, desde a sua volta, não viu Pedro. Um jantar marcado para aquela noite seria o evento do reencontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olhar de nostalgia recente talvez entregasse Julia. Uma leve lembrança com sabor ameno e gosto de puchero. E um medo terrível de encontrar Pedro sem saber como dizer a ele...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relacionamento entre os dois já durava uns cinco anos. Estavam bastante próximos de se tornar uma instituição. O casamento vinha sendo preparado pelas suas famílias à velocidade que as aparências permitiam. Pedro era um bom partido. Formado em Odontologia, consultório próprio... um belo futuro, por mais que o amanhã fosse pura especulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles eram um casal que se pode chamar de bem encaminhado. Julia havia estudado Artes. A escolha profissional errada, como sempre salientava seu pai, seria compensada pela predileção sensata do noivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Toma aqui, mamãe. Trouxe pra você. Esqueci de entregar e agora, arrumando as coisas, eu encontrei”.&lt;br /&gt;“Brigada, filha! El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de la Mancha”.&lt;br /&gt;“Esta é uma edição de mais ou menos 1705, exatamente 100 anos depois que Cervantes o publicou pela primeira vez. Arrematei-a num leilão de livros antigos”.&lt;br /&gt;“Nossa, filha! Deve ter custado muito...”&lt;br /&gt;“Que nada! O leiloeiro trapaceou nos lances pra me favorecer na hora das ofertas”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saiu de Madri, no centro da Espanha, Julia cismou de conhecer Toledo, pequena cidade que um dia havia sido capital do Reino de Castilla. Como uma urbe desta era pós-moderna, cheia de influências distintas, formando o hibridismo enquanto característica fundamental do meio e das pessoas, – quase esquizofrênicas – Toledo reunia marcas de inúmeros povos que já a haviam conquistado, ou por ela haviam sido conquistados – não se sabe... a história oficial é só mais um texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em apenas um dia, Julia pode conhecer aquela terra dominada por um passado e história confusos. Banhada pelas águas escuras do Tejo, a cidade-fortaleza parecia se proteger do resto do mundo com suas imensas muralhas: “urbs parva sed loco munita”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto caminhava pelas vielas acanhadas e sinuosas da cidade, Pedro sempre vinha à mente de Julia. Ela estava um tanto quanto assustada com a idéia de ter de casar com ele após seu retorno. Sentira dentro de si que apenas o costume dos anos não bastaria para sustentar o matrimônio. Mas estava disposta a fazer a vontade dos pais, sacrificar-se, morrer antes do fim da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, andar por aquelas ruas conduzia Julia a um estado diferente. Entre os prédios pequenos e ancestrais, seu ânimo se reconfortava, sentia um ar de tranqüilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passeava por sobre os caminhos de paralelepípedo como que a contar cada pedra que seus passos iam seguindo. Um por um. Julia se libertava das suas angústias, das incertezas, dos labirintos que haviam sido construídos dentro dela. Ou pelo menos se esquecia deles. Talvez um pouco embalada pelo tom cambaleante das taças de vinho que tomara numa cantina qualquer daquelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Oi, meu amor! Estou ansioso pra te ver hoje à noite”.&lt;br /&gt;“Logo as horas passam”&lt;br /&gt;“Que você tem feito, Ju?”&lt;br /&gt;“Nada. Tenho separado a roupa suja da viagem pra lavar”&lt;br /&gt;“Você sabe que eu te amo, não sabe?”&lt;br /&gt;“A gente se vê... beijos”&lt;br /&gt;“Passo na tua casa no cair da noite”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez não suportasse a combinação de resultados, talvez fosse incapaz de obedecer aos passos tradicionais de sua família. Começava a se questionar se conseguiria viver a vida inteira portando algumas máscaras ocasionais, sem poder, como em Toledo, estufar o peito e respirar com prazer o combustível adocicado da liberdade. Nem mesmo sabia o que era ser livre, por isso não se empenhava, por isso ainda se perguntava tanto. Tudo estava agora embaralhado. E ainda por cima, sucedia toda aquela história da Espanha, de Toledo e sua catedral gótica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julia desligou o telefone com ar evasivo. Começou a constatar que não queria ver Pedro naquele dia, nunca mais. Um desprezo pelo noivo, misturado às frustrações, arrancou dela lágrimas que vinha de suas zonas viscerais. Ela arremessou o corpo contra o colchão já velho, escondeu a cara molhada do mundo. Sentiu uma vergonha imensa diante daquela situação toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se para olhar a vista da sacada do seu apartamento. Sentiu uma intensa ligação com as nuvens cinzas carregadas que se precipitavam bruscamente ao chão, inundando as valas já saturadas das avenidas. Seu pranto aumentou e ela tinha a sensação de que dos seus olhos vinha a razão para a chuva que caía no lado de fora... dela, do apartamento. Lembrou, assim, do dia em que esteve em Toledo, do instante em que fora surpreendida por uma garoa fina que pendia sobre a sua cabeça, lembrou do cabelo orvalhado de um menino que brincava de esconder-se de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas sensações tão distintas. Um mesmo episódio e uma multiplicidade de sentidos. A chuva que afoga refrescando suavemente as dores. A enchente de angústias, frustrações, incertezas paradoxalmente acalentando Julia, saciando a sede. O vinho, as ruas, o Tejo. O quarto, o claustro, o compromisso. Uma Julia mais Julia do que nunca, liberta. Outra, aprisionada, sedenta de se permitir que a vida lhe saltasse dos poros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Alô?”&lt;br /&gt;“Oi, amor... pode descer, estou esperando por você...”&lt;br /&gt;“Tá bom... já vou...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despediu-se dos pais com o rosto ainda úmido – um tanto amassado – e acionou o elevador. Ela não sabia se havia feito Pedro esperar muito. E toda espera, Julia associava à prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que se importar com a espera de Pedro? E o que ela mesma aguardava da vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao entrar no elevador, um casal de anciãos lhe sorriu. Ela acenou com a cabeça enquanto os observava de soslaio. As rugas ganhavam a atenção de Julia com enormidade. Quando saltou do elevador, despediu-se do ascensorista... despediu-se de Pedro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II. encanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julia estava em frente à catedral gótica de Toledo. Sentiu-se insignificante. Já dentro do templo, a Maja Desnuda de Goya contemplava seu medo, ao mesmo tempo em que a inquiria sobre seus próprios e mais íntimos desejos. Onde estaria aquele leiloeiro? Aquele louco de cabelos longos e olhos oblíquos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho pelas obras de Goya ainda foi arrebatada pela fome insaciável de Saturno, que de dentro da tela devorava seus filhos, devorava quem os assistia, devorava Julia... primeiro a cabeça, a razão inteira, depois o corpo, a libido e a vontade reprimidas... as mãos daquele deus apertando as entranhas dela... as pontas dos dedos enterradas na carne... dor e amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hola!”&lt;br /&gt;“Dios mio!”&lt;br /&gt;Julia se assustou.&lt;br /&gt;“De ningún modo... dios de lo tiempo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz. O louco leiloeiro que tirara o sono de Julia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saíram os dois. Caminhavam em silêncio enquanto tentavam desvendar os pensamentos um do outro. O leiloeiro de livros elogiou o sorriso de Júlia. Ela apenas confirmou a gentileza esticando a pele do rosto, dando lugar aos dentes pequenos, quase de criança, o nariz que se franzia e os olhos apertados. Sentaram-se então à porta de uma adega e pediram o cardápio. Nenhum deles parecia certo do pedido que iriam fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Contame,quando volvés a tu casa?”&lt;br /&gt;"No sé muy bien, queria quedarme un poco más ..pero si vuelvo me caso"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leiloeiro voltou seus olhos para as colunas que se erguiam para sustentar as marquises de um prédio à frente. Pensou como seria se aquela marquise não tivesse as tais colunas... em como poderiam se manter paralelas ao chão daquele jeito tão harmônico, numa sincronia que no segundo olhar já se transformaria, no entanto em monotonia. Por que não podiam ser arrebatadas pelo vestíbulo? Enquanto um sustentava o outro, em algumas oportunidades eram agraciados pela sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“No vuelvas, quedate en España”&lt;br /&gt;“No sabés lo que me estás pidiendo”&lt;br /&gt;“Y vos sabes exactamente?”&lt;br /&gt;“Tengo!”&lt;br /&gt;“Si tuvieras,te quedarias”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos se cercaram de censuras. Contiveram as palavras. Entregaram-se apenas aos pensamentos quase solitários, mas que muitas vezes se encontravam ao acaso, assim como acontecera com seus corpos. Porém esse embate de idéias, com forma de fantasia, de devaneios, tornava a situação mais delicada. O leiloeiro se arrefecia com o temor da partida de Júlia. Esta se aquecia enquanto podia naqueles dias em Toledo. O resto de vida depois de seu retorno poderia ser um longo inverno, em que cada folha seca de sua árvore iria aos poucos se desprendendo dela, sem nenhuma chance de ser tornar outra vez uma copa de felicidades e prazeres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Entonces andate, volvé, porque nunca viniste... y si voniste, viniste con tán poca fuerza que ni noto tu falta quando te vayas. Tengo mis planes, que puede ser que no funcionen, pero igual los hago de vuelta...”&lt;br /&gt; “Vos no entendés”&lt;br /&gt; “No, Julia, vos sos la que no entendés... o queres otro entendimiento de la situación... siempre tenemos otra salida!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III. desencanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julia tomou o caminho da entrada de serviços. Quando estava já na calçada dos fundos do prédio, olhou em muitas direções, até tomar, nem sabia porque, uma delas. Seu rosto empalidecia a cada passo apressado. Ninguém a entenderia... seu pai, Pedro e nem mesmo sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela percorreu três quarteirões e certamente não tinha ainda um destino. Onde está essa outra saída que ele me falou? Eram ruas paralelas, perpendiculares, fechadas, sinuosas... mas qual era a referência? Parou em frente a uma loja de vestidos e roupas de traje fino. Admirou-se com um vestido sem decote algum, de cor cinza, alguns detalhes em linhas tracejadas pelo tecido, que parecia ser de seda. Pôs as mãos sobre a vitrine e deixou-se escorregar lentamente até sentar-se no chão, como um cadáver, que nem mesmo era notado pelas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casaram-se alguns meses depois deste dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Já que não pude negar, deixo então a morte nos separar...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV. desencanto e encanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Y ahora pongo otros livros en remate... preparen sus lances, porque ahora solo vendo al que pagar el mejor precio”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas antes mesmo de iniciar o pregão sobre a obra, uma outra mulher já o arrematara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; (Fábio Fonseca - 2006)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-114616734874893727?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/114616734874893727/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=114616734874893727' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114616734874893727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114616734874893727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/04/uma-pequena-histria-de-como-pode-ser-o.html' title='Uma pequena história de como pode ser o amor'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-114583594758134005</id><published>2006-04-23T20:38:00.000-03:00</published><updated>2006-04-23T20:45:47.596-03:00</updated><title type='text'>Ensaio sobre a alienação</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;BEM... UM POUCO DIFERENTE DO QUE TENHO PUBLICADO AQUI, ESSE TEXTO É UMA... É... BEM, DEIXE-ME VER UM ISNTANTE... É... Ô, MÃE, QUE QUE É ISSO AQUI, HEIN??? É... AH, LÊ AÍ E DEPOIS ME DIZ...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Podemos chamar de ensaio. Podemos chamar também de desabafo. Pois aquilo que aqui será escrito talvez não possa ser chamado, ao pé da letra, de ensaio. Tudo que aqui for citado não respeitará nenhuma convenção, não se enquadrará em padrão algum, nem em norma qualquer. O academicismo, na maioria dos casos, tão somente obscurece o pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao caráter, quanto à natureza desse pensamento que pretendemos expor, também estamos avessos a classificações. Seria filosófico, pois? Não se sabe. Fiquemos apenas com esta dúvida. E todas aquelas que por ventura vierem a brotar de todas as leituras possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando considerarmos conveniente, forneceremos as fontes de influência de nosso discurso. Noutras, porém, negligenciaremos, ou por propósito qualquer, ou por simples falha de memória. Além disso, o texto não é outra coisa senão o ponto de encontro de inúmeros discursos, seja atribuído a ele ou não uma autoria que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até então, nem mesmo tocamos no ponto nevrálgico do debate, ou do desabafo. Discutiremos a tão latente questão da alienação. Esta palavra tão corriqueira. Tão oportuna nos discursos acalorados. E talvez de tão banal, deslocada de seu centro específico. Se é que tal afirmação pode ser feita. Afinal, a palavra é signo ideológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas para nos situarmos dentro desta questão complexa, poderíamos discutir, anteriormente, as acepções mais comuns do termo: transferir a outrem; ou quando com o acompanhamento do pronome, endoidecer, enlouquecer, desvirtuar-se; ou ainda afastamento, separação. Sendo assim, se torna tarefa das mais complicadas analisar tal ponto, uma vez que sua dimensão significativa é ampla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nos chama mais atenção um sentido recente que se pode perceber nas vozes de contestação. E que se associa a outro termo conhecido da academia, e polêmico, é verdade: massa. São ouvidas aos quatro ventos expressões do tipo: as massas alienadas, alienação das massas,... de fato um bicho enorme, tamanha a generalização de tais afirmações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é a massa? Ou, de que é feita a massa? Bem se sabe que as de bolo são verdadeiras misturas de farinhas, ovos, leite e mais alguns ingredientes. Então são todos eles alienados? E se a massa é realmente alienada, que seria então o recheio do bolo? Como ficam as infinitas coberturas, todas com seus ingredientes específicos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como podemos ver, a culinária é uma ciência muito complexa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se afirmarmos que a massa está alienada, subentende-se um discurso produzido na terceira pessoa. Ou seja, aquele que fala se distancia daquilo que fala. Ou seja mais uma vez, quem fala não é massa. Será? E se não for, quem seria o quem fala, especificamente. Um super-herói moderno de ideologia deturpada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria então a alienação uma ação involuntária, ou uma fraqueza daqueles que não nasceram predestinados ao senso crítico individual? Seria, talvez, a demonstração mais cabal do estágio de auto-indução descrito por Freud? Quando o intervalo entre a consciência e a subconsciência torna o mundo onírico o mais possível? Será por essa razão que as propagandas publicitárias funcionam tão bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente isso aqui não é um ensaio. Não resistiria a uma olhadela de um orientador da academia. Mas isso pouco importa. Pois vamos sustentar a dúvida. Não estamos atrás de uma verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sujeito que entra na universidade, por exemplo. Poderíamos tomá-lo como um espécime perfeito da evolução intelectual? Aquele que se liberta da condição de massa e atinge o nível do recheio do bolo? Pois bem. Talvez não. E porque a estatística é “carrasca” nas mãos de quem a manipula, podemos ver nesse seres teoricamente em evolução a prova real e mais assustadora da regressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensemos na biblioteca, por exemplo, aquele empírico hotel de traças. Até mesmo os que costumam freqüentá-la – referimo-nos agora a pessoas – recebem tal alcunha. Lá se concentram textos, palavras em ordenação, que talvez provoquem a desordem que tanto necessitamos. Que poucas vezes se transformaram em discurso. Permanecerão na inutilidade e esterilidade do texto em hibernação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais comum é que um estudante a visite (a biblioteca) dentro das suas obrigações de pesquisa, alimentadas, em sua maioria, por uma ambição intelectual do professor, e não do aluno. Seria isso um exemplo de alienação? Isto põe a teoria primeira da evolução ideológica em xeque? Talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concretamente, estes alunos preferem ter em suas cabeças o rap do boldinho e não o caminho da introspecção até se atingir o farol, da Virgínia Woolf; preferem o pagode de sábado à discussão sólida e bem fundamentada da relação entre comunismo, capitalismo, emoção e razão de São Bernardo; preferem ser Sanção, ao invés do burro, de Orwell; preferem o vôo ao espaço de Marcos Pontes que a viagem ao inferno da vida de Álvaro de Campos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pasmem, religiosos, preferem até mesmo a taça da copa do mundo, cheia de ouro e glamour, ao humilde santo graal. Nada se torna práxis sem uma dialética. Então, qual seria o papel dos alienados nisso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensamos que isto aqui mais parece um desabafo mesmo; e como todos, este termina sem um desfecho. E o desabafo é uma atitude quase insana, quase enlouquecida, quase endoidecida... quase alienada, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-114583594758134005?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/114583594758134005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=114583594758134005' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114583594758134005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114583594758134005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/04/ensaio-sobre-alienao.html' title='Ensaio sobre a alienação'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-114505811060185123</id><published>2006-04-14T20:38:00.000-03:00</published><updated>2006-04-14T20:41:50.616-03:00</updated><title type='text'>Tudo que sempre quis escrever ou todos são idiotas</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Tudo que sempre quis escrever ou todos são idiotas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São oito horas da noite. Estou em frente ao computador enquanto penso num conto. As teclas parecem desafiar meus dedos na busca por uma palavra que seja. Acesso a rede mundial de computadores. Tenho agora, virtualmente, o mundo inteiro ao meu dispor; o controle total do planeta que me cabe; na minha infância a bolinha de gude era o globo em miniatura, agora ele possui formato de tela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já incluído e inserido digitalmente, confiro recados, envio mensagens, mas o texto em si eu ainda não consigo iniciar. Parece que não, mas em meio a uma série de informações me vejo dentro de O Grande Ditador, com aquela bola pra lá e pra cá, Hitler e seu brinquedo bola, Chaplin e seu brinquedo Hitler... mas texto eu ainda não comecei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No programa – engraçada essa palavra, não é mesmo? – de relacionamentos, apenas possíveis, leio frases. Transa eh arti, gozr fz parti, engravidr eh modah, axumi o filho q é phoda!! Por que será que se chama programa? Por que está tudo programado? Alguém aí perdeu o chip da dedução óbvia? Que frase maneira. Inspira o inspirável... programa. Que dizer então do texto que não consigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso na Beth. Que será que Beth está fazendo agora? Acho até que posso responder a minha própria questão. Então por que a fiz? Posso tê-la feito inutilmente! Todo esse palavrório pode não ser necessário. Até pelo fato de que como diz uma outra frase, os alckimistas estão chegando, estão chegando os alckimistas. Puta frase inteligente! E o texto nada! Te cuida, fruto-do-mar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanto, ando, fumo cigarro, coço meu saco, bico um sapato, fico de lado, olho um retrato, coço meu saco, apago o cigarro, ligo o rádio, subo num estrado, me canso, não caio, balaio de gato, estico no prato, esquento o barato! Ih!!! Acho que fiquei resfriado! E o texto não sai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho que escrever esse raio de conto ainda hoje. Nem que eu tenha que vender minha alma ao diabo. Esse texto sai-sim-sinhô! Mas olha essa frase: nem só de pão o homem pobre viverá, mas também da mortadela barata e do café fraco!!!! Essa frase é blasfêmia, dirão os religiosos. Um despautério herético da parte de um sujeito absorto pelo pecado! Será que eu escrevo conto ou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;poesia?&lt;br /&gt;um nó desatado&lt;br /&gt;no exato instante&lt;br /&gt;no melhor dos ângulos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;frase: comunicação averbal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dói? dói?&lt;br /&gt;foda-se tua dor&lt;br /&gt;também dói em mim&lt;br /&gt;a tua dor&lt;br /&gt;fodam-se todos nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;poesia ou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto. Ainda não está decidido o que escrever. Mas quando exatamente se toma tal decisão? Escrever é tomada de decisão ou decisão não tomada? Apenas a representação de todo e qualquer ato, estado ou sentido que seja. E por que eu devo escrever? Se há razão, por que não me deixam encontrá-la sozinho. Pois aí eu a destruo; e os homens morrerão de frio, porque Prometeu já foi derrotado. E Sócrates era só um amigo imaginário utópico de Platão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acaba aqui e vou ficar sem escrever nada mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-114505811060185123?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/114505811060185123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=114505811060185123' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114505811060185123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114505811060185123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/04/tudo-que-sempre-quis-escrever-ou-todos.html' title='Tudo que sempre quis escrever ou todos são idiotas'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-114420868599131976</id><published>2006-04-05T00:44:00.000-03:00</published><updated>2006-04-05T00:44:45.993-03:00</updated><title type='text'>A nuvem</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A nuvem&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há pouco tempo tive uma revelação,&lt;br /&gt;fala baixinha,&lt;br /&gt;no fundo sem fundo do ouvido,&lt;br /&gt;tão baixinha&lt;br /&gt;que custa a acreditar que é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sequer foi a esperança,&lt;br /&gt;que venta fraca&lt;br /&gt;e quase não balança&lt;br /&gt;os fios embolados&lt;br /&gt;do meu cabelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconfiei,&lt;br /&gt;mas logo percebi&lt;br /&gt;que não se tratava da voz grave&lt;br /&gt;da revolução,&lt;br /&gt;ah, isso também não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calei tudo quanto podia,&lt;br /&gt;porque havia me parecido ser o canto&lt;br /&gt;das ninfas,&lt;br /&gt;meu convite&lt;br /&gt;ao prazer eterno... mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, na cegueira surda&lt;br /&gt;de não saber o gosto,&lt;br /&gt;me fiz fascinação.&lt;br /&gt;Cada momento&lt;br /&gt;de vida&lt;br /&gt;se redigia&lt;br /&gt;nos versos mais belos,&lt;br /&gt;nas estrofes mais ou menos tortas&lt;br /&gt;da falta de hábito,&lt;br /&gt;nas coletâneas de noites&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de amores sem cores&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;ódios sem dores&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;campos sem flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo se evaporou&lt;br /&gt;em direção ao céu&lt;br /&gt;onde nada se distingue,&lt;br /&gt;nem mesmo as coisas sólidas,&lt;br /&gt;porque não as alcançamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei preso ao solo sem poder voar como queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vez em quando&lt;br /&gt;eu&lt;br /&gt;me arrisco a olhar o céu,&lt;br /&gt;e lá está ela,&lt;br /&gt;a nuvem,&lt;br /&gt;que se desloca e transforma me entorta a cabeça e se vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De cores e formas,&lt;br /&gt;variadas,&lt;br /&gt;gotículas esparsas&lt;br /&gt;me pingam na testa,&lt;br /&gt;escorrem pelos olhos,&lt;br /&gt;saciam a sede,&lt;br /&gt;agravam o desejo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e caem no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pouco tempo tive uma revelação, só me resta saber...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-114420868599131976?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/114420868599131976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=114420868599131976' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114420868599131976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114420868599131976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/04/nuvem.html' title='A nuvem'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-114420840775785429</id><published>2006-04-05T00:35:00.000-03:00</published><updated>2006-04-05T00:43:58.806-03:00</updated><title type='text'>As sensibilidades poéticas</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Sensibilidade&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A mais bela Vista&lt;br /&gt;Não posso...&lt;br /&gt;Minhas Retinas não suportam&lt;br /&gt;Tamanho brilho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As Retinas&lt;br /&gt;Dos meus olhos&lt;br /&gt;São ainda virgens...&lt;br /&gt;Inocentemente controladas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como pode ser a Vista?&lt;br /&gt;O brilho intenso cega&lt;br /&gt;Todas as manhãs&lt;br /&gt;E rouba das minhas retinas&lt;br /&gt;As cores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó Vista!&lt;br /&gt;Fundo de tela!&lt;br /&gt;Me liberta desse teu brilho,&lt;br /&gt;Dessa minha espera!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que minhas Retinas possam&lt;br /&gt;Passear livres no espaço&lt;br /&gt;elas&lt;br /&gt;(entre)&lt;br /&gt;Vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pura meninice&lt;br /&gt;Pensar a Vista sem vida&lt;br /&gt;Vontade de ser vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansada, a Vista se apaga&lt;br /&gt;Liberta seu ódio&lt;br /&gt;Se esconde&lt;br /&gt;Em raios e trovões&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais luz...&lt;br /&gt;Minhas Retinas não&lt;br /&gt;Não mais suportam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estáticas, na fenda,&lt;br /&gt;Caminho entre elas,&lt;br /&gt;Se molham da chuva&lt;br /&gt;... fina ...&lt;br /&gt;ameaça apertar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num instante só,&lt;br /&gt;como quando se admira&lt;br /&gt;o proibido desejado,&lt;br /&gt;faz-se do nítido o turvo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um dia de lume suave,&lt;br /&gt;outro calamitoso&lt;br /&gt;e os lampejos ferozes&lt;br /&gt;sobre minhas impotentes feridas&lt;br /&gt;Retinas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então intervenho,&lt;br /&gt;E as abrigo em baixo&lt;br /&gt;De duas marquises...&lt;br /&gt;Escuras... apenas isso....&lt;br /&gt;Onde o brilho de antiga Vista&lt;br /&gt;Se dissipe em se dissipar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas trevas, puras,&lt;br /&gt;E um pouco duras,&lt;br /&gt;Minhas Retinas sabem ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sensibilidade II&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não sei dizer&lt;br /&gt;Digo que não.&lt;br /&gt;Meus ouvidos tomados&lt;br /&gt;Indefesos ao extremo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos distúrbios&lt;br /&gt;A estes ouvidos escravos.&lt;br /&gt;Penetrados ao fundo,&lt;br /&gt;Apunhalados no âmago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que vozes cruéis&lt;br /&gt;Esburacam meus pobres&lt;br /&gt;- eu disse pobres -&lt;br /&gt;E desarmados ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo, aos meus ouvidos,&lt;br /&gt;É um resumo constante.&lt;br /&gt;Sou dois desgraçados –&lt;br /&gt;Desamparados – ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E essa voz que convence,&lt;br /&gt;Incansável elaboradora.&lt;br /&gt;Viaja do cúmulo racional&lt;br /&gt;Ao absurdo retórico da fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não suportam&lt;br /&gt;Meus ouvidos chorosos.&lt;br /&gt;Escorre o melado doce&lt;br /&gt;Recuperado pela língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Violentados, arregaçados,&lt;br /&gt;Meus ouvidos tão ingratos,&lt;br /&gt;De tanto ódio e desagrados,&lt;br /&gt;Me torturam regados de dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, não suportando mais,&lt;br /&gt;Estendo a caneta vorazmente&lt;br /&gt;E defendo meus ouvidos&lt;br /&gt;Com a lança de tinta negra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neutralizo todos os sons,&lt;br /&gt;Calo tudo e o silêncio.&lt;br /&gt;Sou o próprio vazio&lt;br /&gt;Sinótico absoluto do silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apago os ruídos estúpidos&lt;br /&gt;De todas as línguas más.&lt;br /&gt;Impeço os ataques mortais&lt;br /&gt;Que antes causavam pavor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desloco pras vozes malditas&lt;br /&gt;Seu sujo discurso fedido.&lt;br /&gt;Entrego mais uma vitória&lt;br /&gt;Aos meus lutadores ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sensibilidade III&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sem emitir som algum&lt;br /&gt;significo interno,&lt;br /&gt;na mente, o mundo.&lt;br /&gt;Minha língua ainda não sabe&lt;br /&gt;discernir ao certo, mas já sabe&lt;br /&gt;que o doce é a superfície&lt;br /&gt;(o que circunscreve)&lt;br /&gt;e o amargo o mais profundo&lt;br /&gt;(penetrante e intenso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que salga não toma tempo,&lt;br /&gt;mas diverte como ninguém.&lt;br /&gt;Mas o sabor acre das coisas&lt;br /&gt;se aloja por tempos na língua&lt;br /&gt;(na saliva, no fluido do prazer&lt;br /&gt;e desejo)&lt;br /&gt;e atinge o abismo insondável do córtex.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também os gostos podem se alterar:&lt;br /&gt;o doce ir a amargo, e este, àquele.&lt;br /&gt;(variabilidade da vida – inconstância)&lt;br /&gt;Temperatura, intensidade, área estimulada...&lt;br /&gt;tudo pode variar sensações distintas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o sabor meu vai da língua à mente,&lt;br /&gt;depende que venha do cérebro à língua de alguém.&lt;br /&gt;(contramão de sonhos)&lt;br /&gt;Se assim não for, não sinto nada...&lt;br /&gt;apenas lembro do gosto instalado&lt;br /&gt;em alguma zona obscura das minhas recordações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo é sabor, gosto, olhar é saboroso,&lt;br /&gt;é paladar, os cheiros são tão vicejantes&lt;br /&gt;quanto a gustação dos amores eternos.&lt;br /&gt;Ouvir é também gostoso.&lt;br /&gt;Salve o paladar, a graça, o espírito de todos os sentidos.&lt;br /&gt;Deglutir a vida em doces amargos momentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sensibilidade IV&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando me vem o perfume,&lt;br /&gt;Não como o de rosas,&lt;br /&gt;Os olhos cerram a luz, as cores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cheiro me traz dor&lt;br /&gt;A do passado murcho&lt;br /&gt;Que exala o aroma do silêncio&lt;br /&gt;A fragrância do não existir mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu olfato memória me prende&lt;br /&gt;Lá no ontem que não mais hoje,&lt;br /&gt;Que não mais nada possa ser&lt;br /&gt;Além do que já foi antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheiro das lembranças mais fétidas&lt;br /&gt;Que me atormentam o juízo.&lt;br /&gt;Minhas incertezas sobre o futuro&lt;br /&gt;Que, acho, quer repetir o decorrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então me perco nessa impressão&lt;br /&gt;Olfativa das minhas derrotas.&lt;br /&gt;Emana de mim a essência podre&lt;br /&gt;E doentia dos fracassos de outrora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no fim tudo tem cheiro, menos eu,&lt;/p&gt;Menos minha alma, vazia e inodora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-114420840775785429?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/114420840775785429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=114420840775785429' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114420840775785429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/114420840775785429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2006/04/as-sensibilidades-poticas.html' title='As sensibilidades poéticas'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-113183781257998622</id><published>2005-11-12T21:16:00.000-02:00</published><updated>2005-11-12T21:30:22.906-02:00</updated><title type='text'>Capítulo VIII</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Estou escrevendo um texto maior (acho que é um romance) e vou deixar um de seus capítulos para a galera ler.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;VIII.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retornei ao recinto domiciliar instantaneamente. Lá dentro, uma angustiante situação me esperava de volta. Pensei em contar a ela sobre Maria e sobre a falta que sentia dela. Quem sabe não iria embora! No entanto preferi não tocar no assunto depois que a vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lena estava deitada em minha cama. Um lençol amarelado pela sujeira encobria seu corpo. De sua boca entreaberta escorria uma saliva clara manchando toda a fronha do meu travesseiro. Como poderia ter adormecido tão profundamente em tão pouco tempo? Bem, as dúvidas iam se esvaindo com uma natureza assombrosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus olhares foram arrebatados por cada pedaço daquela forma criada pela simbiose da matéria e da representação. Lena parecia meio mulher meio pano. E o que sentia por ela antes de sair de casa se transformara em algo meio nojo meio desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permiti que minha libido escorresse por sobre aquela figura misteriosa. Deixei-me ser sonho talvez sonhado. Tremi quando somente minha vontade mordeu o rabo em evidência de Lena. Transpirei minhas frustrações e absorvi o fantástico daquele momento uno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mente entrava em descompasso e os fragmentos da minha compreensão iam cada vez mais se distanciando uns dos outros. Senti um desejo enorme de ficar totalmente pelado. Tive vergonha de mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri Lena, e toda sua nudez me fez mergulhar no mais profundo tesão. Meu pênis fez estufar minha bermuda. Meus pentelhos eram arrancados com a força brutal da ereção. Vigoroso, imponente, meu pau me fez pensar, agir, viver em função dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cintura de Lena obrigou minhas mãos a segurá-la. Suas coxas queriam, por imposição, se misturarem as minhas. Seu dorso me parecia uma tela pronta para o labor de minha língua. A linha curva da coluna vertebral unia cóccix e pescoço e atestavam a impossibilidade de beijá-los ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus olhos eclipsados me davam a impressão de prazer e satisfação. Deitei-me por sobre Lena. Pousei sobre ela todo o meu peso e minha proteção. Doei-me sem pedir nada, estava pronto para ela, assim como ela estava pronta para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas lágrimas fizeram do caminho por onde passaram um lugar frio. A falta de uma explicação para o choro fazia daquela situação ainda mais especial. Sussurrei em seu ouvido ‘eu te amo agora, eu te amo agora’. Fora desapertada, dentro de nós, a cumplicidade magnífica do sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me deitei com Lena, mas com Maria... pecado?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-113183781257998622?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/113183781257998622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=113183781257998622' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/113183781257998622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/113183781257998622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2005/11/captulo-viii.html' title='Capítulo VIII'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-113093758980931597</id><published>2005-11-02T11:18:00.000-02:00</published><updated>2005-11-02T11:19:49.810-02:00</updated><title type='text'>Montes</title><content type='html'>são tantos sonhos&lt;br /&gt;            tantos agentes&lt;br /&gt;                        tantos atores&lt;br /&gt;                                   quantas forem as dores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são tantas entrelinhas&lt;br /&gt;            tantos entrelaces&lt;br /&gt;                        tantas saídas&lt;br /&gt;                                   quantos forem os caminhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são tantas marcas&lt;br /&gt;            tantas farsas&lt;br /&gt;                        tantas farpas&lt;br /&gt;                                   quantas forem lembradas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são tantas pessoas&lt;br /&gt;            tantas personas&lt;br /&gt;                        tão impessoais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são tantos desvios&lt;br /&gt;            são tantos deslizes&lt;br /&gt;são tantos&lt;br /&gt;somos dois&lt;br /&gt;            contra outros tantos&lt;br /&gt;                        contra nossos tantos&lt;br /&gt;                                   tantos quanto forem&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-113093758980931597?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/113093758980931597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=113093758980931597' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/113093758980931597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/113093758980931597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2005/11/montes.html' title='Montes'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-113062175120691828</id><published>2005-10-29T19:33:00.000-02:00</published><updated>2005-10-29T19:35:51.213-02:00</updated><title type='text'>Mulher-manequim</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Não quero saber se o tecido do teu vestido é o mais fino, da tua arma dura, da tua carapaça de cristal modelado. Não me importa o teu corpo erguido em saltos de inconstância, plena de ignorância. Nada valem teus bustos, glúteos firmes! O fiasco da forma encerrada em tom fosco. Não sucumbo ao apelo forçoso que deprecia o precioso por obsessão doentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher, sê mulher!&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-113062175120691828?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/113062175120691828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/113062175120691828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2005/10/mulher-manequim.html' title='Mulher-manequim'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18435714.post-113060921591852916</id><published>2005-10-29T16:01:00.000-02:00</published><updated>2005-10-29T16:19:58.700-02:00</updated><title type='text'>Tempestade metafórica</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/1600/Fabinho.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Lá fora, o céu carregado ameaça tombar inteiro sobre a terra. As nuvens alvas assumem tons escuros e apagam a luz que iluminava, ou que cegava. O vento age apenas lá, no alto, deslocando as trevas de um lado a outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui dentro, sobre um candelabro, uma vela, de chama pequena, insiste em resistir. A cada sopro maléfico, cambaleia, enfraquece, mas consegue se levantar. Um rascunho de vida desenhado em sua memória a mantém ainda acesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu desaba. Torrencialmente, o céu inteiro desaba. Gotas covardes se chocam vorazmente contra a terra e se dividem em milhões de outras gotas, até se unirem e formarem um imenso rio revolto. Uma sinfonia, um conjunto de vozes e sons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, a chama, assustada como nunca, percebe que do céu despencou a água que encheu o rio. Percebe que não sabe mais o que é céu e o que é rio. Então cambaleia mais uma vez pela incerteza que se coloca diante dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As nuvens agora disparam flashs que iluminam e cegam e inundam e emendam e assustam e machucam. A chama se apaga momentaneamente a cada flash. E o rio aumenta querendo chegar até o céu, de onde veio. A chama resiste e insiste ali no meio... entre o céu e o rio... no limite da existência&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18435714-113060921591852916?l=rabiscoliterario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/feeds/113060921591852916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18435714&amp;postID=113060921591852916' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/113060921591852916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18435714/posts/default/113060921591852916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rabiscoliterario.blogspot.com/2005/10/tempestade-metafrica.html' title='Tempestade metafórica'/><author><name>Fábio Fonseca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323470246562517530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4036/1804/320/Rosto%20bonito%20orkut.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
